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Publicação do Saneamento Básico de 31 de dezembro 2004

Parcerias Público-Privada reforçarão investimento em infra-estrutura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a lei da Parceria Público-Privada (PPP), que institui normas gerais para licitação, contratação e execução de obras públicas pelo setor privado. A nova lei permite um amplo leque de atividades que incluem principalmente projetos de infra-estrutura. Por isso, é considerada pelo governo federal um instrumento fundamental para garantir os investimentos em portos, rodovias, ferrovias, necessários para impulsionar e garantir o crescimento da economia brasileira.

A PPP permitirá que as empresas se responsabilizem pelo financiamento total dos empreendimentos. Para isso, a lei prevê dois tipos de parceria. Na concessão patrocinada, a iniciativa privada será ressarcida em parcelas ao longo do contrato, as chamadas `contraprestações`. Nesse caso, os investidores privados poderão auferir a receita da tarifa a ser cobrada dos usuários dos serviços. Um exemplo dessa parceria são as obras em estradas federais, nas quais o pedágio pago pelos usuários serve para cobrir parte do investimento.
A segunda modalidade de parceria é a concessão administrativa. Os investidores privados executarão obras ou prestarão serviços à administração pública, sendo remunerados pelo Poder Público. A construção e a administração de presídios é um exemplo de como essa parceria poderá ser aplicada.

Poderão ser exploradas, sob regime de PPP, obras com valor superior a R$ 20 milhões, por período que varia de cinco a 35 anos.

O governo espera executar de 23 a 25 projetos em três anos, com investimentos de R$ 13 bilhões. Entre as prioridades, estão a construção do trecho ferroviário ligando Alto Taquari (MT) a Rondonópolis, a recuperação e ampliação do Porto de Itaqui (MA) e a duplicação de trechos da BR-101, no Nordeste e no Sul do País.

A lei das PPP's também protege os investidores e a própria União, estados e municípios. No caso dos investidores, haverá um fundo constituído por recursos e bens públicos. Já os governos poderão reduzir o pagamento das contraprestações quando as metas previstas nos contratos - tais como desempenho do investidor e qualidade das obras e serviços - não estejam sendo cumpridas pela empresa privada.

A lei também define a participação financeira dos setores público e privado. Os parceiros privados terão de entrar com até 30% de recursos próprios e os entes federados não poderão gastar mais do que 1% da sua Receita Corrente Líquida com contratos de PPP.

Em seu discurso, o presidente ressaltou que a nova lei é fruto de um amplo debate com a sociedade brasileira, que discutiu e aperfeiçoou o projeto do Executivo num prazo de 13 meses. O projeto passou por consulta pública e recebeu contribuições de entidades da sociedade civil, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e de organizações não-governamentais, como a Transparência Brasil.

De acordo com o ministro do CDES, Jacques Wagner, as PPPs vão permitir a conjugação legítima da poupança pública com a poupança privada na realização de investimentos essenciais para o País.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, e também conselheiro do CDES, Paulo Safady Simão, se mostra otimista com as PPP's. `Muitas empresas estavam esperando a aprovação deste projeto para poderem finalizar suas propostas. O projeto aprovado ficou muito bom e espero que isto desencadeie propostas semelhantes nos diversos estados e municípios brasileiros`, afirmou.

Segundo o presidente do BNDES, Guido Mantega, dentre os 23 projetos priorizados pelo governo, para a região Norte está prevista a execução de uma rodovia, na divisa entre Mato Grosso e Pará, no valor de R$ 623 milhões. A extensão desta obra é de 1.174 km.

Para a região Nordeste o valor total das obras é de R$ 4,730 bilhões, sendo R$ 1,972 bilhão para obras em rodovias, R$ 1,230 bilhão em ferrovias, R$ 160 milhões em portos e R$ 1,368 bilhão em irrigação.

A região com o maior valor de obras orçadas é a Sudeste. Ao todo poderão ser contratados R$ 6,744 bilhões, divididos em R$ 4,620 bilhões em obras na malha rodoviária; R$ 200 milhões na malha ferroviária; R$ 600 milhões em portos e R$ 1,324 bilhão em irrigação.

Na região Sul, a carteira total é de R$ 370 milhões a serem investidos exclusivamente em ferrovias. Na região Centro-Oeste, foram somente duas as obras disponibilizadas e também se referem à malha ferroviária, no valor total de R$ 600 milhões para toda a região. (Editado pela Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República.
Nº 269 - Brasília, 30 de dezembro de 2004.)

Fonte: Em Questão

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