BNDES quer alteração de Lei de Concessões para agilizar Parcerias Público-Privadas, diz Mantega
Alana
Gandra - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social já enviou ao Congresso pedido de alteração
na Lei de Concessões. O objetivo é permitir
que a concessão, nos projetos de Parceria Público-Privada
(PPP), seja transferida em caso de situação
negativa, evitando a descontinuidade das obras.
"A
gente toma a concessão e passa para outro. Então,
o trabalho continua e o outro assume também a dívida.
Esta modificação será importante e poderá
dar um impulso grande para novas concessões no país",
afirmou o presidente do BNDES, Guido Mantega, ao participar
de seminário promovido nessa segunda-feira (30) pela
Fundação Getúlio Vargas.
Mantega
revelou que o banco tem bastante dinheiro disponível
para viabilizar as PPPs, ainda que não haja previsão
de quanto poderá ser liberado. Segundo ele, somente
este ano, para a área de infra-estrutura, de onde sairão
os recursos para as PPPs, o orçamento estimado do banco
é de R$ 21 bilhões. Ele acrescentou, contudo,
que neste primeiro ano não deve haver uma demanda expressiva
de recursos para o segmento.
A
proposta da atual administração do BNDES é
de que a instituição passe a financiar projetos
de PPPs na modalidade project finance, em que o próprio
projeto é a garantia do investimento. Mantega destacou
que para isso é preciso primeiro criar consenso, através
do convencimento do Judiciário de que é seguro
fazer um empréstimo nessa modalidade, uma vez que se
trata de um banco público.
"Eu
quero mostrar que é mais seguro você ter uma
empresa que tem um fluxo de caixa positivo, ou seja, um negócio
rentável, sólido, do que uma empresa que me
apresenta um patrimônio ou um conjunto de ações
que naquele momento tem valor, mas, se a empresa for mal,
deixa de ter valor e o banco não consegue receber.
É uma mudança na contabilidade e no conceito
de risco do empreendimento", disse Mantega.