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Associação Nacional dos Transportadores
Ferroviários
Setor de transporte precisaria investir
R$ 30 bilhões até 2010
A Brasil precisa investir R$ 6 bilhões
por ano até 2009 para recuperar sua infra-estrutura
de transportes.
A informação é do ministro dos Transportes,
Alfredo Nascimento, que atribui a estimativa a consultores
do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID), em estudo ainda inédito, apresentado reservadamente
a ele no mês passado.
O volume de recursos recomendado pelas duas instituições
é substancialmente maior que o orçamento do
ministério nos últimos anos. Desde 1995, as
execuções da pasta só superaram a marca
de R$ 3 bilhões em 2001.
Em 2003 e 2004, ficaram abaixo dos R$ 2 bilhões.
A expectativa é de que o panorama comece a mudar
a partir de agora, mas o compromisso fiscal do governo lança
dúvidas sobre a capacidade de aplicar mais recursos.
Colabora, para o ambiente de otimismo, o recente acordo
entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional
(FMI), que permite a flexibilização do cálculo
de superávit primário.
Ao descontar da conta fiscal determinados investimentos,
chamados de projetos-piloto, o setor de infra-estrutura
ganhou recursos adicionais de US$ 1 bilhão por ano,
até o fim de 2007 - a maior parte irá para
o setor de transportes.
"Isso nos dá praticamente uma garantia de que,
pelo menos nos próximos três anos, o orçamento
atual não irá diminuir", diz o ministro.
No ano passado, com orçamento executado de R$ 1,9
bilhão, não foi possível avançar
muito: restauraram-se apenas cinco mil quilômetros
de rodovias e deu-se início à chamada "agenda
portos", um conjunto de medidas emergenciais para facilitar
o escoamento das exportações nos principais
portos do país, que respondem por 87% dos embarques.
Uma das ações prioritárias foi capitalizar
as empresas de construção pesada. O governo
devia a essas empresas R$ 550 milhões. Com isso,
estavam descapitalizadas e sem condições de
colocar as máquinas em campo, diz o ministro.
A dívida foi quitada no fim de 2004, na esperança
de que este fosse o ano da infra-estrutura. Não está
sendo, até agora.
"O sentimento é de que as promessas do presidente
Lula foram em vão", diz um grande empresário
do setor. Do orçamento de R$ 6,7 bilhões aprovado
pelo Congresso, o decreto de contingenciamento publicado
em fevereiro impôs um limite de gastos de até
R$ 4,2 bilhões - metade dos quais estão vinculados
aos projetos-piloto acertados com o FMI.
Nascimento demonstrou irritação com o corte
e seu partido, o PL, ameaçou rebelar-se. O presidente
Lula determinou, então, um regime diferenciado de
liberação do orçamento para o ministério.
Os recursos limitados pelo contingenciamento podem ser gastos
sem a preocupação com prazos. Se o dinheiro
acabar, Lula garantiu que mais verbas serão liberadas.
A previsão de Nascimento é usar os R$ 4,2
bilhões até agosto ou setembro. "Estamos
abrindo licitações quase todos os dias".
Ele acredita que terminará o ano com R$ 5,5 bilhões
- próximo do valor pedido pelo ministério
quando o governo enviou a proposta orçamentária
ao Congresso, sem levar em conta as emendas parlamentares.
"A meta é recuperar 14 mil quilômetros
de rodovias", ressalta Nascimento. Além das
estradas, o governo deu início a obras de dragagem
em grandes portos, como Santos e Vitória. Os portos
receberão os maiores investimentos públicos
em dez anos. Por fim, o terceiro fator para afastar o risco
de "apagão" logístico é a
volta do Estado a grandes projetos ferroviários -
o pacote para o setor deve ser anunciado na próxima
sexta-feira. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) aportará até R$ 527 milhões
e deverá emergir da reestruturação
societária da Brasil Ferrovias com 47% a 49% das
ações com direito a voto de uma nova holding,
que controlará as malhas da Ferronorte e da Ferroban.
A capitalização visa garantir investimentos
na expansão da Ferronorte, que corta o Mato Grosso,
facilitando o escoamento da produção agrícola.
Também partirá do governo o financiamento
da Nova Transnordestina, cuja engenharia financeira final
deverá sair em cerca de 45 dias, afirma o ministro
dos Transportes. Duas companhias do empresário Benjamin
Steinbruch - CSN e Taquari Participações -,
comprometeram-se a investir R$ 300 milhões em capital
próprio e a conseguir R$ 250 milhões de outros
acionistas. O BNDES fará empréstimo de R$
400 milhões. A maior parte dos recursos, no entanto,
virá de dois fundos: o Finor aplicará R$ 1,5
bilhão e o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE),
mais R$ 2 bilhões em debêntures. As liberações
do Finor são demoradas e podem se estender até
2013. Para acelerar as obras, o BNDES poderá fazer
um novo empréstimo, utilizando as verbas do Finor
como garantia. A Agência Nacional dos Transportes
Terrestres (ANTT) está pronta para aprovar a reestruturação
societária da Cia. Ferroviária do Nordeste
(CFN), dona de 95% da Transnordestina. A CFN venderá
sua participação de 95% na Transnordestina
aos controladores, CSN e Taquari. Em seguida, as duas empresas
farão a capitalização da Transnordestina.
A ferrovia prevê a construção de um
novo trecho entre Araripina (PE) e Eliseu Martins (PI).
De Araripina sairão dois ramais: um levará
ao porto de Pecém (CE), remodelando e alargando trilhos
já existentes em boa parte do traçado, e é
avaliado em R$ 1,5 bilhão; o outro trecho, todo em
bitola larga, corta o Estado de Pernambuco e desemboca no
Porto Suape, ao custo de R$ 3 bilhões. O governo
prevê gerar 620 mil empregos diretos e indiretos,
durante a obra. Segundo o projeto, a Nova Transnordestina
terá capacidade para movimentar 30 milhões
de toneladas de grãos por ano e transportará
2,5 milhões de passageiros anuais em vagões
de dois andares.
Fonte: "Conlicitação
– 03.05.2005" |