R$ 2,7 bilhões do FGTS estão disponíveis para saneamento
O
governo ainda não conseguiu gastar nem um centavo do
orçamento de R$ 2,7 bilhões do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS) para a área de saneamento
este ano. O motivo, segundo o representante da CUT no Conselho
Curador do FGTS, André Luiz de Souza, é a resistência
da Caixa Econômica Federal e do Ministério das
Cidades em permitir que os recursos sejam utilizados em Parcerias
Público-Privadas (PPPs).
O
maior empecilho, porém, são os limites para
endividamento do setor público impostos pelo Conselho
Monetário Nacional (CMN). Os recursos do FGTS destinam-se
a operações de financiamento. As prefeituras
e governos estaduais, porém, esbarram nos limites de
endividamento impostos pelo CMN. Uma alternativa seria mexer
nesses limites. Outra, viabilizar as PPPs, de forma que a
dívida não entraria na conta do setor público,
mas sim na do parceiro privado.
"Precisamos
iniciar rapidamente os investimentos em saneamento",
diz Souza. Como representante da CUT no grupo de trabalho
técnico que discutiu o problema, André Souza
disse que vai cobrar do Conselho um posicionamento sobre a
questão. O conselho Curador do FGTS deve encaminhar
solicitação formal ao Ministério da Fazenda,
pedindo a abertura de margem para que as pequenas e médias
companhias estaduais de saneamento possam pegar o crédito.
O
representante da CUT defende, como saída para as contratações
que envolvem um volume mais expressivo de recursos, as PPPs.
Mas, segundo ele, é preciso enfrentar resistências
dentro do próprio Conselho. "A Caixa prefere fazer
o empréstimo direto. O setor público e o Ministério
das Cidades também resistem porque acham que fazer
esse tipo de parceria é uma espécie de privatização",
diz. Na reunião de hoje do Conselho curador, o grupo
de trabalho vai apresentar seu relatório para os conselheiros.
A decisão sobre o que fazer para viabilizar os investimentos
caberá à maioria.
Em
2003 e 2004, o FGTS conseguiu contratar cerca de R$ 3,3 bilhões.
As companhias grandes burlaram o limite do CMN fazendo licitações
internacionais com cláusula de financiamento e o empréstimo
do FGTS era viabilizado via empresa privada. Também
houve uma excepcionalidade aprovada pelo CMN que permitiu
a alguns Estados e municípios tomar recursos. Neste
ano, porém, nenhuma exceção foi aberta.
Vânia
Cristino