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Fórum TI & Governo
São Paulo discute os desafios do governo
eletrônico
O setor público tem usado mais a Internet
para fazer compras, o que é bom, pois gasta menos o dinheiro
dos impostos quando faz compras eletrônicas. Em 2004, instituições
do setor público fizeram 315 mil licitações ao todo, das
quais 73 mil (23%) por meios eletrônicos. Nos primeiros
seis meses deste ano, fizeram 186 mil licitações, das quais
45 mil (24%) por meios eletrônicos. Governos estaduais realizam
81% das compras eletrônicas; prefeituras, 12%; e o governo
federal, 7%. Os números são do Consórcio
Nacional de Licitações (Conlicitação) e foram mencionados
por Horácio Ferragino, coordenador de projetos do sistema
estratégico de informações da Casa Civil do Estado de São
Paulo, durante o Fórum TI & Governo-SP 2005, evento promovido
pela Plano Editorial, que publica o Informática Hoje. Além
da transparência, as compras eletrônicas trazem economia,
diz Horácio. A Bolsa Eletrônica de Compras do Estado de
São Paulo (BEC), por exemplo, representou economia de R$
1,7 bilhão ao Estado, ou 15% dos R$ 11 bilhões gastos via
BEC. Se os prefeitos quiserem, podem usar a BEC também;
até agora, 117 municípios assinaram convênio com o Estado,
mas só 16 já fazem compras por meio de pregão eletrônico.
Compras eletrônicas: ainda poucas.
Apesar da economia, porém, a administração
pública direta (isto é, excluídas as
estatais e outras empresas públicas) compra muito
pouco via pregão eletrônico. Em 2004, as compras
eletrônicas da administração pública
direta totalizaram R$ 1,3 bilhão — ou só
1,2% das compras feitas no Brasil inteiro, em reais, via
Internet. Os números são da Florencia Ferrer
Pesquisa & Consultoria, e foram mostrados por Cristian
Lima, diretor de operações da FF. Quanto ao
primeiro semestre deste ano, os números indicam crescimento
tanto em valor absoluto quanto em porcentagem (2,8%). Assinaturas
digitais sempre são discutidas quando o problema
é intensificar o emprego dos meios eletrônicos
na substituição de processos manuais, e foi
o que aconteceu nesse fórum. A Imprensa Oficial do
Estado de São Paulo mostrou seu modelo de negócios,
assim como a Serasa, a Prodesp e a Sabesp. Para Álvaro
Mendes, gerente do departamento de licitações
da Sabesp, assinaturas digitais dão maior segurança
ao processo de compras, permitem a troca de documentos assinados
digitalmente (sem que ninguém possa, depois, dizer
que não assinou nada) e permitem a criação
de mecanismos seguros de autorização para
o uso de recursos na rede (autenticação).
A Sabesp usa assinaturas digitais desde 2000.
O Estado mais perto do cidadão
A TI é também uma ferramenta
para a organização da administração
pública e para a transparência na gestão,
como mostrou Roberto Agune, que conduziu o núcleo
do sistema estratégico de informação
(SEI) nos últimos dez anos. Ele lembrou que, no Estado
de São Paulo, o governo eletrônico permitiu
não só a organização das finanças,
mas levou a práticas inovadoras e à capacitação
dos profissionais que trabalham com TI — mais de 3
mil servidores já foram capacitados. Agune destacou
a criação do comitê de qualidade da
gestão pública (CQGP), como meio de aprimorar
o uso do governo eletrônico. “Desde 1995 trabalhamos
para aproximar o Estado do cidadão, usando a tecnologia
e os meios de comunicação.” Capacitação
lembra treinamento e gestão do conhecimento —
tema no qual vários profissionais do setor público
têm interesse. Um deles é José Antônio
Carlos, também integrante do SEI: “O melhor
caminho para a inovação é a gestão
do conhecimento.” Maria de Fátima Alves Ferreira,
da Secretaria estadual da Fazenda, diz que a gestão
do conhecimento dará “competitividade”
ao Estado. “É o meio de combater a ineficiência
e evitar a descontinuidade administrativa, sedimentando
o que já foi implementado.” Umberto Tachinardi,
da Secretaria estadual de Saúde, lembrou que a gestão
do conhecimento também é fundamental para
a transparência do processo, a redução
de custo e o aumento da produtividade. Hamilton Apolinário,
da Casa Civil do Estado, concorda; diz que o desafio é
administrar serviços fornecidos por diversas instâncias
de governo, mas oferece um jeito possível: “Não
existe governo eletrônico, se ele não tiver
foco no cidadão.” Norberto Torres, professor
da Fundação Getúlio Vargas de São
Paulo, apresentou o TEC Gov, nome do centro de estudos da
FGV criado para compreender as inter-relações
entre tecnologia e governo. Mostrou a evolução
do e-gov — até agora, algumas instâncias
do governo já implementaram três estágios
(com ações voltadas para a informação,
disseminação de conteúdo e serviços
e transações financeiras). Mas várias
instâncias já tentam passar para o quarto estágio
(integração eletrônica vertical e horizontal
de várias instâncias de governo). “É
nesse estágio que existem as maiores possibilidades
de uso do governo eletrônico no combate à corrupção.”
Segundo Norberto, o próximo estágio inclui
a participação política do cidadão
e das empresas nas ações do governo (por exemplo,
plebiscito eletrônico). “Nesse estágio,
a sociedade poderá auditar e, efetivamente, participar
das ações governamentais.”
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