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Publicação do Valor Econômico
de 29 de dezembro de 2006
Ajuste dá certo e Serra assume com
folga fiscal
Cristiane Agostine 29/12/2006
Depois de nove meses de ajustes fiscais
no governo de São Paulo, a situação
financeira herdada pelo governador eleito de São
Paulo, José Serra (PSDB), é melhor do que
a prevista em outubro, quando venceu as eleições,
e o tucano assumirá com um superávit orçamentário
previsto em R$ 150 milhões. O governo paulista fechará
o ano com a menor relação dívida corrente
líquida/ receita corrente líquida registrada
desde que passou a vigorar a Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF). A relação deve ser menor que 2 e está
em 1,87.
Para sanear as contas do Estado herdadas de Geraldo Alckmin,
que se desincompatibilizou para disputar a Presidência
pelo PSDB, o governador Cláudio Lembo (PFL) passou
um sufoco. No fim de outubro, o Estado registrava um déficit
de R$ 360 milhões e a situação, preocupante,
já havia sido diagnosticada em maio, um mês
após assumir o cargo. A equipe estadual constatou
que haveria uma diferença entre o orçado e
o realizado de cerca de R$ 1,3 bilhão.
Na ocasião, Lembo expediu uma circular para todos
os secretários e presidentes de estatais informando
que não haveria descontingenciamento dos recursos
para investimentos ao longo de 2006, como de praxe. Às
pressas, foram aprovadas medidas de anistia fiscal de multas
e juros de IPVA, previstas para renderem ao cofre estadual
cerca de R$ 700 milhões. O resultado, porém,
foi além do esperado e a arrecadação
chegou a R$ 2,360 bilhões, segundo o governador.
"Voltou tudo à normalidade, até mesmo
o ritmo das obras voltou", disse Lembo.
Com o caixa em ordem, o primeiro ano do governo Serra deverá
ser marcado por grandes obras de infra-estrutura. No setor
de transportes, já existe um pacote pronto para começar
assim que o governador der o sinal verde. O metrô
deverá ser ampliado, com a construção
da linha 5, na zona Sul da cidade e a conclusão da
linha 4 deverá acontecer no final de seu mandato.
O Rodoanel, uma das vitrines do governo estadual, será
concedido à iniciativa privada e a licitação
deve acontecer no início de 2007. O novo governo
fixará o preço do pedágio que será
cobrado dos caminhões que usarem o Rodoanel.
Por meio de Parcerias Público Privadas (PPP), Serra
levará também aos empresários a construção
do Expresso Bandeirantes, uma ligação ferroviária
de 93 quilômetros entre Campinas e São Paulo,
e o Expresso Aeroporto, que interligará o aeroporto
de Guarulhos ao centro da capital.
A nova equipe do governo estadual pretende financiar parte
dos custos das obras também com recursos federais.
Caso seja confirmado o nome de caso do deputado Antonio
Carlos Pannunzio para a liderança do PSDB na Câmara,
Serra terá um aliado. "São Paulo tem
recebido muito pouco da União e temos que ter investimentos
federais. Em transportes, por exemplo, não dá
para pensar em projetos como metrô e Rodoanel sem
os recursos da União", disse Pannunzio, que
tem o apoio de Serra para a função no Legislativo.
A relação do tucano com o governo federal
deve ser melhor do que a que Alckmin teve com o presidente
Lula. O tucano deverá aproximar o Estado do governo
federal e será um dos interlocutores do partido na
discussão da política econômica com
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A formação
de um núcleo dos governadores do Sudeste, com Aécio
Neves (PSDB), em Minas, Paulo Hartung (PMDB), no Espírito
Santo, e Sérgio Cabral (PMDB), no Rio, é bem-visto
pelo tucano como forma de aprofundar as discussões
sobre temas comuns aos Estados e ganhar mais peso nas discussões
com o governo Lula.
O governador eleito dará início ao quarto
mandato consecutivo do PSDB em São Paulo mirando
uma gestão desenvolvimentista. No discurso após
a proclamação de sua vitória, Serra
reforçou que fará "um governo voltado
ao desenvolvimento social e ao desenvolvimento econômico",
e da "produção, da prosperidade e do
emprego no Brasil". Para a tarefa ficou o vice-governador,
Alberto Goldman, que comandará o Desenvolvimento.
Em consonância às mudanças pela qual
o PSDB passa, de aproximar-se da militância e das
camadas populares - hoje base social do PT- Serra anunciou
que fará um governo "popular, voltado aos que
mais precisam, aos que são mais vulneráveis,
àqueles que são mais necessitados". Eleito
no primeiro turno com 57,9% dos votos válidos, o
tucano pretende ampliar seu apoio na periferia da capital
e da região metropolitana, onde o PSDB é mais
frágil.
Se depender da Assembléia Legislativa paulista, Serra
não terá grandes dificuldades para aprovar
seus projetos. Com ampla maioria dos deputados em sua base
de apoio, o tucano deverá enviar logo no começo
da gestão a proposta de criação de
agências de desenvolvimento regionais. A oposição
diminuiu na Casa e corresponde a 23% dos 94 deputados. As
22 cadeiras do PT diminuíram para 20 e o PCdoB ficou
sem nenhuma das duas que possui na atual legislatura.
Serra pretende ter um PFL mais próximo no Legislativo
do que foi o partido na gestão anterior. No final
do governo Alckmin, deputados tucanos e pefelistas se desentenderam
e parte dos parlamentares do PFL aliou-se ao PT. Para azeitar
a relação com o partido aliado, Serra contemplou
os pefelistas com mais cargos do que o partido esperava,
de acordo com o governador Cláudio Lembo, presidente
do diretório estadual do PFL.
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