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PF prende executivo de banco do RS e dois publicitários.

Publicação do portal Terra.com.br, 2 de setembro de 2010. - Rio Grande do Sul

FABIANA LEAL

Direto de Porto Alegre



A Polícia Federal prendeu, em flagrante, três envolvidos em um suposto esquema de desvio de recursos do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) na manhã desta quinta-feira. Eles são o superintendente de Marketing do Banrisul, Walney Fehlberg, um representante da agência SL&M, Gilson Storke, e um diretor da DCS, Armando D Elia Neto. As informações são da Rádio Gaúcha.

A investigação começou após uma denúncia feita ao Ministério Público de Contas em outubro de 2009. "Veio à tona porque o único que trabalhava não recebia", afirmou o superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, Ildo Gasparetto, referindo-se ao profissional da área de marketing que prestou o serviço (para a quadrilha), mas não recebeu por ele e fez a denúncia no ano passado. Quando surgiram indícios de crimes federais - evasão de divisa e lavagem de dinheiro - a Polícia Federal entrou no caso.

Segundo Gasparetto, os três foram detidos durante as buscas em residências e empresas. Com eles, foram encontrados cerca de R$ 2 milhões em dinheiro (dólares, reais e euros), sem origem identificada. Segundo as investigações, o setor de marketing do banco combinaria valores com empresas de publicidades que participavam de licitações. A instituição escolheria sempre a proposta de menor valor, que já era superfaturado, e todas dividiriam a quantia definida.

Segundo o superintendente da PF, um dos presos hoje já havia sido detido há cerca de 60 dias por evasão de divisas no aeroporto de São Paulo carregando dólares. "Foi mais um motivo de que os indícios que nós tínhamos realmente estavam batendo", afirmou Gasparetto, se referindo ao funcionário do banco, que estava em liberdade após obter um habeas-corpus.

Medida fortalece banco

"Essa força-tarefa fez um trabalho em defesa do Banrisul. Eu tenho certeza que os funcionários (do banco) e a direção devem estar aplaudindo essa força-tarefa, porque isso fortalece a instituição", afirmou o superintendente da Polícia Federal.

Destino do dinheiro

Nas buscas, além de dinheiro, também foram apreendidos documentos e computadores, que serão analisados pela força-tarefa. "O destino desse dinheiro ainda vai ser verificado agora. E caso haja, além da lavagem de dinheiro e de evasão de divisa, a utilização para uma outra maneira, com certeza, vai ser comunicado aos órgãos competentes. Se tiver alguma coisa em relação a campanhas eleitorais, vai ser comunicado ao procurador eleitoral", disse Gasparetto.

Segundo a PF, os três presos em flagrante estavam sendo ouvidos nesta quinta-feira pela equipe da Delegacia de Polícia Fazendária. A intenção é verificar se há participação de outras pessoas na fraude. Ao final do dia, se não obtiverem habeas-corpus, o trio passará a noite na prisão.

Em entrevista na sede da PF na tarde desta quinta, o superintendente fez questão de dizer que "o Banrisul é vítima". "É uma quadrilha que se colocou com a participação de funcionários públicos e de funcionários de empresas privadas. E, com isso, retiraram dinheiro que deveria estar no banco e que está sendo utilizado de maneira particular", disse Gasparetto.

O superintendente respondeu ainda à governadora Yeda Crusius (PSDB) e candidata à reeleição, que colocou em seu twitter "já vi esse filme antes. Roteiro do velho jeito. Convoquei a direção e o conselho do banrisul para reunião na casa branca da expointer". "Caso alguém esteja desconfiando da Polícia Federal, tem de desconfiar também do Ministério Público de Contas e do Ministério Público do Estado." Gasparetto disse ainda que estar há quase um mês das eleições não significa que a Polícia Federal e o Ministério Público deixará de trabalhar. "Se querem levar para o lado político, não vão levar", afirmou.

Como funcionava Em 1 ano e meio, a quadrilha teria arrecadado R$ 10 milhões. "Os valores pagos teriam uma cobrança em torno de 30% de propina além do valor do serviço", disse o superintendente. Se um trabalho custasse R$ 700 mil, ele acabava saindo por R$ 1 milhão ao banco.

A polícia ainda investiga se as licitações contavam com empresas-fantasmas, que só entrariam no processo para forjar a licitude e "fazer número". "É parecido com o que estava sendo feito em Dourados (MS)", afirmou o superintendente.

O prefeito de Dourados, Ari Artuzi (PDT), junto com a primeira-dama, Maria Aparecida de Freitas Artuzi, além do vice-prefeito, Carlos Roberto Bernardes, nove vereadores e quatro secretários foram presos na quarta-feira. Outras 12 pessoas foram detidas como parte da Operação Uragano. Segundo a PF, o prefeito chefia um esquema de fraude à licitação, corrupção ativa e formação de quadrilha. Através do poder da máquina pública, Artuzi estaria direcionando licitações por meio de corrupção de servidores públicos e agentes políticos, em troca de 10% do valor dos contratos fechados para obras na cidade.

O caso

Uma força-tarefa da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Estadual e do Ministério Público de Contas investiga possíveis desvios de recursos da área de marketing do Banrisul. A suposta organização pode ter causado um prejuízo de mais de RS 10 milhões nos últimos 18 meses. A Operação Mercari pretende cumprir nesta quinta-feira 11 mandados de busca e apreensão, sendo 10 em Porto Alegre e um em Gravataí, com a participação de 76 policiais federais.

Em nota divulgada no final da tarde desta quinta-feira, a diretoria do Banrisul afirma que o banco "vê-se surpreendido com as investigações estabelecidas a partir da representação do Ministério Público, na medida em que as investidas para apurar materialidade e autoria supostamente delitiva, não podem mesclar a responsabilidade de outrem com a conduta ética e mercadologicamente responsável do Banrisul, que termina por experimentar efeitos indesejados sem que tenha concorrido para quaisquer das situações investigadas".

O banco diz, ainda, que "sempre foi solidário com as instituições fiscalizadoras" e "tem certeza que as investigações chegarão a bom termo, de modo rigoroso e célere, para que, caso comprovados os danos, eventuais responsáveis restem identificados e os prejuízos sejam ressarcidos ao Banrisul".