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DISTRITO FEDERAL-Publicação da Agência EFE de 04 de agosto de 2005
Peru oficializa construção de estrada que o ligará ao Brasil
O presidente do Peru, Alejandro Toledo, assinou nesta quinta-feira os contratos de concessão para a construção da estrada interoceânica, que permitirá a integração viária de dez regiões peruanas com o Brasil e a Bolívia.
A estrada, de mais de 2.600 quilômetros, irá dos portos peruanos de Marcona, Ilo e Matarani até os estados de Rondônia, Mato Grosso e Acre.
Este é um dos projetos mais ambiciosos da Iniciativa de Integração Regional Sul-Americana (IIRSA) e irá requerer um investimento de mais de US$ 1,1 bilhão, o que, segundo a oposição peruana, é muito.
"Hoje se inicia a primeira página de uma história que ficará gravada na coração de seis milhões de peruanos no sul do país", declarou Toledo em uma cerimônia realizada no Palácio de Governo.
O presidente disse que a obra, encarregada a dois consórcios peruano-brasileiros, concretiza a "integração física sul-americana" após ter sido adiada durante 60 anos.
O Peru participará do processo junto com as empresas privadas do ramo da construção, e os consórcios responderão pela manutenção da obra durante os próximos 25 anos.
Três trechos da via ficaram sob a responsabilidade, em 23 de junho, dos consórcios Concessionária Interoceânica Sul e Intersul, empresas que formadas pelo capital brasileiro e peruano.
As obras começarão no final deste mês e Toledo e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva assistirão à cerimônia inaugural, segundo afirmou o líder peruano.
O representante da Concessionária Interoceânica Sul, Jorge Barata, disse que a obra representa oportunidades de desenvolvimento para quase seis milhões de peruanos.
Barata lembrou que o Peru é o primeiro país onde a empresa que representa no consórcio, a construtora brasileira Odebrecht, deu início há 25 anos à sua atividade em nível internacional.
A Controladoria Geral da República apresentou várias observações aos contratos elaborados pelo Governo devido a uma suposta supervalorização da obra (cerca de 25%).
No entanto, as observações foram levantadas na véspera, depois de Toledo ter anunciado que assinaria os contratos "contra tudo e contra todos".
O líder do opositor Partido Aprista Peruano, o ex-presidente Alan García, pediu ao presidente que faça uma profunda análise dos custos da obra, porque ela terá um maior benefício para o Brasil.
"Acredito firmemente na necessidade de fazê-la, (mas) do que não estou convencido é da necessidade de pagar US$ 1,142 bilhão", declarou García.
García, provável candidato às eleições presidenciais do próximo ano, disse que Toledo fez um "mau negócio", porque o Brasil teve de contribuir com uma parte do financiamento.
A estrada não foi revisada pelo Sistema Nacional de Investimento Público por sua "complexidade", segundo disse o ministro da Economia, Pedro Pablo Kuczynski.
O ministro afirmou que a importância do projeto está em "ser uma reabilitação do sul do país", porque essa zona é a que menor crescimento teve na última década e a que concentrou maiores problemas políticos.
Outros dois trechos da estrada serão entregues em concessão no fim do ano, segundo o cronograma oficial.
No entanto, a presidente da região de Moquegua, Cristala Constantinides, disse que os habitantes de sua jurisdição assumirão medidas de força caso não seja realizada em duas semanas a convocação de licitação do trecho que unirá o porto de Ilo com a cidade de Juliaca, na fronteira com a Bolívia. |