Parcerias darão impulso ao mercado de seguro-garantia
Chiara
Quintão
Riscos de engenharia e seguro patrimonial estão no
foco
Os investimentos em infra-estrutura decorrentes das parcerias
público-privadas (PPPs) deverão movimentar três
segmentos do mercado de seguros: seguro-garantia, riscos de
engenharia (incluindo responsabilidade civil) e riscos patrimoniais.
Somente o ramo de seguro-garantia poderá ter prêmios
adicionais anuais superiores a R$ 100 milhões, segundo
estimativa do diretor técnico da Áurea Seguradora
de Créditos e Garantia , Carlos Frederico Ferreira.
O cálculo foi obtido, de acordo com Ferreira, considerando-se
suposta taxa padrão de 1% de seguro-garantia sobre
o montante de R$ 39 bilhões do orçamento dos
projetos das PPPs dos ministérios do Transporte, Minas
e Energia, Integração Nacional e das Cidades,
previsto pelo Plano Plurianual (PPA) 2004-2007.
Como a execução dos empreendimentos feitos por
meio das parcerias entre o setor público e a iniciativa
privada ainda não teve início, a expectativa
é que os R$ 390 milhões destinados a seguro-garantia
sejam desembolsados entre o segundo semestre deste ano e o
final de 2007.
Por enquanto, foram definidos os seguintes projetos: trecho
1 da Ferrovia Norte-Sul, duplicação das rodovias
BR-116 e BR-342 em torno do Porto de Aratu, na Bahia, Arco
rodoviário do Rio de Janeiro, Tramo Norte do Ferroanel
de São Paulo, e Variante ferroviária Guarapuava-Ipiranga,
no Paraná. Estima-se que o valor das obras chegue a
R$ 1,685 bilhão.
Segundo o diretor da Áurea Seguros, o mercado de seguro-garantia
movimenta, anualmente, prêmios de R$ 250 milhões.
No ano passado, a Áurea arrecadou prêmios de
R$ 32 milhões no ramo de seguro-garantia, responsável
por 90% do seu faturamento. O segmento é liderado pela
UBF Garantias & Seguros, seguida pela J. Malucelli Seguradora
e pela Áurea.
Já o diretor comercial da UBF Garantias & Seguros,
Luis Barreto, prefere não estimar o possível
incremento para a arrecadação de prêmios
de seguro-garantia decorrentes dos projetos das PPPs. “A
demanda por seguro-garantia vai depender do volume de investimentos.
Falta ainda a regulamentação do fundo garantidor”,
disse Barreto.
Em 2004, os prêmios da seguradora somaram R$ 62 milhões.
“Nos últimos três anos, a importância
assegurada na área de energia chegou a US$ 2 bilhões”,
conta o diretor da UBF. Os principais clientes da seguradora
são construtoras de médio e grande porte e fornecedores
de equipamentos de infra-estrutura.
Barreto acredita que parte dos clientes da UBF terá
interesse em participar dos projetos das parcerias.
Apólices
Segundo Ferreira, da Áurea, há duas apólices
principais de seguro-garantia a serem contratadas nos empreendimentos
das PPPs. “A primeira apólice é contratada
no momento da proposta econômico-financeira, garantindo
que se a empresa for a vencedora da licitação,
vai assinar um contrato”, contou o diretor da Áurea.
A outra é a chamada garantia de performance, ou seja,
a apólice assegura o cumprimento das obrigações
previstas no contrato. Há ainda o seguro-garantia para
o subempreiteiro, adotado nos casos em que a empresa vencedora
da licitação contrata fornecedores, de acordo
com o executivo da Áurea.
“Deverá haver mais demanda pelas modalidades
de seguro-garantia já existentes, mas em caso de necessidade
específica das PPPs, o mercado pode se adaptar e desenvolver
novos produtos”, avaliou o superintendente técnico
do Unibanco AIG, Guillermo León. A seguradora detém
10% de participação do mercado de seguro-garantia
destinado a grandes obras, de acordo com León.
“As três maiores (UBF, Malucelli e Áurea)
possuem quase 60% do mercado. Com o aumento da demanda, esperamos
participar do crescimento deste mercado, que pode até
dobrar de tamanho”, afirmou o superintendente técnico
do Unibanco AIG.
Riscos de engenharia
O superintendente de property e energy do Unibanco AIG, Lázaro
Zani Sobrinho, explica que após a contratação
do seguro-garantia, por ocasião da licitação
das obras, entra em cena o seguro de riscos de engenharia,
destinado, por exemplo, à construção
de estradas e usinas hidrelétricas. O seguro de responsabilidade
civil de construção é incluído
no produto, segundo o executivo.
“Os investimentos em PPPs serão uma boa oportunidade
para a ampliação dos negócios das seguradoras.
Depois do boom dos aportes em energia elétrica por
causa do racionamento de energia, não houve grandes
investimentos em infra-estrutura”, disse Sobrinho. O
Unibanco AIG fornece seguros de riscos de engenharia para
grandes empresas, como a Fosfértil e a Petrobras.
De acordo com o superintendente de property e energy do Unibanco
AIG, passada a fase de licitação (seguro-garantia)
e execução (riscos de engenharia), é
a vez de os seguros patrimoniais cobrirem a etapa da operação
ou “exploração pela iniciativa privada”.
“Trata-se de seguros contra incêndio e quebra
de máquinas, por exemplo”, disse Sobrinho.