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Aloprados atuavam em Dourados.
Publicação do Diário do Grande ABC, 8 de setembro de 2010. - Distrito Federal
O prefeito em exercício de Dourados (MS), Eduardo Machado Rocha, afirmou ontem que a cidade era governada por um "bando de aloprados". Em seguida, lamentou: "Pena que essas mesmas pessoas que foram presas pela Polícia Federal voltarão pedindo votos e receberão os votos. O povo tem memória curta."
A afirmação foi em decorrência do esquema de corrupção que funcionava na câmara e prefeitura, envolvendo 11 dos 12 vereadores locais, o prefeito, o vice-prefeito, a primeira-dama e cinco secretários municipais. Também funcionários do terceiro escalão e empresários estão envolvidos, num total de quase 70 pessoas, das quais 28 foram presas.
O magistrado abriu pela manhã o desfile militar de 7 de setembro, e assistiu a manifestação Grito dos Excluídos, pedindo a cassação de mandatos do prefeito, vice-prefeito dos vereadores e secretários envolvidos no episódio. O prefeito interino informou também que a partir de hoje dará inicio aos levantamentos sobre os prejuízos financeiros causados pelos acusados aos cofres da administração.
Um levantamento preliminar, baseado apenas nas denúncias de que cada um dos 11 vereadores envolvidos no esquema recebia em média R$ 170 mil por mês e o prefeito R$ 500 mil, o "rombo" poderá ultrapassar R$ 300 milhões. O cálculo é de técnicos da prefeitura que consideraram as fraudes ocorridas nos últimos 12 meses.
O prefeito, que é juiz, afirma que cobrará das empreiteiras que foram contratadas pela prefeitura, por força de licitações fraudulentas, "os devidos prejuízos".
Adiantou que até a decisão final, vai manter intactos todos os documentos relacionados aos gastos ocorridos nesse período. Ele pediu a substituição das fechaduras de todas as portas do prédio da prefeitura e o MP (Ministério Público) lacrou as portas dos departamentos onde existam prováveis provas contra os acusados.