O Sinduscon-SP (sindicato das construtoras),
que questiona a "pressa" do governo em aprovar até
o dia 13, na Câmara, a legislação relativa
às PPPs (Parcerias Público-Privadas), pode agora
ter um alento. A entrega oficial do relatório do deputado
Paulo Bernardo (PT-PR) à comissão especial que
trata do assunto foi confirmada hoje para terça-feira
(10).
O relatório já deveria ter sido
entregue ontem à comissão.
Segundo a diretoria do sindicato, o assunto
deveria ser discutido com maior profundidade. Em linhas gerais,
os construtores querem evitar a possibilidade de se praticarem
atos ilícitos e atentatórios às Leis
de Responsabilidade Fiscal e de licitações baseadas
na futura lei.
Para o presidente do Sinduscon-SP, Artur Quaresma
Filho, esse cuidado deveria ser tomado, em vez de o governo
criar mais uma lei com pontos juridicamente questionáveis
que gerem insegurança nos investidores.
Segundo Quaresma Filho, é preciso reescrever
alguns pontos como, por exemplo, o item do projeto que permite
às atuais administrações públicas
comprometer o Orçamento de suas sucessoras. "Nesse
caso, limitar a adoção das PPPs aos entes da
federação que tenham Planos Plurianuais de Investimentos,
embora já seja uma melhoria, ainda é insuficiente",
diz.
Semana que vem
Segundo a assessoria do relator do projeto,
ele deve encaminhar ainda hoje uma nova versão do parecer
para os demais deputados da comissão especial analisarem.
Na segunda-feira (9), será feita uma
nova rodada de negociações. A idéia do
deputado é evitar pedidos de vistas sobre o parecer
e garantir a votação ainda na terça-feira
para levar o projeto no dia seguinte ao plenário.
Pelo texto original do governo, as parcerias
deverão ser feitas mediante licitação.
Os contratos firmados por meio das concorrências deverão
apresentar cláusulas que discorram sobre o prazo de
vigência das concessões de no máximo 30
anos, período em deve ser feita a amortização
dos investimentos.
Os documentos também devem apresentar
as penalidades para eventuais descumprimento de contratos
bem como devem deixar clara a possibilidade de extinção
antes do fim do prazo contratual e ainda apresentar critérios
para cálculos de indenizações e a repartição
dos ganhos econômicos com a obra executada.
A segurança dos investidores estrangeiros
será garantida pela figura do Fundo Fiduciário,
incluído na regulamentação a pedido do
próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse fundo funcionará como um seguro anticalote para
os investidores estrangeiros. Os recursos virão do
Orçamento da União, além de transferências
de ações de estatais e de bens móveis
e imóveis.