O desafio das PPPs
O
governo federal corre contra o relógio para tirar do
forno as Parcerias Público-Privadas (PPPs), um de seus
principais projetos para enfrentar a crônica falta de
investimentos estatais na área de infra-estrutura.
Aprovadas
no Congresso depois de um amplo debate - que provocou mudanças
no projeto original enviado pelo Poder Executivo com o aval
até da oposição - as PPPs ainda não
saíram do papel. O governo federal admite atrasos no
lançamento dos primeiros editais, que ainda necessitam
de ajustes, mas mantém o otimismo. Na primeira carteira
de projetos elaborada pelo governo havia 23 projetos. Esse
número foi reduzido para cinco obras prioritárias,
principalmente de rodovias, e o ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo, acredita que elas poderão começar
ainda em 2006, antes das eleições presidenciais.
Já
os empresários querem pressa na definição
das regras e dos projetos que poderão ser realizados
e, principalmente, o tão aguardado lançamento
do Fundo Garantidor das PPPs, que deve ter R$ 6 bilhões
e é apontado como fundamental para reduzir os riscos
dos empreendimentos.
Os
"Desafios das Parcerias Público-Privadas"
foram tema de seminário que reuniu especialistas, autoridades
do governo e empresários, ontem, na sede da Federação
das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Realizado
pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em
parceria com o Globo Online, O GLOBO, o BNDES e a Firjan,
o evento discutiu como fazer as PPPs decolarem, já
que o Brasil precisaria de US$ 20 bilhões por ano na
área de infra-estrutura para crescer de forma consistente
sem sofrer um "apagão logístico".
O presidente do BNDES, Guido Mantega - um dos palestrantes
- afirmou que não faltará dinheiro para financiar
projetos.
—
Consideramos que as PPPs são fundamentais para a infra-estrutura
do país. Não vai ser por falta de oferta de
crédito que os projetos não vão sair
do papel - disse.
Mantega
também confirmou que, para alavancar as PPPs, o BNDES
está retomando o mecanismo de "project finance"
- muito usado durante o governo Fernando Henrique - em que
o próprio projeto serve de garantia. Mas resaltou que
o mecanismo é uma nova cultura contábil que
exige discussão, especialmente na esfera jurídica
do governo e no Tribunal de Contas, que, diz, analisarão
a solidez dos investimentos.