Estabilidade é essencial para...
As
parcerias (PPP) provocaram grande interesse de presidentes
e CEOs japoneses. Longo prazo quer dizer 30 anos, e não
5, afirmou o presidente do Mizuho Corporate Bank, Hiroshi
Saito, em café da manhã com a delegação
do presidente. Por diversas vezes, Lula forneceu dados sobre
a estabilidade da economia e a intenção de manter
tal quadro.
Os
asiáticos mostraram interesse nas Parcerias Público
Privadas (PPP) durante café da manhã com 16
presidentes e CEOs de grandes empresas japonesas e órgãos
de crédito, como o Japan Bank for International Cooperation
(JBIC), e no seminário Brasil-Japão: Oportunidades
de Comércio e Investimentos, que conseguiu reunir cerca
de 500 japoneses e empresários brasileiros.
País
quer infra-estrutura
"Somos
um país que precisa ampliar sua infra-estrutura",
disse aos japoneses o ministro do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. Nesse caso,
os empresários asiáticos pediram regras claras
sobre a participação do capital estrangeiro
nos projetos, indicando que são um incômodo os
pontos pendentes dessa iniciativa, como o do papel das agências
reguladoras responsáveis pelas concessões.
Outras
reclamações e dúvidas fizeram parte do
seminário e até causaram constrangimento, segundo
participantes. Um empresário japonês levantou
a questão da corrupção no Brasil e das
dificuldades de abertura de empresas. Num estudo entregue
à CNI, a Keidanren protestou contra o complexo sistema
fiscal brasileiro e a falta de segurança pública.
Segundo
o vice-presidente da CNI, José Freitas de Mascarenhas,
a continuidade das discussões de um Acordo de Parceria
Econômica (EPA) deverá ser incumbência
de um grupo de estudo formado por representantes da indústria,
governo e academia. Serão feitos levantamentos sobre
as oportunidades de negócios e investimentos em várias
áreas, como tecnologia da informação
e turismo, uma vez que esse é o formato EPA, indo além
do livre comércio. O assunto será levado aos
outros países do Mercosul, pois o Brasil não
pode, sozinho, assinar um acordo como este. A negociação
não deverá ser fácil. Sua concretização
somente ocorrerá se a discussão de um acordo
entre Mercosul e União Européia e a da Área
de Livre Comércio das Americas (Alca) avançarem,
afirmou.
Do
lado brasileiro as resistências ocorrem com os setores
eletroeletrônicos, telecomunicações e
veículos. Do lado japonês, as dificuldades vêm
da área agrícola.
Apesar
do protecionismo no agronegócio, até mesmo os
exportadores de carnes estão otimistas. O Brasil não
consegue vender carne bovina e suína "in natura"
para os japoneses devido à febre aftosa. Pedro Camargo
Neto, da Associação Brasileira das Indústrias
Exportadoras de Carne Bovina (ABIEC), afirma que em razão
da ocorrência de vaca louca no Japão e da febre
aviária na Ásia, há algum tempo o país
está sendo visto com outros olhos.
Uma
amostra de como é dificil negociar com os japoneses
nessa área, na qual eles impõem uma série
de barreiras sanitárias, é que a manga está
desembarcando no país após mais de 30 anos de
negociação. Os chilenos levaram duas décadas
negociando a venda de uvas.
Toda
vez que falou com os empresários, o governo e até
com o parlamento japonês, Lula tentou passar a imagem
de que o Brasil é um investimento seguro. Uma de suas
frases nesses encontros foi: "Não brincamos em
se tratando de política econômica", disse
no encerramento. "Não tomaremos nenhuma atitude
que possa significar tornar a economia brasileira vulnerável
e nem tampou-co nenhuma medida populista, que muitas vezes
serve para eleger um candidato, mas que afunda o Brasil em
anos e anos de recessão", completou. Na ocasião,
aproveitou para repetir aos empresários brasileiros
que não esperem pelas oportunidades de negócios.
"É preciso que cada um faça como o bom
turista japonês: coloque a sua sacolinha nas costas,
o chapeuzinho na cabeca, sua máquina fotografica, e
vá conhecer o mundo". No Parlamento, deixou claro
o motivo de sua visita, afirmando querer que o Brasil volte
a ser destino preferencial de investimentos japoneses. O país
asiatico tem tido foco firme na China, onde figura entre os
maiores investidores estrangeiros.
