DECRETO
Nº 47.297, DE 6 DE NOVEMBRO DE 2002
Dispõe sobre o pregão, a que se refere a Lei federal nº
10.520, de 17 de julho de 2002, e dá providências correlatas
GERALDO ALCKMIN, Governador do Estado de São Paulo, no uso de
suas atribuições legais e considerando as disposições
da Lei federal nº 10.520, de 17 de julho de 2002,
Decreta
Artigo 1º - A implementação da modalidade de pregão,
no âmbito da administração pública estadual,
obedecerá ao disposto neste decreto.
Artigo 2º - O procedimento estabelecido na Lei federal nº
10.520, de 17 de julho de 2002, a ser realizado por licitação
do tipo menor preço, destina-se à aquisição
de bens e à prestação de serviços comuns,
qualquer que seja o valor estimado da contratação, em
que a disputa é feita por meio de propostas e lances sucessivos
em sessão pública.
§ 1º - Consideram-se bens e serviços comuns aqueles
cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente
definidos no edital, por meio de especificações usuais
no mercado.
§ 2º - Excluem-se da modalidade de pregão as contratações
de obras e serviços de engenharia, as locações
imobiliárias e as alienações em geral.
Artigo 3º - Compete ao Secretário de Estado, ao Procurador
Geral do Estado, ao Superintendente de Autarquia, ao Chefe de Gabinete
e aos dirigentes de unidades orçamentárias, nas licitações
realizadas na modalidade de pregão cujo valor estimado da contratação
seja igual ou superior a R$ 650.000,00 (seiscentos e cinqüenta
mil reais):
I - autorizar a abertura da licitação, justificando a
necessidade da contratação;
II - definir o objeto do certame, estabelecendo:
a) as exigências da habilitação;
b) as sanções por inadimplemento;
c) os prazos e condições da contratação;
d) o prazo de validade das propostas;
e) os critérios de aceitabilidade dos preços;
f) o critério para encerramento dos lances.
III- justificar as condições de prestação
de garantia de execução do contrato;
IV - designar o pregoeiro e os membros de sua equipe de apoio;
V - decidir os recursos interpostos contra ato do pregoeiro;
VI - adjudicar o objeto da licitação, após a decisão
dos recursos;
VII - revogar, anular ou homologar o procedimento licitatório.
Parágrafo único - Nos pregões cujos valores estimados
sejam inferiores ao limite fixado no caput deste artigo, a competência
é dos dirigentes das unidades de despesa.
Artigo 4º - Somente poderá atuar como pregoeiro o servidor
ou o empregado que tenha realizado curso de capacitação
específica para exercer a atribuição.
Artigo 5º - Os membros da equipe de apoio, preferencialmente pertencentes
ao quadro do órgão ou da entidade promotora do pregão,
deverão ser, em sua maioria:
I - no âmbito da administração direta, titulares
de cargo efetivo ou ocupantes de função de natureza permanente;
II - no âmbito da administração indireta, empregados
públicos.
Parágrafo único - A impossibilidade da designação
recair em servidores ou empregados pertencentes ao quadro permanente
do órgão ou entidade licitadora deverá ser previamente
justificada nos autos do processo da licitação.
Artigo 6º - São atribuições do pregoeiro:
I - conduzir o procedimento, inclusive na fase de lances;
II - credenciar os interessados, mediante a verificação
dos documentos que comprovem a existência de poderes para formulação
de propostas, lances e demais atos inerentes ao certame;
III - receber a declaração dos licitantes de que cumprem
plenamente os requisitos de habilitação, bem como os envelopes-proposta
e os envelopes-documentação;
IV - analisar as propostas e desclassificar aquelas que não
atenderam os requisitos previstos no edital;
V - classificar as propostas segundo a ordem crescente de valores ao
final ofertados e a decidir motivadamente quanto à aceitabilidade
do menor preço;
VI - adjudicar o objeto do certame ao licitante vencedor, se não
tiver havido na sessão pública a declaração
de intenção motivada de interposição de
recurso;
VII - elaborar a ata da sessão pública, que conterá,
sem prejuízo de outros elementos, o registro:
a) do credenciamento;
b) das propostas e dos lances formulados, na ordem de classificação;
c) da decisão a respeito da aceitabilidade da proposta de menor
preço;
d) da análise dos documentos de habilitação; e
e) os motivos alegados pelo licitante interessado em recorrer.
VIII - receber os recursos;
IX - encaminhar o processo devidamente instruído à autoridade
superior para o exercício das atribuições definidas
nos incisos V, VI e VII do artigo 3º deste decreto.
Parágrafo único - Interposto recurso, o pregoeiro poderá
reformar a sua decisão ou encaminhá-lo, devidamente informado,
à autoridade competente para decidir.
