Estado vai investir R$ 17,5 bilhões nos transportes metropolitanos
Metrô
e ferrovias, que servem a Região Metropolitana de São
Paulo, terão aumento de quase 100% no volume de passageiros
transportados nos próximos seis anos, afirma o secretário
dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. O programa
também inclui investimentos no sistema intermunicipal
de transporte das Regiões Metropolitanas de Campinas
e da Baixada Santista.
Nesta
entrevista, ele fala da ampliação do setor com
novas linhas e melhorias que abrangem desde as obras em duas
linhas de metrô (prolongamento da Linha 2 Verde e construção
da Linha 4 Amarela), o Expresso Aeroporto e o trem para Guarulhos
até a implantação das estações
que chegarão à USP-Leste e ao Autódromo
de Interlagos.
Qual
o cenário dos transportes metropolitanos de São
Paulo nos próximos anos?
Para
os próximos seis anos, o setor deverá receber
um volume total de investimentos da ordem de R$ 17,5 bilhões.
O governo do Estado desenvolveu um plano concreto e viável,
com base em estudos de engenharia e de viabilidade financeira,
para a rede metroferroviária e sistema sobre pneus,
abrangendo as três regiões metropolitanas do
Estado - São Paulo, Campinas e Baixada Santista.
Com isso, será possível aumentar em 100% o volume
de passageiros transportados atualmente, passando dos 4,9
milhões para 8,5 milhões de usuários
por dia. No caso da rede metroferroviária, a parcela
do número de pessoas transportadas, com relação
ao transporte coletivo em geral, subirá de 23% para
33%, reduzindo em 30% o tempo médio de viagem dos usuários
de transporte coletivo.
A
expansão do metrô é a prioridade?
É
uma reivindicação unânime. Todos sabem
da importância, da eficiência, da melhoria da
qualidade de vida que o metrô traz para cidades como
São Paulo, com essa intensidade demográfica.
Então, esse é um ponto indiscutível:
expandir linhas do metrô.
O
que estará pronto para ser utilizado pela população
já em 2006?
Já
no próximo ano, a expansão da linha do metrô
da Paulista vai nos levar para mais três novas estações:
Chácara Klabin, Imigrantes e Ipiranga. As obras estão
com 8 frentes de trabalho, e de uma forma bastante acelerada.
Além disso, já há uma solicitação
do governador para uma análise da extensão dessa
linha até o Tamanduateí, fazendo a conexão
com a linha D da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos
- CPTM.
A
médio prazo, quais os novos caminhos do Metrô?
Até
2010, a expansão do Metrô prevê a construção
de 30 quilômetros de linhas e 25 novas estações,
cujos investimentos somam um total de mais de US$ 3 bilhões.
Dos cerca de 30 km previstos, 5 km são referentes ao
prolongamento da Linha 2 Verde, a partir da estação
Ana Rosa até o bairro de Sacomã. Também
estão previstas a Linha 4 Amarela, que terá
12,8 km, ligando Vila Sônia até a estação
da Luz, e a segunda etapa da Linha 5 Lilás, com 11,5
km, ligando o Largo Treze de Maio até a região
da Vila Mariana. Com esses investimentos, em 2010, a rede
de Metrô, que hoje possui 58 km, passará a ter
88 km de extensão.
E
a melhoria e expansão da malha ferroviária?
O
objetivo é promover a modernização de
toda a malha, que tem 270 km e 92 estações.
Desse total, 130 km e 39 estações estão
dentro da Capital. Essa modernização está
estimada em US$ 1,3 bilhão e compreende a aquisição
e recuperação de trens, elevando a frota de
349 trens para 450 trens, além de reforma e construção
de estações, ampliação do sistema
de energia, requalificação dos sistemas de telecomunicação
e sinalização, intervenções em
pátios e oficinas nos trechos principais. A meta do
Governo é implantar essas melhorias até 2010,
proporcionando condições de infra-estrutura
para a operação de trens com intervalos regulares
de até 3 minutos e permitindo aumentar a demanda dos
atuais 1,2 milhão de passageiros/dia para 3 milhões
de passageiros por dia.
O
cronograma das obras está definido?
Vamos
estender a linha C da Marginal Pinheiros, aquela que serve
Osasco-Jurubatuba até Grajaú. São mais
três estações no sentido sul – Autódromo,
Interlagos e depois Grajaú – mais 8 km de linha.
Os primeiros indicativos dão conta de nós entregarmos
essa linha até julho de 2006. O custo deste projeto
está estimado em R$ 243,6 milhões.
Então
já na próxima Fórmula 1 poderemos ter
alguma novidade?
