BNDES quer acelerar PPP com mudança de Lei de Concessões
O
presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), Guido Mantega, cobrou ontem a alteração
da Lei de Concessões de modo que seja permitido aos
credores tomarem as próprias concessões como
garantia dos financiamentos. Essa alteração,
que já foi sugerida ao ministério do Planejamento,
poderá facilitar a liberação de créditos
do BNDES para projetos envolvendo parcerias público-privadas
(PPPs). O BNDES já enviou proposta de alteração
da Lei de Concessões para o Ministério do Planejamento.
Hoje,
para um concessionário conseguir financiamento do BNDES
ele não pode apresentar a concessão como garantia.
Precisa conseguir outras, fora daquela atividade - se for
uma estrada, são recebíveis daquele pedágio,
por exemplo. " O que está sendo proposto pelo
Executivo é que a concessão se torne um valor
em si que possa ser transferido para outro, tornando-se uma
garantia. A concessão é uma garantia real, porque
é um direito de recebimento de um serviço que
vai ser feito ao longo dos próximos anos, tendo um
valor intrínseco " , disse Mantega. " Essa
modificação será importante porque poderá
dar um impulso grande a novas concessões. "
Em
seminário sobre o desafio das parcerias público-privadas
ontem no Rio, houve consenso entre governo e potenciais investidores
sobre o déficit de obras de infra-estrutura no país
nas últimas duas décadas, sobretudo na área
de transportes. Esse déficit foi agravado pelo aprofundamento
do aperto fiscal e ficou exposto pelo crescimento das exportações,
expondo os gargalos.
Entre
as pré-condições para o sucesso das PPPs
o diretor-financeiro e de relações com investidores
da Vale do Rio Doce, Fábio Barbosa, ressaltou a importância
das agências reguladores como " elemento catalisador
de investimentos " . Também existe um consenso,
inclusive no governo, sobre a necessidade de regras claras
e estáveis, considerando o prazo das concessões,
de até 25 anos.
Mantega
explicou que será necessário criar uma nova
cultura de contabilidade no BNDES, de modo a migrar do atual
estágio de análise de crédito (hoje são
pedidas garantias adicionais) para o que ele chamou de "
nova concepção de avaliação do
risco econômico e financeiro " das empresas, de
modo a acelerar os financiamentos.
O
ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, lembrou que 23 projetos
de PPPs já foram selecionados. Cinco deles da área
de infra-estrutura foram considerados prioritários:
um trecho da ferrovia Norte Sul (entre Estreito e Gurupi);
dois trechos da BR 116 (na divisa entre Minas e Bahia e depois
até o porto de Aratuba); um trecho do arco rodoviário
do Rio de Janeiro, um trecho do ferroanel de São Paulo
e um trecho da ferrovia do Paraná, entre Garapuava
e Ipiranga.
Paulo
Bernardo também admitiu a possibilidade de as PPPs
não saírem todas neste mandato, mas se mostrou
otimista ao prever que pelo menos os primeiros contratos têm
" 99% de chance " de sair ainda neste governo. "
O governo Lula tem noção de que nem todos os
problemas vão ser resolvidos com as PPPs, que talvez
nem deslanchem este ano. Mas se esses cinco projetos forem
adiante, já é um bom começo " ,
disse. Segundo ele, depois de definidos os últimos
detalhes sobre a regulamentação das concessões
e o Fundo Garantidor, o desafio será preparar os aspectos
financeiros e econômicos dos editais de licitação.
(Cláudia
Schüffner)