PPP terá investimentos iniciais de R$ 5,3 bilhões
Projeto
que construirá trecho rodoviário entre MG e
Bahia tem o custo mais alto. Os projetos escolhidos pelo governo
que vão estrear as Parcerias Público-Privadas
(PPPs) foram estimados em R$ 5,3 bilhões pelo Ministério
do Planejamento. O valor consta do Plano Plurianual (PPA),
sem considerar, portanto, correções monetárias
que elevam o custo das obras. Segundo uma fonte, o governo
chegou a revisar os números, mas prefere não
torná-los públicos para evitar "inflacionar
a licitação".
Entre
os projetos, o de custo mais alto trata da construção
de um trecho rodoviário na divisa entre Minas Gerais
e Bahia, em Feira de Santana, que desemboca no Porto de Aratú,
litoral baiano. O investimento, da ordem de R$ 3,2 bilhões,
completará os caminhos da BR-116 e BR-324. Inicialmente
os investidores precisarão de R$ 1 bilhão para
as obras, mas a conta do governo inclui a necessidade de uma
futura duplicação da estrada, com mais R$ 2,2
bilhões, que incluem ainda custos de manutenção.
A
ferrovia Norte-Sul, alvo de interesse da Vale do Rio Doce,
demandará cerca de R$ 1,4 bilhão. O projeto
é apontado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) como um possível concorrente da Transnordestina,
outra ferrovia que ainda está no papel.
Outro
trecho ferroviário, de Guarapuava a Ipiranga, no estado
do Paraná, deverá demandar R$ 220 milhões.
Já o Arco Ferroviário no Rio de Janeiro e o
Ferroanel de São Paulo terão respectivamente,
R$ 250 milhões e R$ 200 milhões.
As
regras do fundo garantidor das parcerias, em fase de criação,
sairão até o fim de junho, de acordo com o ministro
do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo.
Segundo ele, o processo já está adiantado e
poderia ser concluído até mesmo na semana que
vem, não fosse a intenção do governo
de criar uma estrutura bem definida, sem brechas para transtornos
futuros.
"Digamos
que as PPPs têm 99% de chance de sair no governo Lula",
afirmou o ministro, quando indagado sobre a probabilidade
das parcerias serem iniciadas ainda no mandato petista. O
1% de chance de não sair antes de 2007 esbarra em possíveis
atrasos com o edital, previsto para o fim deste ano.
Na
mesma linha, o BNDES planeja retomar empréstimos do
tipo "project finance". Trata-se de uma modalidade
de financiamento na qual o projeto é a própria
garantia. No caso das PPPs, esse tipo de empréstimo
facilitará a liberação de recursos pelo
banco.
O
BNDES defende ainda mudanças na Lei de Concessões
para facilitar a liberação de recursos da instituição
para os projetos de PPPs. O governo federal já encaminhou
ao Legislativo a proposta com mudanças que permitam
ao financiador tomar os direitos de concessão em caso
de inadimplência.
(Gazeta
Mercantil/Caderno A - Pág. 5)(Sabrina Lorenzi)