Esse
ano, em setembro, temos vontade de servir a população
de forma simbólica fazendo uma extensão do trem
até lá, chegando ao autódromo. A estação
não estará pronta ainda em 2005, mas vamos tentar
fazer uma estação provisória, uma parada
provisória, com o trem levando a população
até o evento de Fórmula 1 que será em
setembro.
A
linha vai ligar direto da estação ao autódromo?
A
distância entre a estação e o autódromo
é de 800 metros apenas. Muitas vezes os usuários
param seus carros numa distância maior do que isso.
O interessante será que a população,
se quiser, não precisar ir de carro. A pequena distância
poderá ser servido, eventualmente, por sistemas de
vans, microônibus ou algum serviço local.
Outra
obra importante é a ligação expressa
para o aeroporto de Guarulhos. Como está o projeto?
A
questão do Expresso ao aeroporto não está
no escopo do orçamento do Estado diretamente, porque
é uma atividade que iremos contar com a participação
da iniciativa privada.
Seria
viabilizado por uma Parceria Público Privada?
Uma
PPP. É o seguinte: a extensão das linhas as
quais me referi, todas elas, já fazem parte dos recursos
do orçamento, além de recursos que estamos pleiteando
junto ao BNDES e de recursos internacionais como é
o caso da linha 4 que tem investimento do Bird e do Japan
Bank for International Cooperation (JBIC). O expresso Aeroporto
é um “plus”, uma conquista a mais, pela
qual estamos batalhando. E terá uma participação
grande do governo do Estado e da Infraero. Esse expresso prestará
um serviço importantíssimo para toda a região
de Guarulhos, já que na mesma via será implantado
o Trem de Guarulhos, permitindo uma ligação
ferroviária de alta qualidade entre as duas maiores
cidades da Região Metropolitana: São Paulo e
Guarulhos.
Esse
projeto é também uma prioridade do governo Alckmin
na questão dos transportes metropolitanos?
Sem
dúvida. Os expressos aos aeroportos, hoje, são
uma realidade em cerca de 94 aeroportos do mundo. Segundo
a International Air Rail Organization, com sede em Londres,
existem outras 210 ligações em fase de planejamento
ou construção. Olha que números fantásticos!
Não é possível você depender somente
de vias terrestres para um aeroporto da magnitude de Guarulhos.
E sua ampliação, com a construção
da terceira pista e do terminal 3, permitirá um aumento
no movimento de passageiros dos atuais 14 milhões por
ano para cerca de 30 milhões pessoas por ano. Devido
a esse crescimento na quantidade de passageiros, a própria
Infraero já solicitou a implantação de
um transporte de massa para garantir o acesso ao aeroporto,
sem depender apenas de meios rodoviários. Porque você
pode sofrer acidentes, alagamentos, chuvas. Um transporte
de massa para o aeroporto de Guarulhos é imperativo.
Há
previsões de início e entrega da obra?
Não
há como se dar um prazo fechado, porque ele está
ainda na iminência de uma discussão preliminar
da viabilidade econômica junto com a iniciativa privada.
Então a partir de todo esse contexto - de você
definir como a iniciativa privada vai participar e fechar
o chamado plano de negócios. Aí você teria
mais dois anos de obras apenas. Não requereriam tanto
tempo, uma vez que são poucas as desapropriações
que seriam feitas e poucas as obras de área também.
E
esse plano de negócios já está sendo
encaminhado?
Já.
Ele foi estabelecido. Junto com a Infraero fechamos um convênio.
Temos uma verba reservada para isso de R$ 1,2 milhão,
em que 20% dos custos serão bancados pela Infraero
e 80% pelo Estado. O edital de concorrência para contratar
a empresa que vai fazer esse plano de negócio, será
lançado agora nesse primeiro semestre.
Há
interesses concretos da iniciativa privada em participar do
projeto?
Sim.
Esse interesse teve um esfriamento em 2003, mas voltamos a
ser procurados no final do ano passado, e agora neste ano
o interesse aumentou bastante, uma vez que foi definido também
o arcabouço institucional das PPPs com a aprovação
da lei federal. No âmbito do Estado também temos
uma lei aprovada. Temos uma CPP (Companhia Paulista de Parcerias)
já consolidada, inclusive com lastro para garantias.
Então a iniciativa privada se sente, hoje, mais segura
para procurar esse tipo de negócios.
E
São Paulo tem credibilidade para isso...
Muita
credibilidade. Empresas construtoras internacionais, operadoras
internacionais e bancos internacionais estão nos visitando,
querendo saber como estão esses negócios. Aliás,
levamos recentemente um grupo de empresas para uma reunião
com a Infraero, juntamente com o secretário do Planejamento,
Martus Tavares, que fez apresentação dessas
empresas interessadas.
Só
para se ter uma idéia sobre esses US$ 400 ou 500 milhões
previstos para essa linha, qual o investimento na linha 2
do metrô?
