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ALAGOAS-Publicação do portal Correio do Povo de Alagoas, 7 de fevereiro de 2010.

O senso comum e bom senso: o eterno paradigma entre o certo e o errado.

O que seria da humanidade se não vivêssemos as eras, os períodos e, por fim, as revoluções?

No mundo em que todos tentam dar as mais confusas ou dúbias explicações para fatos, acontecimentos ou decisões, nós ficamos a nos perguntar: o que seria da humanidade sem o bom senso? De certo que seriamos hoje iguais aos Caetés das Alagoas, aos Zumbis dos Palmares, aos escravos sem abolição ou, quem sabe, estivéssemos na exatidão do homem das cavernas!

O bom senso se determina exatamente quando uma maioria absoluta forma uma ideia sobre algo e pela maioria se convencer que está certa. Não questiona as razões básicas necessárias para aquela ideia estar de fato certa. Seria quase um exemplo das leis consuetudinárias que passam a existir baseadas nos costumes, mas nunca por serem criadas sob os olhares de uma constituição confeccionadas por parlamentares, analisadas por jurisconsultos e aprovadas pelas observâncias da certeza de que está perfeitamente correta!

O senso comum advém do pensamento das maiorias e, por isto, tenta se sustentar na cláusula de que se a maioria pensa assim é assim que está certo. Seria então isto uma verdade?

Por sua vez, o bom senso se define por uma ideia que está condizente, coerente e abrangente para com um princípio, lei, ou cadeia de leis e mesmo que fira desagrade ou vá de encontro ao senso comum, termina por ser o certo derrubando a ideia de uma maioria.

E, por que isto acontece ainda na sociedade de hoje? Logicamente pelo fato de vivermos ainda hoje uma grande desigualdade cultural. Quando se tem uma comunidade toda ela com um mesmo nível de cultura, ou próximo , o senso comum é engolido já na raiz de qualquer que seja a questão, por conta da busca da análise se a questão é legal ou não!

É desta forma que nós conseguimos enxergar a problemática existente entre os permissionários do Mercado Público, do Pavilhão da Farinha e da Orla da cidade.

As três áreas necessitam de reformas para se preservar o patrimônio público e histórico da cidade, são obras que têm prazos para execução, mas as pessoas que ali trabalharam – Mercado Público – ou trabalham – Pavilhão da Farinha e Orla – não conseguem entender a diferença entre o bom senso e senso comum.

Para eles prevalecem o senso comum, uma ideia formada pelas opiniões dos mesmos sem a observância de todas as abrangências que o caso requer. Legalidade, necessidade e respeito.

Legalidade por que toda a obra será fiscalizada pelos órgãos competentes e sendo aplicado o rigor da lei pertinente à obra e ao bem comum.

Necessidade pela razão da conservação do patrimônio físico, da modernização a ser implantada ao local e no local, sem descaracterizar nosso lado histórico. O que com certeza trará benefícios a quem será usuário e lucro para quem sobrevive daquele negócio.

Devemos entender que aquele espaço é público e, portanto, de responsabilidade da administração municipal, quem se deve respeitar como autoridade mesmo sabendo que cabe ao gestor da municipalidade também respeitar as comunidades afetadas de forma direta ou indiretamente pelas reformas. É neste prisma final que a observância das palavras deve ser mais forte, pois a conclusão nos mostra que tanto a administração deve respeitar a população quanto à população deve também respeitar a municipalidade.

Mercado: Telhado e interior prontos. Faltando apenas o piso e a pintura.

Na obra do Mercado Público a questão recai sobre os antigos permissionários que deverão enfrentar uma licitação para o retorno. No Pavilhão da Farinha a situação é bastante parecida com o Mercado Público, mas não extamente igual. Já a Orla, parece até que parte da população penedense gosta mesmo das barracas que empobrecem a beleza das nossas lojas, atrapalham o trânsito de pedestres e automóveis, sujam nosso centro histórico e evidenciam o "crescimento" do nosso comércio.

Logo, quem estaria mais preparado para saber o que é certo ou errado? A municipalidade através de seu corpo técnico, órgãos financiadores e fiscalizadores e empresa contratada ou a população trabalhadora ou não? Inclua-se neste contexto a credibilidade do gestor público para que tenhamos uma decisão consensual, e Penedo não perca oportunidades de melhorar. Que não passemos no tempo como meros expectadores de ver o avanço das outras cidades e o marasmo da nossa tão defendida “terrinha”!

Por: Raul Rodrigues

 
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