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Publicação do DCI de 29 de
novembro de 2006
Administração do Rodoanel
ficará a cargo do setor privado
Márcio Rodrigues
O governo do Estado de São Paulo
publicou decreto autorizando a desestatização
e concessão onerosa dos trechos oeste e sul do Rodoanel
Mário Covas. Com isso, uma corrida para formação
de consórcios entre construtoras e concessionárias
deve começar, a fim de elaborar propostas para a
licitação que o governo irá promover.
O primeiro passo para o início desse processo será
dado no próximo dia 14 de dezembro, quando o governo,
em parceria com a Secretaria de Transportes, irá
realizar a primeira consulta pública referente à
concessão.
O vice-presidente de obras públicas do Sindicato
da Indústria da Construção Civil do
Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Luiz Antônio
Messias, acredita que tanto as grandes construtoras, como
as concessionárias — inclusive estrangeiras
— irão se interessar pela licitação
dos trechos. “Acredito que essa concessão é
bastante viável. Mesmo porque o estado não
possui condições de investimento que são
necessárias para manutenção desses
trechos”, explica o executivo.
De acordo com ele, o mais provável é que sejam
formados consórcios entre as operadoras de estradas
— entre elas, empresas de origem espanhola, como a
OHL Brasil, e portuguesa, como a Brisa — e grandes
construtoras. “A formação de consórcios
é interessante porque soma as inteligências
das operadoras, acostumadas a administrar esse tipo de empreendimento
e das construtoras, que podem contribuir com a manutenção.
Além disso, essa é uma forma de reduzir os
riscos do investimento e elevar o capital para ter mais
força na licitação”, avalia o
vice-presidente.
Messias considera a concessão muito benéfica
também para a sociedade. “Por mais que existam
os custos com pedágio, estes são compensados
pela economia com manutenção de veículos
e pela segurança oferecida por essas prestadoras
de serviços”. A concessão será
do tipo onerosa, ou seja, a empresa vencedora será
aquela que oferecer o maior valor a ser pago ao estado.
Além disso, de acordo com especialistas, a concessão
pode acelerar a construção dos demais trechos
do Rodoanel — o leste e o norte — seja por meio
de uma parceria público-pbrivada, seja revertendo
parte do que for pago pela empresa vencedora para a construção
dos demais trechos.
Algumas diretrizes do que deve constar no edital já
foram dadas no Decreto nº 51.306, publicado ontem no
Diário Oficial do Estado, autorizando o início
do processo de desestatização. O prazo da
concessão será de 30 anos e a tarifa do pedágio
será fixada pelo Poder Público Estadual, devendo
ser critério de julgamento a maior oferta de pagamento
ao estado.
O trecho oeste, que começou a ser construído
em 1998 e foi concluído em outubro de 2002, poderá
ser concedido imediatamente. O trecho de 32 quilômetros
liga a Régis Bittencourt, Raposo Tavares, Castello
Branco, Bandeirantes e Anhangüera e tem um movimento
de 201.304 veículos por dia. O total gasto na obra
chegou a R$ 1,3 bilhão.
Já o trecho sul será concedido somente após
ser finalizado. No entanto, as licenças ambientais
saíram apenas este ano, após cinco anos de
discussão e a construção, com previsão
para ser executada em quatro anos, começou em setembro.
A obra para a construção de 61,4 quilômetros,
que interligará as rodovias Anchieta e Imigrantes
e Régis Bittencourt — somadas as interligadas
pelo trecho oeste, perfazem um total de 7 das 10 rodovias
que chegam a São Paulo —, demandará
investimentos totais de R$ 3,5 bilhões, incluindo
desapropriações, reassentamentos e mitigações
e compensações ambientais. “O grande
problema são os recursos. Se eles estiverem disponíveis,
o trecho Sul pode ser construído em até dois
anos”, setencia Messias.
O trecho está divido em cinco lotes, sendo as responsáveis
pela construção as seguintes empresas: Andrade
Gutierrez/Galvão, (Lote 1, com valor de R$ 492,8
milhões); Norberto Odebrecht/Constran, (Lote 2, no
valor de R$ 515,3 milhões); Queiroz Galvão/CR
Almeida, (Lote 3, no valor de R$ 562,1 milhões);
Camargo Corrêa/Serveng, (Lote 4, no valor de R$ 505,1
milhões); OAS/Mendes Júnior, (Lote 5, no valor
de R$ 511,7 milhões).
A reportagem do DCI entrou em contato com algumas construtoras
e concessionárias que poderiam se interessar pelo
processo licitatório de concessão dos trechos
do Rodoanel, mas não obteve resposta até o
fechamento desta edição.
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