A
linha 2 do metrô, com esse incremento que estamos fazendo
até o Ipiranga, fica em R$ 868 milhões, algo
em torno de US$ 300 milhões.
Por
que esse expresso vai sair mais caro que a linha 2 do metrô?
Mais
caro porque estamos falando em cerca de 25 a 30 quilômetros,
se a linha for até a Barra Funda. No caso, você
poderia até inverter e dizer: então está
barato! É porque o metrô que estamos ampliando
da Ana Rosa até o Ipiranga envolvem três estações
subterrâneas e também a compra de mais dois trens.
No caso do expresso Aeroporto, ele será totalmente
em superfície, a partir da estação Júlio
Prestes. E assim o custo cai bastante.
Existe
possibilidade do expresso Aeroporto chegar até a região
da avenida Luis Carlos Berrini, na Zona Sul. É isso?
É
... existe. Empresários que aqui vieram conversar conosco
querem algo mais que o projeto inicial. Eles querem chegar
também à região da Berrini. Se for para
fazer uma concessão, não querem ficar só
na Barra Funda. Mesmo que se construa, no início, a
partir da Barra Funda ou da Júlio Prestes, eles querem
deixar a concessão reservada para ir até a Berrini,
porque ali está toda a região hoteleira de alto
padrão.
E
quanto ao trem de Guarulhos, qual será o percurso?
Vai
ter cerca de 19 km e linha ligará a estação
Brás, na Capital, ao Conjunto Habitacional Zezinho
Magalhães – Parque Cecap, em Guarulhos, integrando
com as outras linhas da CPTM e Metrô. Terá parada
na nova estação USP-Leste, cuja construção
está prevista no projeto de melhorias para a Linha
F.
Essa
estação da USP-Leste será uma referência
muito importante. Qual a previsão para sua entrega
?
A
linha que vai até a USP Leste está nas nossa
prioridades estratégicas.
É muito importante falar desse projeto. A linha F,
que é das que está em piores condições
atualmente, tem um investimento bastante pesado. São
mais de R$ 253,6 milhões do governo do Estado. Vamos
fazer três estações novas, fazer a estação
da USP Leste, e pretendemos inaugurar em abril de 2006. As
duas outras estações são Jardim Helena
e Jardim Romano. O projeto inclui a reconstrução
das estações Itaim Paulista e Ermelino Matarazzo,
modernização das estações de São
Miguel Paulista, Aracaré, Manoel Feio, Calmon Viana
e Itaquaquecetuba, além da construção
da estação Penha.
Haverá
também melhorias na frota?
Está
prevista a incorporação à frota de 10
trens, que passarão por recuperação total.
Além disso, 49 composições, com 119 carros,
atualmente em circulação, aos poucos serão
revitalizados com a troca de piso, novos bancos, portas, pintura
e outros serviços. Outras intervenções
estão programadas, como projetos e reformas em subestações
elétricas, projetos de via permanente, adaptações
para rede aérea, projetos para sinalização
e telecomunicações, projeto e construção
de um pátio em Manoel Feio.
E
o projeto da Integração Centro, como anda?
Esse
é um dos mais importantes investimentos do governo
paulista e que está sendo desenvolvido pela CPTM. Abrange,
num trecho de 7 km, três estações: Brás,
Luz e Barra Funda, com o objetivo de facilitar o acesso da
população ao eixo central da cidade. No final
de novembro do ano passado, o governador Alckmin entregou
mais uma etapa do projeto: os saguões e as passagens
subterrâneas da Estação da Luz, que permitem
a transferência física e gratuita entre os usuários
da CPTM e do Metrô.
Quais
foram os benefícios dessa medida?
A
circulação de passageiros na estação
Luz aumentou mais de 100%, subindo de 80 mil usuários
por dia para 180 mil. A liberação da passagem
subterrânea na Luz, além de facilitar a transferência
entre os dois sistemas, sem custo adicional, permite viagens
mais seguras e confortáveis. Anteriormente, para essa
integração, os usuários dos trens da
CPTM e do Metrô, precisavam atravessar a rua Mauá
e pagar por uma nova passagem. A implantação
deste projeto promoverá a integração
das malhas ferroviária e metroviária, viabilizando
o acesso direto dos usuários das regiões Leste,
Oeste, Noroeste e Sudeste da metrópole à área
central de São Paulo. A obra está exigindo um
investimento de US$ 95 milhões, dos quais US$ 45 milhões
são financiados pelo Banco Mundial.
E
nos transportes por ônibus, o que está sendo
feito?
