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SãO PAULO-Publicação do Valor Econômico de 05 de agosto de 2005
Grupo Schahin forma consórcio para disputar concessões federais
Paulo Henrique de Sousa - O grupo Schahin vai disputar a concessão dos oito lotes de rodovias federais que o governo pretende privatizar, um negócio que pode chegar a R$ 4 bilhões no total. O diretor executivo da Schahin Engenharia, Arnaldo Cumplido, disse que está liderando a formação de um consórcio que já tem três participantes, mas não quis revelar os nomes.
O consórcio ainda não está fechado, mas as equipes técnicas das três empresas já fizeram um levantamento das condições das estradas que compõem os oito lotes de privatização. Com as informações, os executivos podem fazer projeções de quanto será necessário investir para deixar as estradas nas condições mínimas que poderão ser exigidas pelo edital de licitação. Quando sair o edital, os estudos serão adaptados às regras.
Cumplido comentou que ainda está em busca de novos parceiros, principalmente do mercado financeiro. Ele acredita que os principais competidores serão as empresas já concessionárias de estradas e que o negócio deve ser interessante também para os bancos, fundos de pensão e até fundos de investimento estrangeiros. Seriam instituições com perfis de investimento de longo prazo, como são as concessões rodoviárias.
O consórcio concebido pelo diretor da Schahin deverá ter empresas de perfis diferentes: umas com experiência em construção de rodovias, outras que possam operá-la durante a concessão e outras ainda que participem apenas como investidores. Com faturamento de R$ 400 milhões, a Schahin Engenharia não tem experiência em concessão rodoviária e entraria com o conhecimento adquirido em projetos vencedores de leilões de concessão de linhas de transmissão de energia. E precisaria de uma concessionária de rodovia como parceira. "Um consórcio é uma soma de expertises e uma forma de dividir os riscos", resumiu.
O desafio da Schahin é montar um projeto financeiro capaz de atrair recursos. Para Cumplido, a grande fonte de financiamento continua sendo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele calcula que os cofres do banco estatal só se abram para projetos que conseguirem demonstrar uma Taxa Interna de Retorno (TIR) do investimento de, pelo menos, 15% ao ano.
O diretor da Schahin espera que a licitação seja feita na modalidade de menor tarifa seguida do maior valor de outorga. O governo define um valor máximo para a tarifa de pedágio e as candidatas apresentam as propostas abaixo do teto. Se houver empate entre as melhores propostas (menores tarifas), vence a empresa ou consórcio que oferecer o maior valor de outorga.
Para chegar à menor proposta de tarifa viável, as empresas candidatas precisam conhecer a situação atual das rodovias, como qualidade do asfalto, tipos de solo, e condições de conservação das chamadas "obras de arte" (pontes, viadutos, passarelas, túneis, etc). "Quem estudar as estradas têm mais chances de ganhar", ensina Cumplido.
Para ele, os trechos mais cobiçados entre os oito lotes a serem privatizados são a Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), entre São Paulo e Curitiba, e a Fernão Dias, entre São Paulo e Belo Horizonte. O diretor da Schahin disse que, em princípio, vai disputar todos os oito lotes, mas que poderá focar sua estratégia em alguns conforme as regras do edital de concessão.
Mas a estréia da empreiteira no novo setor pode demorar mais do que o estimado. O Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu o processo de concessão, alegando "indícios de falhas e irregularidades" que aumentavam o preço máximo do pedágio. Agora o tribunal quer mais informações sobre os valores estimados para o pedágio nos trechos a serem privatizados. O ministério só vai divulgar o edital depois do sinal verde do TCU, o que pode atrasar toda licitação.
O apetite da Schahin pelo segmento rodoviário vai além das concessões federais. A empresa também deverá participar do processo de privatização das rodovias paulistas, como o corredor de exportação de Campinas a São Sebastião - uma área nobre que engloba rodovias como a Dom Pedro, Carvalho Pinto, Ayrton Senna e Tamoios.
Enquanto não saem os editais de privatização, a Schahin vem tentando estrear na área de obras rodoviárias no exterior. Neste ano, chegou até a etapa final de uma licitação para concessão de uma rodovia no Peru, mas perdeu a corrida para um consórcio binacional de empresas do Peru e Equador.
O insucesso na primeira tentativa parece não ter desestimulado a Schahin de seguir tentando. O diretor executivo comentou que a empresa está estudando outras oportunidades de negócio na América do Sul, especialmente no Peru, Equador e Uruguai. "Temos propostas em andamento", limitou-se a declarar. No Equador, a disputa não é por obras rodoviárias, mas no setor elétrico. |