Linha do BNDES para energia nova pode se configurar como PPP
Oldon Machado, da Agência
CanalEnergia, Negócios - A linha de crédito
que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social lançará antes da realização
do primeiro leilão de energia nova do atual modelo
não deve configurar-se na modalidade de project finance,
através da qual as garantias do financiamento estão
atreladas ao fluxo de caixa do projeto e não ao patrimônio
do tomador. Segundo o vice-presidente e diretor de infra-estrutura
do banco, Demian Fiocca, o programa em montagem para a expansão
da geração de energia pode adequar-se às
regras de Parceria Público-Privada.
"Eu não acho (que
a linha de crédito) seja nos moldes de project finance,
temos que ver ainda. Acho que está mais para PPP",
disse Fiocca, após participar do seminário "O
desafio das PPPs" nesta segunda-feira (30), no Rio de
Janeiro. O executivo evitou fazer maiores comentários
a respeito da participação do banco na licitação
de energia nova. A concepção da linha exclusiva
para os investidores que adquirirão outorgas de usinas
no leilão - previsto para o segundo semestre - está
sendo articulada entre o BNDES e o Ministério de Minas
e Energia.
Sobre project finance, modelo
de financiamento que o banco pretende incentivar daqui para
frente, Fiocca disse que um exemplo similar já foi
adotado pelo BNDES na linha desenvolvida para o Programa de
Incentivos às Fontes Alternativas de Energia Elétrica,
no qual o aspecto central é o uso dos recebíveis
como garantia. Ele destacou que uma das medidas importantes
para impulsionar o project finance é a mudança
da Lei de Concessões, permitindo que o financiador
assuma o controle de um projeto em caso de falência
do empreendedor.
O BNDES deverá ser
um dos gestores do fundo garantidor das PPPs, segundo indicou
o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que também
participou do seminário no Rio. Segundo ele, os bancos
gestores do fundo - cuja regulamentação deve
sair ainda este ano - serão divulgados oficialmente
pelo governo até 30 de junho. "O BNDES apresentou
uma proposta muito boa", disse Bernardo, que considera
as PPPs o mecanismo capaz de atrelar a necessidade de investimento
na infra-estrutura, a baixa capacidade do setor público
e a atração do capital privado.