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Publicação do Valor Econômico
de 3 de janeiro de 2007
Serra quer baixar valor de contratos
Caio Junqueira e Cristiane Agostine
No dia seguinte à assinatura dos
decretos que determinam a reavaliação e renegociação
dos contratos e licitações em andamento no
Estado de São Paulo, o governador José Serra
(PSDB), evitou comentar eventuais suspeitas de irregularidades
e disse que as medidas foram feitas com o objetivo de economizar
recursos, uma vez que "não está sobrando
dinheiro".
"Não é uma suspeita específica,
mas é importante assumirmos o governo com austeridade,
procurando economizar recursos. Vamos procurar renegociar
a maioria dos contratos com vistas à redução
dos preços. Onde os preços já estão
baixos, não vai ser possível abaixar",
disse, em entrevista ao telejornal SPTV, da Rede Globo.
Serra afirmou que o foco dessas reavaliações
serão os contratos de maior valor e garantiu que
não serão suspensos pagamentos que estão
em andamento. "Não vamos suspender pagamentos
que estão em andamento. Mas os contratos vão
merecer esta renegociação, a maioria deles,
especialmente aqueles de maior vulto. Para economizar e
poder gastar melhor o dinheiro da administração
estadual, porque não está sobrando dinheiro,
e as necessidades são muitas."
Se não colocou sob suspeita os contratos, o tucano
pôs em dúvida a folha de pagamento do governo
paulista. Questionado sobre outra medida anunciada ontem
- o recadastramento dos funcionários públicos
ativos, inativos e pensionistas, Serra disse haver suspeitas
de que existam funcionários fantasmas e pagamentos
indevidos. "Desconfia-se que haja pagamentos indevidos,
gratificações indevidas, ou mesmo funcionários
que não existam. Nós não temos idéia
de qual é o volume disso. Isso só pode ser
feito com um recadastramento geral, e aí nós
vamos ter uma avaliação. Mas a experiência
quando se faz isso é de que muitas vezes se descobre
que há pagamentos que não deveriam estar sendo
feitos e que vem de muitos anos, isso é uma coisa
tradicional da administração."
O recadastramento dos 709.349 funcionários da ativa
ficará a cargo do secretário de Administração
e Gestão, Sidney Beraldo. Ele procurou minimizar
o impacto dos decretos e disse ser um procedimento natural
das novas administrações. "Se Geraldo
Alckmin (ex-governador do Estado, do PSDB) fosse eleito
novamente, ele poderia fazer o mesmo", afirmou. "Nosso
objetivo é o de melhorar a gestão e ter um
controle maior sobre todos os funcionários",
apontou.
Em São Paulo, os gastos com a folha de pagamentos
estão dentro do limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade
Fiscal (LRF). Entretanto, a relação gastos
com pessoal/receita corrente líquida, prevista em
43,55% para dezembro, está muito próxima do
limite considerado como prudencial para o Estado, de 46,55%.
Um dos oito decretos que deverão ser publicados hoje
no Diário Oficial prevê o contingenciamento
dos cargos em comissão, que no Estado chegam a 20.849.
"Só serão ocupados se houver uma necessidade
real", adiantou Beraldo.
As primeiras medidas de Serra no governo, descritas em decretos
publicados, demonstram a preocupação do novo
governo com as finanças do Estado. Apesar de o ex-governador
Cláudio Lembo (PFL) ter dito que entregou o Estado
em boas condições, com folga em caixa e superávit
orçamentário, Serra sabia, desde outubro,
que a situação financeira do Estado era pouco
confortável. No ano passado, a arrecadação
com o ICMS foi aquém do era previsto. No balanço
divulgado pelo governo paulista, a relação
dívida/receita corrente líquida foi a menor
registrada desde que a LRF passou a vigorar, mas o governo
foi beneficiado pelo indexador da dívida, o IGP-DI,
refletiu a desvalorização do dólar.
Empresários e fornecedores do governo estadual também
tinham uma perspectiva nebulosa, já em outubro, e
solicitaram formalmente uma audiência com Cláudio
Lembo. As entidades que reúnem as empreiteiras -
os sindicatos da Indústria da Construção
Civil (Sinduscon), da Construção Pesada de
São Paulo (Sinicesp) e a Associação
Paulista de Empresários de Obras Públicas
(Apeop) queriam renegociar contratos ainda na gestão
do pefelista, com o então secretário de Fazenda
Fernando Braga. Os empreiteiros queriam evitar a renegociação
com Mauro Ricardo Costa, secretário da Fazenda empossado,
por já terem uma experiência negativa na Prefeitura
de São Paulo.
Além das medidas de ajuste administrativo e fiscal,
previstas nos decretos, existe a possibilidade de o Orçamento
ser alterado. A peça orçamentária ainda
não foi aprovada na Assembléia Legislativa
e até fevereiro, quando os deputados deverão
levar o projeto à votação em plenário,
Serra poderá fazer os últimos ajustes e rever
investimentos e arrecadações.
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