Alterações
não impedem críticas a projeto de PPPs
Leone
Farias
Do Diário do Grande ABC
O
projeto de lei das PPPs (Parcerias Público-Privadas),
que tramita no Congresso, deverá passar por alterações,
na Comissão de Infra-estrutura do Senado, e ganhar
um teto mínimo de R$ 10 milhões para que o poder
público possa realizar uma obra por meio desse mecanismo.
Além disso, deverá prever prazo mínimo
de vigência de cinco anos para o contrato de parceria,
deixará de ter sucessivas rodadas de apresentação
de proposta na licitação e continuará
sem a precedência de pagamento sobre outras obrigações
da administração pública (que foi retirada
do projeto quando este passou pela Câmara Federal).
As PPPs são consideradas uma forma importante de estimular
o desenvolvimento do país. “A necessidade de
obras e serviços em infra-estrutura é muito
grande e o Estado não tem capacidade para fazer os
investimentos necessários”, disse o vice-presidente
executivo da Abdib (Associação Brasileira de
Infra-Estrutura e Indústrias de Base), Ralph Lima Terra.
O
governo já identificou uma série de projetos
de infra-estrutura, orçados em R$ 13 bilhões,
que poderão ser realizados por meio de PPPs, entre
os quais o trecho Sul do Rodoanel, que passará pelo
Grande ABC. A intenção do governo é participar
com 20% a 30% do dinheiro necessário à realização
desses projetos.
Pelas
PPPs, investidores privados entram com os recursos e, por
exemplo, quando uma rodovia fica pronta, o setor público
paga para o investidor o retorno (definido previamente) desse
capital durante a vigência do contrato (até 35
anos). Após esse prazo, a obra volta à administração
pública. O pagamento do retorno do capital pode ocorrer
por meio da complementação de tarifa do serviço
público ou pela integralização (pagamento
total). E o governo oferece entre outras garantias dotações
do orçamento, transferência de bens e fundos
fiduciários.
Críticas
– As mudanças propostas deverão passar
por outras duas comissões do Senado antes de ir a plenário.
No entanto, não devem ser suficientes para conter críticas
ao projeto de lei por parte de entidades empresariais e especialistas.
A
Abdib critica a retirada da precedência de pagamento.
“É uma questão de garantia para que o
investidor venha”, afirmou Terra. A precedência
gerou polêmica. “Querer dar garantia deixando
de honrar compromissos é uma aberração”,
afirmou o vice-presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria
da Construção Civil), Claudio Robusti.
Mesmo
sem esse item, Robusti avalia que ainda há problemas.
“Para não fugir do controle orçamentário,
(a contratação de obras) deveria se restringir
à União e a Estados e municípios”,
disse.
O
economista do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas
Aplicadas) Carlos Campos Neto concorda. “Dessa forma,
haverá milhares de projetos de investimentos e para
sua análise, além de exigir corpo técnico
muito grande, será difícil calcular o comprometimento
dos orçamentos futuros”, afirmou. O dirigente
do SindusCon quer ainda outros ajustes. “Queremos que
se explicite o que pode e o que não pode (tipo de obra
ou serviço) ser PPP”, disse.
O
presidente do Sinicesp (Sindicato da Indústria da Construção
Pesada do Estado de São Paulo), Aluízio Cupertino,
considera ainda que o projeto deveria ser mais objetivo em
relação à licitação e questiona
o critério de desempate utilizado: a combinação
técnica-preço.
Em
relação à rentabilidade que deverá
constar nos contratos, Campos Neto afirma que nenhum investidor
entrará se houver retorno inferior ao de um título
público, em que há a remuneração
da Selic (16% ao ano) e acrescenta que há um espaço
limitado para a utilização do mecanismo pela
própria escassez de recursos públicos para pagar
o retorno dos investimentos no futuro. “Para um número
limitado (de projetos) pode dar certo mas, se a demanda for
grande, pode comprometer o orçamento.”
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