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Publicação da Folha de São
Paulo de 30 de novembro de 2006
Futura agência vai regular reajuste
do metrô de SP
Objetivo é evitar decisões políticas
na definição das tarifas; ontem foi assinado
o primeiro contrato de PPP, para a linha 4-amarela
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
O governador Cláudio Lembo (PFL)
criou ontem uma comissão que servirá de embrião
da agência que vai regulamentar e despolitizar decisões
sobre o preço da tarifa do metrô de São
Paulo. O modelo é semelhante ao da Artesp (que regula
o pedágio nas rodovias paulistas), da Aneel (preço
da energia elétrica) e da Anatel (telefonia).
A agência será necessária para dar garantias
de que decisões políticas futuras, como a
fixação das tarifas abaixo de um valor que
cubra os custos da operação, não afetem
a privatização de trechos do metrô.
Embora tenha caráter de orientar as decisões
do governo, a agência tornaria transparente os custos
e o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos
de concessão.
Um exemplo de decisão política aconteceu quando
Lembo fixou o valor da tarifa que entra em vigor hoje. Antes
de decidir sobre o aumento, Lembo, apesar de ter recebido
estudos técnicos que apontavam a necessidade de uma
tarifa a R$ 2,60 para cobrir os custos do metrô, optou
por R$ 2,30. A diferença deixa um rombo de R$ 30
milhões nas contas do Metrô.
Ontem, porém, foi assinado o primeiro contrato de
privatização, através de PPP (Parceria
Público Privada), para a linha 4-amarela (Vila Sônia-Luz),
com um consórcio encabeçado pela CCR (Companhia
de Concessões Rodoviárias).
Como o contrato da PPP prevê o reajuste anual da tarifa
do metrô, o governo fica impedido de conceder aumentos
menores do que o previsto ou fora do prazo fixado, ou terá
que cobrir os prejuízos da concessionária.
Essa opção, no entanto, poderia afetar a confiança
do mercado em investir em novas PPPs do governo do Estado.
O novo modelo obriga o governo a rever as tarifas a cada
12 meses, ao contrário do que ocorreu em relação
ao atual reajuste -o anterior havia ocorrido em janeiro
de 2005.
""Isso tudo [a futura agência] reflete no
aprimoramento das relações entre o público
e o privado", disse o secretário dos Transportes
Metropolitanos, Jurandir Fernandes, após assinar
o contrato.
Indagado sobre os efeitos de uma eventual decisão
política sobre tarifas do metrô, o vice-presidente
da CCR, Márcio Batista, foi enfático: ""Eu
diria, de antemão, que atrapalha sim".
O contrato foi assinado ontem com atraso de oito meses,
em razão de ações movidas na Justiça
pelo sindicato dos metroviários. O atraso, porém,
não vai impedir que a linha 4 entre em operação
até janeiro de 2009, segundo Fernandes.
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