Artigo 7º - A fase preparatória do pregão será
iniciada com a abertura do processo no qual constará:
I - a deliberação da autoridade competente a que alude
o artigo 3º deste decreto;
II - os indispensáveis elementos técnicos atinentes ao
objeto licitado;
III - a planilha de orçamento, que conterá os quantitativos
e os valores unitários e totais do bem ou serviço;
IV - a indicação de disponibilidade de recursos orçamentários;
V - a minuta do edital, que conterá os elementos indicados no
artigo 4º, inciso III, da Lei federal nº 10.520, de 17 de
julho de 2002, e a do termo do contrato, quando houver, aprovadas pelo
órgão jurídico da promotora do certame.
Artigo 8º - A convocação dos interessados em participar
do certame será efetuada:
I - por meio de publicação de aviso no Diário
Oficial do Estado e por meio eletrônico, quando o valor estimado
para a contratação for inferior a R$ 650.000,00 (seiscentos
e cinqüenta mil reais);
II - por meio de publicação de aviso no Diário
Oficial do Estado, por meio eletrônico e em jornal de grande circulação
local quando o valor estimado para a contratação for igual
ou superior a R$ 650.000,00 (seiscentos e cinqüenta mil reais).
Artigo 9º - Os atos essenciais do pregão serão documentados
e juntados no respectivo processo, compreendendo, além daqueles
relacionados no artigo 3º:
I - as propostas e os documentos de habilitação do licitante
vencedor;
II - a ata da sessão do pregão; e
III - comprovantes da publicação no Diário Oficial
do Estado e na Internet do aviso de abertura do pregão, do resultado
final da licitação e do extrato do instrumento contratual,
e em jornal de grande circulação, quando for o caso.
Parágrafo único - Os envelopes-documentação
dos licitantes que tiverem as propostas classificadas serão devolvidos
após a contratação.
Artigo 10º - O pregão por meio da utilização
de recursos de tecnologia da informação e o pregão
para o sistema de registro de preços serão objeto de regulamentação
específica.
Artigo 11º - O Comitê Estadual de Gestão Pública
expedirá orientações e normas complementares à
aplicação deste decreto para a administração
direta e autárquica, e procederá à atualização
dos valores fixados nos artigos 3º e 8º, quando for o caso.
Artigo 12º - O disposto neste decreto aplica-se aos órgãos
da administração direta e entidades da administração
indireta públicos estaduais.
§ 1º - As sociedades de economia mista, empresas e fundações
públicas e demais entidades controladas direta ou indiretamente
pelo Estado expedirão suas próprias orientações
para aplicação deste decreto, nos limites estabelecidos
na Constituição e em lei, e definirão a autoridade
competente para a prática dos atos referidos no artigo 3º.
§ 2º - O representante da Fazenda do Estado junto às
entidades referidas neste artigo diligenciará para que os respectivos
regulamentos licitatórios sejam adequados às disposições
deste decreto.
Artigo 13 - Aplicam-se subsidiariamente à Lei federal nº
10.520, de 17 de julho de 2002, as disposições da Lei
federal nº 8.666, de 21 de junho de 1993.
Artigo 14 - Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Palácio dos Bandeirantes, 6 de novembro de 2002
GERALDO ALCKMIN
Lourival Carmo Monaco
Secretário-Adjunto, Respondendo pelo Expediente da Secretaria
de Agricultura e Abastecimento
Ruy Martins Altenfelder Silva
Secretário da Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico
e Turismo
Marcos Ribeiro de Mendonça
Secretário da Cultura
Gabriel Benedito Issaac Chalita
Secretário da Educação
Mauro Guilherme Jardim Arce
Secretário de Energia
Ruy Martins Altenfelder Silva
Secretário de Turismo
Fernando Dall'Acqua
Secretário da Fazenda
Francisco Prado de Oliveira Ribeiro
Secretário da Habitação
Luiz Carlos Frayze David
Secretário dos Transportes
Alexandre de Moraes
Secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania
José Goldemberg
Secretário do Meio Ambiente
Nelson Guimarães Proença
Secretário Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social
Carlos Antonio Luque
Secretário-Adjunto, Respondendo pelo Expediente da Secretaria
de Economia e Planejamento
José da Silva Guedes
Secretário da Saúde
Saulo de Castro Abreu Filho
Segurança Pública
José Carneiro de Campos Rolim Neto
Secretário-Adjunto, Respondendo pelo Expediente da Secretaria
da Administração Penitenciária
Jurandir Fernando Ribeiro Fernandes
Secretário dos Transportes Metropolitanos
Fernando Vasco Leça do Nascimento
Secretário do Emprego e Relações do Trabalho
Mauro Guilherme Jardim Arce
Secretário de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras
Luciana de Toledo Temer Castelo Branco
Secretária da Juventude, Esporte e Lazer
Rubens Lara
Secretário-Chefe da Casa Civil
Dalmo Nogueira Filho
Secretário do Governo e Gestão Estratégica
Publicado na Secretaria de Estado do Governo e Gestão Estratégica,
aos 6 de novembro de 2002.
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