"O
Brasil é um bom lugar para investir agora. A economia
está estabilizada, cresce e a inflação
está sob controle", disse Ken Wakazuki, gerente
geral da divisão de Negócios Estrangeiros da
Toyo Engineering, empresa que tem parceria com a Petrobras
na construção de projetos de dutos.
A
Petrobras aumentou seu numero de acordos com empresas do Japão.
Dos cerca de 10 contratos assinados com empresas brasileiras
e japoneses na visita, 4 envolveram a estatal. Os contratos
somaram US$ 2,1 bilhões, dos quais US$ 1,2 bilhao envolve
a Petrobras. Um deles, para financiamento de US$ 900 milhões,
foi fechado com o Japan Bank for International Cooperation
(JBIC), o Nippon Export Investment Insurance (NEXI), o Sumitomo
Mitsui Banking e a Mitsui e a Itochu para modernização
da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José
dos Campos (SP). Outro, de US$ 300 milhões, foi fechado
com o NEXI e Sumitomo Mitsui. O dinheiro virá de um
pool de bancos e será usado em segurança e meio
ambiente. Um terceiro acordo representa "salto de qualidade
na relação com o JBIC", disse o presidente
da Petrobras, José Eduardo Durta. O acordo busca a
identificação de projetos para exploração,
produção e refino e gás natural em que
a estatal e companhias japonesas possam a atuar juntas no
Brasil e no exterior. O último, envolvendo a Mitsui
e a Vale do Rio Doce, prevê estudo de necessidades logísticas
para exportação de etanol para o Japão.
A
Vale assinou um contrato com o JBIC de US$ 150 milhões
para financiamento de logística, para compra de vagões
ferroviários. O acordo fala ainda em apoio do banco
para a construção de ferrovias no Brasil. Agnelli
disse que a Vale tem estudado o fim de gargalos em suas linhas
e que há interesse em construir grande parte da linha
Norte-Sul.
A
Vale tem US$ 400 milhões em crédito com a NEXI,
que faz operações para reduzir o risco financeiro.
Tem ainda US$ 900 milhões em valores já encontrados
- incluindo os US$ 150 milhões assinados em Tóquio
-, com o JBIC. A empresa previu exportar US$ 1,5 bilhão
para o Japão em 2005, ou cerca de 10% de seu faturamento
total.
Do
lado brasileiro, os negócios podem levar algum tempo
para mostrar um crescimento significativo com a segunda maior
economia do planeta (de U$ 4,7 trilhões), ainda mais
quando se trata de um país extremamente avesso a riscos.
Sabe-se também que a reaproximacão buscada pelo
Brasil com o Japão deverá ser diferente daquela
vista nos anos 60 e 70, fortemente promovida por ações
e grandes projetos do governo.
No
início da década de 70 o Brasil chegou a ficar
com 10% do investimento japonês no exterior. O percentual
foi caindo e em 2003 foi registrado 1,8%.
No
café da manhã com Lula estavam representantes
das empresas Mitsubishi, Marubeni, Honda, Oji Paper, Sony,
Toshiba e Nippon Steel.
O
presidente da Agência de Promoçâo de Exportações
Brasileiras (Apex), Juan Quiros, afirmou que a instituição
estuda a abertura de um centro de distribuição
de produtos do País no Japão, o que beneficiaria
em especial empresas de pequeno e médio portes. A Apex
também está acertando com a Isetan, uma das
maiores lojas de departamentos, um espaço experimental
para exposição de produtos brasileiros em 2006.
O
centro seria uma medida semelhante à adotada em Miami,
Dubai e na Alemanha (neste último será aberto
em setembro ou outubro). A decisão final deve sair
em 90 dias. A iniciativa seria uma parceria entre governo
e iniciativa privada. Nos EUA, o centro conta com benefícios
concedidos pelo governo local. A Apex, que vai investir US$
1,5 milhão em sete eventos no Japão neste ano,
é responsável pela administração
e operação do local e auxilia nos levantamentos
sobre inserção de produtos.
A
empresa paga pela área do estoque e show room. A instituição
avalia haver espaço para exportar mais calcados, sucos
de frutas, cachaca, cosméticos, cafés especiais,
jóias e alimentos processados.
kicker:
Há ainda espaço para exportar calcados, sucos
de frutas, cachaça, cosméticos e alimentos processados,
previu a Apex
(Gazeta
Mercantil/Caderno A - Pág. 6)(Claudia Mancini)