O deputado
federal Patrus Ananias afirmou que o governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva está "abrindo os caminhos"
para um melhor aproveitamento da Parceria Público-Privada.
Para ele, o primeiro trimestre de 2004 será o período
em que os primeiros projetos da PPP devem ser aprovados. "Para
construirmos um Brasil desenvolvido, justo e que possibilite
ao seu povo condições humanas e dignas de vida,
nós precisamos somar esforços. Criar sinergias
entre o setor público e o setor privado é fundamental",
disse.
O deputado
mineiro garantiu que o Congresso deve aprovar, antes do início
do recesso dos parlamentares, marcado para 20 de dezembro, os
estatutos da parceria. "Após a aprovação
do projeto, será formada uma ação integrada
de cooperação entre o setor público e o
setor privado, pois é de interesse dos dois lados",
afirmou.
Ananias,
que poderá ser indicado relator do projeto, disse ainda
que o primeiro lote de obras a serem executadas pelo sistema
de Parceria Público-Privada inclui 23 projetos, que exigem
um total de R$ 13,68 bilhões em investimentos, que serão
utilizados na construção e melhoria de rodovias,
ferrovias, portos e canais de irrigação. "Os
projetos foram apresentados na segunda-feira pelo ministro do
Planejamento, Guido Mantega", disse o deputado, ex-prefeito
de Belo Horizonte.
Empreendimentos
à espera
Entre os
empreendimentos incluídos na lista do PPP estão
a construção da rodovia BR-163, que facilitará
o intercâmbio de mercadorias entre as regiões Centro-Oeste
e Norte, a duplicação de trechos da rodovia BR-101,
na Região Nordeste, que também deve estimular
o turismo na região, além de trechos do Rodoanel
e do Ferroanel de São Paulo e de obras que facilitarão
o acesso aos portos de Santos, em São Paulo, e de Sepetiba,
no Rio de Janeiro.
O ministério
do Planejamento estima que os projetos da Região Sudeste
são os que mais demandam recursos - um volume na ordem
de R$ 7,34 bilhões. Patrus Ananias disse que serão
necessários ainda outros R$ 4,75 bilhões para
o Nordeste, R$ 623 milhões para o Norte, R$ 600 milhões
para o Centro-Oeste e R$ 370 milhões para o Sul. "Com
um orçamento curto o dinheiro que vai faltar para estas
obras virá da iniciativa privada. Somente desta forma
é que poderemos fazer o País crescer", afirmou.
Representantes
do setor privado, presentes no Fórum de Líderes
da Gazeta Mercantil, aproveitaram o discurso do deputado mineiro
e cobraram do Governo Federal menos palavras, mais ação
e garantias para colocar em prática os projetos de infra-estrutura
que farão parte da PPP. De acordo com Romeu Chap Chap,
presidente do Secovi (Sindicato das Empresas de Compra, Venda,
Locação e Administração de Imóveis
Comerciais e Residenciais de São Paulo), este é
o momento de o governo Lula agir. "Já que há
sinais positivos no plano econômico, está mais
do que na hora de o governo parar de falar e agir com força.
Precisamos de regras claras para que esta parceria saia do papel.
Não digo apenas para o setor da construção,
mas para todos."
Problemas
de implementação
Para o presidente
da Confederação Nacional dos Jovens Empresários,
Marcos Abdo Hadade, "o modelo apresentado pelo governo
é interessante, mas há alguns problemas de implementação".
O empresário afirmou que grandes projetos de infra-estrutura
do setor privado se encontram parados por causa da interferência
de alguns órgãos do governo. Ele negou, no entanto,
a possibilidade de o governo dar um calote na iniciativa privada.
"Não há porque pensar que o governo dará
calote, mas é preciso que eles (o governo) sejam claros",
disse Hadade. Ele ressaltou, por outro lado, que os empresários
estão unidos e que não estão criando "feudos"
de interesses pessoais. "Tenho certeza que muitos empresários
estão unidos. Bem diferente do que está acontecendo
no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. O Conselho
está se esvaziando porque grupos brigam para preservar
seus direitos e não apresentam propostas".
Já
o presidente do Sindicato da Indústria da Construção
Civil no Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Artur Quaresma
Filho, se disse cético em referência ao sistema
de Parceria Público-Privada e aproveitou para contestar
o discurso do deputado Patrus Ananias. "Se estão
dando condições para que haja um crescimento econômico,
porque então estão aumentando a Contribuição
para o Financiamento a Seguridade Social (Cofins)?". Quaresma
acha que o aumento da alíquota do tributo é mais
um obstáculo ao desenvolvimento do País.