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Publicação do Valor Econômico
de 30 de novembro de 2006
Metrô e CCR assinam primeira PPP do
país
Samantha Maia
A Concessionária da Linha 4 Amarela
do Metrô de São Paulo S.A., liderada pela Companhia
de Concessões Rodoviárias (CCR), foi contratada
ontem pelo governo do Estado de São Paulo, constituindo
a primeira Parceria Público-Privada (PPP) do país.
No dia 28, o Tribunal de Justiça (TJ) de São
Paulo cassou uma liminar que impedia a contratação
da empresa.
O secretário de Transportes Metropolitanos Jurandir
Fernandes disse que a PPP não é uma privatização,
mas uma parceria. "O Estado faz as obras e a iniciativa
privada traz os trens. É algo parecido com o que
já ocorre com os ônibus, onde a Prefeitura
faz o corredor de ônibus, os terminais, e os empresários
colocam os ônibus. E ninguém aqui diz que houve
a privatização dos corredores", afirmou.
O vice-presidente da CCR, Márcio Batista, disse que
a confiança no governo de São Paulo é
baseada no sucesso das concessões rodoviárias.
A CCR controla três concessionárias de rodovias
dentro dos limites do Estado de São Paulo: a AutoBan,
a NovaDutra (SP-RJ), e a ViaOeste. A empresa investirá
na Linha 4 cerca de US$ 340 milhões, 27% do total,
e receberá a contraprestação do governo
de R$ 75 milhões pelos 30 anos da concessão.
O consórcio ficará responsável pela
compra da frota de 29 trens, pela implementação
do sistema móvel de comunicação e sinalização,
enquanto ao Estado cabe a construção dos 12,8
quilômetros de túneis, seis estações
da linha e parte do pátio de manobras, já
em andamento. O critério de escolha dessa licitação
foi o menor valor da contraprestação do governo
- valor necessário para complementar o retorno do
investimento do parceiro privado.
O contrato foi assinado com a presença do presidente
da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô),
Luiz Carlos David, do presidente da Companhia Paulista de
Trens Metropolitano (CPTM), Mário Bandeira, e do
presidente da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos
(EMTU), Joaquim Lopes.
Apesar de o governador Claudio Lembo (PFL) ter informado
pela manhã que há grupos de empresários
franceses interessados em uma PPP na Linha 5 Lilás
do Metrô, Fernandes afirmou que só serão
pensadas PPPs para a construção de novas linhas.
"Não há nenhuma intenção
de se lançar uma PPP da linha 5. É importante
consolidar a experiência que está em destaque
agora", disse. Segundo ele, o Estado continuará
expandindo e operando as linhas já existentes.
Sobre a entrada da iniciativa privada em um serviço
operado inteiramente pelo setor público, Fernandes
considera que a comparação dos serviços
será positiva e que a iniciativa privada contará
com um exemplo de operação de "alta competência",
o Metrô.
Ele acha que ainda é possível cumprir os prazos
previstos inicialmente - de início da operação
da linha no fim de 2008, com 14 trens e seis estações
- mesmo depois dos atrasos gerados com as medidas judiciais.
"As 27 frentes de trabalho do Estado continuaram operando
durante esses oito meses de atraso. E a empresa que venceu
não ficou paralisada também, constituiu a
sua direção e fez contatos com o mercado ",
disse.
Batista, da CCR, explicou que agora a concessionária
entrará num período de refinamento dos sistemas
e de ratificação do que foi proposto. "Vamos
fazer um planejamento empresarial mais detalhado do que
fizemos na entrega do projeto", disse.
Os metroviários pretendem recorrer da decisão
do TJ, que considerou o projeto de PPP legítimo.
"Consideramos ilegal o governo não esperar a
publicação do acórdão para a
assinatura do contrato, pois ainda temos tempo para questionar
a decisão dos juízes", disse Manuel Xavier
Filho, diretor do Sindicato dos Metroviários.
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