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Publicação do Diário do Grande ABC de 31 de dezembro 2004

Lula prevê Rodoanel via PPPs: vai demorar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a lei que regulamenta a PPP (Parceria Público-Privada), sancionada por ele nesta sexta-feira, não vai solucionar todas as carências de investimento público no país. Tampouco lhe permitirá passar o último ano de seu mandato inaugurando grandes obras, pois o processo é demorado.

"Possivelmente não conseguiremos fazer grandes acordos (em PPP) até 2006", admitiu. Lula disse que leva em consideração o que é importante para o país em um horizonte de 20 ou 30 anos. Por isso, trabalhou para aprovar as PPPs, que serão um instrumento importante no longo prazo, "independente de quem seja o governo." Dentre as obras a serem contempladas pelas parcerias estão o trecho sul do Rodoanel e o tramo Norte do Ferroanel – prioritárias para o Grande ABC, mas que ainda não receberam investimento do governo federal.

As PPPs permitem que o setor privado seja sócio do governo em projetos de infra-estrutura, como rodovias e ferrovias, que nem um, nem outro, poderiam fazer sozinhos. O Estado, porque não teria recursos. O setor privado, porque não teria uma taxa de retorno adequada. A idéia, então, é que o setor privado faça a obra e cobre as tarifas. Como elas serão insuficientes, o governo vai completar a rentabilidade do investidor.

Em 2005, o governo federal poderá gastar até R$ 3 bilhões em PPPs, segundo informou o ministro interino do Planejamento, Nelson Machado. Desde o ano passado, há uma lista de 23 projetos (veja quadro ao lado) a serem financiados por PPPs que já foi apresentada por Lula a um grupo de investidores estrangeiros nos Estados Unidos. Dessa lista, cinco ou seis projetos serão selecionados para começar no ano que vem. Entre as mais cotadas, estão a ferrovia Norte-Sul e a duplicação de trechos da BR-101.

Há um longo caminho até que a primeira PPP saia do papel, explicou Machado. Primeiro, é preciso que a lei das PPPs seja completada por um decreto, em elaboração no Ministério da Fazenda, que tem prazo até 30 de janeiro. Esse documento esclarecerá, por exemplo, quando uma PPP deve ser considerada dívida e quando ela deve ser considerada despesa corrente. Também criará um Órgão Gestor, formado por representantes dos ministérios do Planejamento, da Fazenda e da Casa Civil. Esse órgão selecionará os projetos prioritários daquela lista de 23.

Antes de chegar aos contratos, porém, são necessários estudos econômicos sobre cada projeto e definir a forma como ele será financiado. Com base nisso, será elaborado um edital que irá a consulta pública e só então o primeiro contrato será assinado. "É um trabalho árduo", disse o ministro.

Os gastos do governo com PPPs ficaram limitados em 1% da receita corrente líquida (cerca de R$ 3 bilhões em 2005). Cada PPP será administrada por uma sociedade de propósito específico criada especialmente para esse fim. Assim, a contabilidade da PPP não vai ser misturada nem com a do governo, nem com a do parceiro privado. O governo não poderá ter mais do que 50% do capital de cada uma dessas sociedades, ou seja, não poderá ser sócio majoritário. Para garantir que o sócio privado receba os pagamentos que o Estado se comprometeu a fazer, foi criado um Fundo Garantidor, no valor de R$ 6 bilhões, dinheiro livre de cortes.

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