O
sistema sobre pneus é gerenciado pela Empresa Metropolitana
de Transportes Urbanos - EMTU. A meta é racionalizar
o transporte coletivo por ônibus na Grande São
Paulo e isso vai acontecer por meio da concessão de
serviços e na extensão da rede. O programa prevê
a implantação de dois corredores metropolitanos:
um na Região Metropolitana de São Paulo, o Corredor
Guarulhos – Tucuruvi, e o outro na Região Metropolitana
de Campinas, o Corredor Noroeste, interligando cinco municípios
da região.
Como
será esse corredor Guarulhos-Tucuruvi?
Ele
terá 21,1 km de via exclusiva - um corredor segregado
- ligando o bairro paulistano do Tucuruvi, onde há
uma estação do metrô, até o município
de Guarulhos. Contará com oito terminais de integração
e duas estações de transferência, frota
de 173 veículos com motores de baixa emissão
de poluentes, suspensão a ar, ar condicionado, bilhetagem
e monitoração eletrônicas e outros itens
de conforto e desempenho. A previsão de término
do primeiro trecho em 2006/2007, sendo que a conclusão
será em 2009. Calculamos que a demanda beneficiada
será de 4,6 milhões de passageiros por mês.
O investimento previsto é de R$ 530 milhões.
E
o corredor da Região Metropolitana de Campinas?
Vai
ter 37 km de extensão, ligando cinco municípios
da Região: Campinas, Sumaré, Hortolândia,
Nova Odessa e Americana que concentram 70% da demanda da região.
O projeto retira transporte de passageiros da via Anhangüera,
reestrutura o sistema de transporte coletivo e estimula desenvolvimento
urbano planejado. O projeto será implantado em três
fases: primeiro, a ligação Campinas-Hortolândia;
depois a ligação Americana-Nova Odessa e finalmente
a ligação Nova Odessa-Sumaré. A previsão
de término da primeira etapa é 2006, e beneficiará
2,7 milhões de passageiros/mês.
Na
questão da poluição ambiental: que providências
estão sendo feitas na área dos transportes?
É
cristalino o impacto fortíssimo que o metrô traz
para a cidade na melhoria da qualidade de vida. Nós,
hoje, adotamos procedimentos já consagrados pelo Banco
Mundial - o de mostrar para a comunidade qual é o impacto
social do metrô. Imagine a ausência do metrô.
Se os 2,6 milhões de passageiros que hoje usam o metrô
fossem redistribuídos para automóveis e ônibus,
veja o tempo perdido nos percursos, os congestionamentos,
os gastos a mais na sociedade. Você perde mais tempo,
há mais poluição e doenças respiratórias.
Isso tudo custaria R$ 3 bilhões por ano para a sociedade,
caso o metrô não existisse. Por isso, digo que
o metrô se paga completamente a cada 10 anos.
Existe
algum programa específico da Secretaria dos Transportes
Metropolitanos para evitar a poluição em São
Paulo?
Estamos
trabalhando junto às montadoras, para que elas invistam
no GNV- Gás Natural Veicular. Nossa intenção
é trabalhar com a Comgás para que ela garanta
a distribuição desse gás nas garagens
de ônibus. E trabalhar também com a Petrobrás
para que ela garanta um desconto de 45% no custo do GNV. A
nossa Secretaria da Fazenda está analisando quais os
pontos dessa cadeia produtiva do GNV que podem ter algum tipo
de diminuição ou até isenção
da carga tributária.
Qual
a frota hoje no sistema?
Nas
três regiões metropolitanas, considerando os
ônibus comuns, os ônibus fretados e as peruas,
dá mais de 20 mil veículos. Temos que considerar
também que temos cerca de 200 mil caminhões
só na Grande São Paulo. Então nós
queremos fazer uma abordagem não só no transporte
de passageiros, mas também no transporte de cargas
para que eles passem a utilizar o gás natural.
O
governo pretende atingir esse objetivo a curto prazo?
A
partir do ano que vem. A idéia é que se tudo
isso aqui estiver fechado em toda cadeia produtiva, podemos
também buscar junto ao BNDES linhas de crédito
especiais para isso. E já a partir do ano que vem começar
a exigir que todos os ônibus novos que ingressam no
sistema metropolitano já estejam com gás, com
a participação dos municípios nessa luta.
Entrevista
a Takao Miyagui
QUEM
É JURANDIR FERNANDES
Jurandir
Fernando Ribeiro Fernandes é secretário dos
Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo desde
2001. Engenheiro Mecânico formado pelo ITA (Instituto
Tecnológico de Aeronáutica) e com mestrado na
Universidade de Campinas (Unicamp), preside a Associação
Nacional dos Transportes Públicos (ANTP) e a Divisão
Latino-Americana da União Internacional dos Transportes
Públicos (UITP).
O
principal objetivo da Secretaria é executar a política
de transportes urbanos e de passageiros da Capital com as
regiões metropolitanas, abrangendo os sistemas metroviário,
ferroviário, de ônibus e trólebus.