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Publicação do DCI de 30 de novembro de 2006

 

Henrique Meirelles deve ficar na liderança do Banco Central


Roseli Loturco

O atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deve permanecer no posto de principal autoridade monetária do País no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa é a aposta de André Loes, economista-chefe do banco espanhol Santander Banespa e diretor da área econômica da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), que acredita também ser a parceria público-privada uma das ferramentas mais eficientes que o governo federal tem às mãos para fazer a economia crescer próximo de sua previsão mais otimista — 4,5%, 5% — em 2007. “Se o governo resolver destravar a pauta das principais PPPs do Brasil, essas obras seriam responsáveis por um investimento de cerca de R$ 50 bilhões no próximo ano no País”, afirma.

O economista, que já havia cravado a queda na taxa básica de juros da reunião de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom) em 0,5 ponto percentual (previsão esta que se confirmou), começa a revisar a projeção da Selic para o final de 2007. “Apesar de a análise anterior projetar 12% de juros para o final do próximo ano, dado o ambiente inflacionário mais seguro, já começamos a trabalhar no Santander com um arrefecimento da taxa para algo em torno de 11%, 11,5%”, afirma.

Sobre a composição dos ministérios para o próximo governo, o economista-chefe do Santander arrisca dizer que o ministro da Fazenda Guido Mantega começa a criar condições reais para permanecer na pasta. Já para o ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Loes acredita que o empresário Jorge Gerdau Johannpeter é um nome que agregaria valor à pasta e ao governo Lula, caso o ministro Luiz Fernando Furlan não queira permanecer no cargo.

Mantega está otimista

Às voltas com o pacote de medidas de desoneração tributária para estimular o crescimento, Mantega disse ontem em São Paulo que será possível que a economia avance 5% já no próximo ano.

O ministro aposta na isenção de tributos e na redução da taxa básica de juros da economia (Selic) para impulsionar investimentos em projetos de infra-estrutura. O governo vai isentar de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) os rendimentos obtidos em fundos de investimento dedicados à infra-estrutura.

“Com isenção de imposto e queda dos juros, os fundos de infra-estrutura se tornarão atrativos. Eles devem dar retorno financeiro no longo prazo superior ao da renda fixa”, afirmou Mantega ontem após almoço com empresários na sede da Associação Brasileira da Infra-Estutura e Indústrias de Base (Abdib).

Estiveram representantes dos maiores fundos de pensão brasileiros, que possuem cerca de R$ 350 bilhões em investimentos, alocados majoritariamente em fundos de renda fixa. “Nas condições atuais, não há competição. Os fundos de pensão preferem investir em papéis públicos, que rendem mais com risco muito baixo”, disse.

Mantega também informou que a Caixa Econômica Federal (CEF) irá criar um fundo de investimento em infra-estrutura de R$ 5 bilhões com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS).

Hoje em dia, a indústria total de fundos acumula cerca de R$ 850 bilhões (cerca de 70% em renda fixa). Estima-se que 10% desse montante migrará para em fundos de infra-estrutura.
“Se capturarmos R$ 80 bilhões, já será um grande passo. Queremos também atrair a poupança externa para esses fundos”, afirmou Paulo Godoy, presidente da Abdib, que vai lançar em breve fundo de investimento de R$ 690 milhões em parceria com a construtora Andrade Gutierrez.
O ministro afirmou ainda que o governo também estuda medidas para acelerar as aprovações a projetos com impacto ambiental e proposta de modificação na lei de licitações, (3.666), que o ministro classificou de “superada”.

Embora priorize as desonerações para investimentos, Mantega admite a possibilidade da tabela do Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas em 2007 - proposta rechaçada pelo governo anteriormente. “Eu tinha argumentado contra, mas houve negociações e deve haver uma acomodação”, afirmou.

Mantega afastou a possibilidade de desequilíbrio fiscal com a adoção de medidas de desoneração tributária. Segundo o ministro, o governo estaria preparando um programa de redução de despesas em longo prazo que incluiria dispositivo de freio na expansão dos gastos correntes. A idéia é que o dispêndio cresça menos que o Produto Interno Bruto (PIB), de modo a reduzir proporcionalmente os gastos do governo federal

Também estão na mesa de negociações propostas para reforma da previdência e propostas para enxugar despesas. Mantega ironizou, porém, a tese do choque de gestão, bandeira de campanha do candidato Geraldo Alckmin “Não vamos promover choque de gestão. Não vamos dar choque em ninguém”, disse.

Questionado sobre os números do PIB no terceiro trimestre, que já são de seu conhecimento, embora ainda não tenham sido divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mantega disse apenas que houve “crescimento dos investimentos”.

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