O presidente do SindusCon-SP, Artur Quaresma
Filho, em carta enviada na segunda-feira (dia 9) ao líder
do PFL, deputado Luis Carlos Santos, defendeu que o projeto
do Executivo que institui a PPP (Parceria Público-Privada)
não seja aprovado açodadamente. O deputado Paulo
Bernardo (PT-PR) quer aprovar o projeto na Comissão Especial
que examina a matéria nesta terça-feira(dia 10),
e no plenário da Câmara dos Deputados na quarta(dia
11).
Na carta, entregue ao deputado pelo vice-presidente
do SindusCon-SP Luiz Antonio Messias e pelo gerente Jurídico
do sindicato, Renato Romano, o presidente do SindusCon-SP alerta
que "os investidores dificilmente colocarão suas
fichas nas futuras PPPs (Parcerias Público-Privadas)
se elas não estiverem em perfeita sintonia com a legislação
vigente, para evitar futuras contestações judiciais".
"Para tanto, após uma ampla discussão
com a sociedade, o ideal seria aprovar essas parcerias na forma
de um novo capítulo da Lei de Concessões, com
dispositivos que as subordinem às Leis de Responsabilidade
Fiscal e de Licitações."
Segundo o presidente do SindusCon-SP, mesmo
as mudanças feitas pelo relator no projeto de lei não
afastaram os questionamentos. Agora, os entes da Federação
precisarão comprovar que as despesas ou dívidas
criadas ou aumentadas não afetarão as metas de
resultados fiscais. "Diante dessa limitação
e com a criação de um fundo garantidor, por que
foi mantido o dispositivo pelo qual os pagamentos do setor público
para honrar os compromissos das PPPs terão precedência
sobre outros gastos de governo?", indagou.
Para o dirigente do sindicato, a precedência
que o governo tenta criar, dos pagamentos para as PPPs em relação
aos demais compromissos da administração pública,
"não faz sentido e as exceções a ela
(salários de terceiriados, SUS e contratos de emergência)
contrariam o princípío da boa fé na contratação
do serviço público".
"Além disso, é preciso cria
na lei uma salvaguarda expressa de que não poderão
ser criados novos tributos nem cortados investimentos sociais
para honrar os compromissos dessas parcerias, exceto se uma
lei antecedida por um plebiscito assim o decidir", defendeu.
Licitações - Na carta, o SindusCon-SP
defende que o regime de PPP não se aplique a qualquer
obra pública. E que as regras de concorrência para
a escolha de projetos e a contratação de obras
não contrariarem a Lei de Licitações.
"O regime de pré-qualificação
não deve ser obrigatório e, se adotado, realizar-se
dentro de critérios objetivos. O poder público
pode até fazer certames preliminares para definir qual
projeto o atende melhor. Mas, uma vez definido esse projeto,
é em torno de sua execução que deve ocorrer
a licitação, sem dar margem a 'projetos alternativos'."
O sindicato defende que, para julgamento das
propostas, deve-se proibir o administrador público de
decidir qual critério aplicará. "Na fase
do julgamento, é fundamental dar um limite preciso até
onde pode ir o leilão reverso que o governo pretende.
Esse limite precisa ser próximo ao do custo da obra -
o que o governo somente saberá se tiver o projeto."
"Deve-se
proibir que o administrador público passe a ter o poder
de pedir que os projetos sejam adequados até que as propostas
se tornem 'satisfatórias', o que poderia ensejar dirigismos.
Feitas essas e outras correções, a PPP estará
madura para contribuir com o desenvolvimento sustentado que
todos almejamos. Isso ainda demandará algum tempo. Não
se justifica a pressa do governo, que pretende açodadamente
aprovar o projeto nesta semana."