PPP
de São Paulo deve ter R$ 7,5 bi
Estado
saiu na frente do governo federal e aprovou programas de parcerias
público-privadas
PAULA
PULITI e RENÉE PEREIRA
Alguns
Estados saíram na frente e conseguiram aprovar os programas
de Parcerias Público-Privadas (PPP) antes do governo
federal.
Depois
de Minas Gerais - cujo modelo está pronto desde dezembro
-, nesta semana foi a vez de São Paulo aprovar as regras
do programa estadual, que deverá responder por 25%
dos investimentos previstos no Programa Plurianual (PPA) do
Estado para o período de 2004 a 2007. Isso significa
que pelo menos R$ 7,5 bilhões virão da iniciativa
privada.
Entre
os potenciais projetos para compor o programa está
a linha 4 do metrô (Morumbi/Estação da
Luz); trecho sul do Rodoanel; ampliação do Porto
de São Sebastião; ferroanel; transporte coletivo
intermunicipal, com operação de linhas e construção
de terminais e sistema viário; e construção
de um centro logístico integrado, formado de terminais
com várias alternativas de transportes de carga. Além
disso, é intenção do governo paulista
usar as PPPs na construção de presídios
e criar infra-estrutura nos aeroportos internacionais para
facilitar o comércio exterior.
Estatal
- Segundo especialistas, a principal novidade do projeto de
São Paulo é a criação da Companhia
Paulista de Parcerias (CPP), uma peculiaridade que o diferencia
do projeto federal e da lei que já instituiu o programa
em Minas Gerais. Enquanto o projeto federal, em tramitação
no Congresso, prevê um fundo fiduciário, o governo
de São Paulo optou por uma empresa estatal, que poderá,
por exemplo, lançar debêntures no mercado. 'A
companhia poderá ter melhores opções
para se financiar, mas, por ser uma empresa, é passível
de falência. Já o fundo fiduciário não
corre esse risco', avalia o advogado Adriano Dias Campos,
da Associação Paulista de Empresários
de Obras Públicas (Apeop).
Na
avaliação de Gustavo Rocha, especialista em
investimento público da Azevedo Sette Advogados, o
objetivo do governo de São Paulo é tornar o
processo mais ágil, pois, em princípio, uma
empresa teria maiores facilidades para capitanear recursos
do que um fundo público. A PPP paulista, segundo ele,
antecipa a implementação do programa federal.
Construção
- Entre os empresários do setor de construção,
o projeto foi bem recebido. As PPPs são vistas, de
forma geral, como uma mola propulsora para a atividade e a
geração de empregos, e deve estimular os investimentos
em saneamento, portos, ferrovias, construção
e operação de presídios. O vice-presidente
do Sinduscon-SP, João Claudio Robusti, diz não
ter dúvidas sobre a eficácia das PPPs, mas acha
que são necessários mais detalhes sobre a Companhia
Paulista de Parcerias, para avaliar a questão das garantias
ao investidor, um dos pontos que mais preocupam os empresários
quando se trata de parcerias entre os setores público
e privado.
Campos,
da Apeop, diz que o programa estadual é mais genérico
do que o federal. Embora o setor tenha sugerido mais garantias
ao governo estadual do que aparece no projeto votado quinta-feira,
o resultado ainda assim é considerado positivo. 'Acredito
que o setor vai aderir às PPPs, pois tem condição
e vontade de investir', afirma Campos.
Em
Minas Gerais, o programa aprovado em dezembro já está
em fase de modelagem dos primeiros projetos, como a ampliação
da MG-50 (Belo Horizonte-São Paulo), saneamento em
regiões carentes, penitenciárias, câmpus
da Universidade Estadual de Minas Gerais e construção
do Centro Administrativo do Estado. A previsão é
que até o final do ano haja condições
para iniciar as obras. Segundo a Secretaria de Planejamento
do Estado, algumas reuniões já foram feitas
e revelaram amplo interesse da iniciativa privada.
No
Congresso - Já o programa de PPP federal, de acordo
com o ministro da Coordenação Política,
Aldo Rebelo, deverá ter sua votação concluída
no Senado e sancionada pelo presidente da República
ainda nesse primeiro semestre do ano. 'O projeto que cria
as PPPs é considerado uma das cinco prioridades do
governo no Senado', disse ele, após encontro na Associação
Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base
(Abdib).
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