Em reunião
realizada ontem, a diretoria do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Estado de São Paulo)
alertou o governo e a sociedade que os dispositivos contidos
no projeto de lei que está em tramitação
urgente na Câmara dos Deputados, instituindo a PPP (Parceria
Público-Privada), poderão causar graves problemas,
não atendendo ao interesse público, se não
forem modificados.
O primeiro
problema é a insegurança que seria ocasionada
na aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Segundo a entidade, pela forma como o projeto foi escrito, parte
dos orçamentos de futuras administrações
públicas vai ficar comprometida, e os pagamentos para
honrar os compromissos das PPPs terão precedência
sobre outros gastos governamentais.
Para o SindusCon-SP,
o segundo problema da PPP é que boa parte dos financiamentos
virá do BNDES ou de fundos estatais. Ou seja, o próprio
governo irá contratar obras de interesse público
com recursos que ele irá emprestar à iniciativa
privada -- quando o conceito da PPP é usar financiamentos
privados, nacionais ou internacionais. De acordo com a entidade,
ao menso um empreendimento, o Ramal do Gesso da Rodovia Trasnordestina,
será totalmente financiado com recursos públicos
O projeto
também dispõe que as concorrências para
essas parcerias deverão ser promovidas no regime de pré-qualificação,
com regras diferentes daquelas previstas na Lei 8.666 (Lei de
Licitações).
De acordo
com a SindusCon-SP, o edital da licitação da PPP
poderá, entre outros itens, exigir garantias de proposta
e de execução de contrato superiores às
estabelecidas na Lei 8.666, desde que compatível com
o ônus decorrente do seu descumprimento; e prever que
o licitante vencedor deva ficar encarregado da elaboração
do projeto pertinente ao objeto da licitação ou
admitir a apresentação de projeto alternativo
no procedimento licitatório.
Para a entidade,
a liberdade dada ao administrador público irá
permitir que apenas as mega-empreiteiras, ligadas a grandes
bancos, sejam pré-qualificadas para as PPSs, "cerceando
a concorrência e colocando a perder as conquistas do governo
e da sociedade com a democratização do mercado
de obras públicas".
Além
disso, poderão ser adotados muitos critérios para
o julgamento das propostas, como menor valor de tarifa, melhor
técnica e menor contraprestação da administração
pública, combinados ou não.
"Deixar
a critério do administrador decidir, por exemplo, que
aplicará exclusivamente o critério de melhor técnica
para decidir uma licitação de PPP é um
subjetivismo inaceitável, que anula uma das maiores conquistas
da Lei 8.666", comenta a instituição, em
comunicado.
O projeto
também estabelece que qualquer obra pública poderá
ser contratada no regime de PPP. Para o SindusCon-SP, caso a
proposta seja aprovada como está, "correrão
risco de serem sepultados os avanços conquistados com
a Lei de Licitações, que democratizou boa parte
do mercado nos últimos dez anos, beneficiando o Estado
e a sociedade".
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