O
governo do Estado realizou, nesta quinta-feira (30), na Assembléia
Legislativa de Minas Gerais, a primeira audiência pública
para discutir o programa de Parceria Público-Privada
(PPP), que definirá os marcos reguladores para as futuras
parcerias com a iniciativa privada para a execução
de obras de infra-estrutura. Minas Gerais é o primeiro
estado do País a definir as regras do seu PPP.
Participaram da audiência os secretários de Estado
do Planejamento e Gestão, Antonio Augusto Anastasia,
e do Desenvolvimento Econômico, Wilson Brumer, além
de Fernando Haddad, assessor especial do Ministério do
Planejamento e responsável pelo PPP do governo federal,
e o presidente da Federação das Indústrias
de Minas Gerais (Fiemg), Róbson Andrade.
"Há um entendimento nacional de que esse é
um instrumento importante, que deve ser bem avaliado para ser
implementado com segurança para ambas as partes, tanto
para o setor privado quanto para o setor público. Há
um entendimento que ele viabilizará investimentos em
infra-estrutura. Vejo (essa audiência) como uma troca
de experiências muito positiva. Podemos aperfeiçoar
o nosso projeto (o federal) ou dar subsídios para o aperfeiçoamento
do projeto daqui (Minas Gerais)", disse Haddad.
Funcionamento
O PPP é uma forma de contrato entre o poder público
e a iniciativa privada para a construção de obras
de infra-estrutura. Tanto na proposta de legislação
da União quanto do Estado são definidos segmentos
específicos para a aplicação do PPP, sendo
que, escolhida a obra, é aberta licitação.
"O PPP pode ser implantado em vários segmentos.
Em Minas Gerais, vamos concentrar o programa principalmente
na parte de rodovias e saneamento público. O PPP não
é alternativa única para todas as demandas do
Estado, mas, a partir da legislação aprovada e
da constituição de um fundo para garantir o cumprimento
dessas obrigações, certamente, teremos no PPP
mais uma alternativa para o alcance dos objetivos do Estado",
explicou Brumer.
Recursos
Os recursos para a execução vêm da iniciativa
privada, que só receberá pelo serviço prestado
após a conclusão da obra. Para o secretário,
o PPP é um grande instrumento para garantir que as obras
serão finalizadas
"Nesse novo conceito (o PPP), como os recursos para a execução
vêm da iniciativa privada, ela sabe que, quanto mais rápido
concluir a obra, mais rápido receberá. Cada projeto
terá uma engenharia financeira. O conceito é o
mesmo: o prestador de serviço vai receber pelo serviço
prestado, ou seja, por exemplo, no caso de rodovias, pelo fluxo
de veículos que passa na estrada, pela a trafegabilidade
da estrada; e, na parte de saneamento público, ao alcançar
os indicadores de desenvolvimento humano previamente acordados
e discutidos entre as partes", citou Brumer.
Pagamento
De acordo com o secretário, no caso do PPP, o pagamento
não é feito pela obra realizada, mas pelos benefícios
que ela irá proporcionar. Esses recursos viriam de um
fundo ou de recursos orçamentários, segundo ele,
critérios a serem definidos por cada estado da União.
"No caso de Minas Gerais, estamos criando o marco legal
- esperamos que a Assembléia o aprove - e também
um fundo que vai garantir essas parcerias. Temos de dar garantia
àquele que vai prestar a parceria de que receberá
pelo serviço prestado. Em Minas Gerais, o fundo será
administrado pelo BDMG. Sua constituição poderia
ser feita com recursos obtidos internacionalmente, que seriam
direcionados para esse fundo", explicou o secretário.
Garantias
Segundo Fernando Haddad, tanto no projeto de PPP da União
quanto do Estado de Minas Gerais, houve a preocupação
de se criar garantias para a iniciativa privada, de que ela
receberá pelo serviço prestado, assim como garantias
de que o valor pago não onere ainda mais os cofres públicos.
"Essa legislação (PPP) aprimora a legislação
internacional porque, já ciente dos possíveis
problemas, estamos adequando as regras internacionais à
nossa realidade para que os projetos de parceria sejam os mais
transparentes e corretos. No caso do projeto federal, garantimos
que os contratos de PPP tenham prioridade de pagamento sobre
os demais contratos, a liquidação do empenho a
favor dos financiadores, além do fundo a ser constituído",
explicou o assessor especial do Ministério do Planejamento.
Gestão
Segundo ele, também será constituído um
órgão gestor para analisar as propostas de parcerias,
assim como fiscalizar as suas execuções.
"Há, da parte dos estados e da União, a compreensão
de que se deve prosperar os debates em torno da questão,
mas, pelo retorno que nós da União recebemos,
quero crer que as parcerias vieram para ficar. A nossa idéia
no governo é fazer isso de forma cautelosa, prudente.
Sabemos que é uma modelagem nova, que começa no
Brasil e vamos caminhar de forma cautelosa e evitando cometer
imprudências", afirmou Haddad.
O
PPP já existe em países como a Inglaterra, Irlanda,
Itália, Espanha, Portugal e África do Sul. A expectativa
do governo do Estado é de que o projeto estadual seja
aprovado até o final do mês de novembro. Já
a expectativa da União é de que o seu projeto
seja transformado em lei até o final do ano.