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Publicação de o Estado de São Paulo de 29 de novembro de 2006

 

TJ libera PPP da Linha 4 do metrô


Companhia vai assinar contrato que repassa à iniciativa privada operação de trecho de 12,8 quilômetros

Bruno Tavares

O Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo decidiu ontem liberar a assinatura do contrato entre o Metrô e o consórcio que administrará a Linha 4 (Amarela), ligação da Luz à Vila Sônia. Por 3 votos a zero, os desembargadores da 3ª Câmara de Direito Público derrubaram a última liminar que suspendia o processo de licitação, concedida ao Sindicato dos Metroviários. A primeira Parceria Público-Privada (PPP) do País será firmada hoje, às 11 horas, no gabinete do secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. O sindicato prometeu recorrer da decisão.

A novela jurídica entre a companhia e os trabalhadores, para os quais a PPP é uma espécie de “privatização branca” do metrô, vem desde o início do ano. Em março, a Justiça barrou o processo por entender que havia irregularidades no edital. Dias antes, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) já havia acolhido representação do sindicato para impedir o andamento da licitação. Só em agosto os envelopes com as propostas puderam ser abertos. Ainda assim, a assinatura do contrato permaneceu suspensa. Para protestar contra a PPP, os metroviários chegaram a organizar uma greve política de 24 horas, em 15 de agosto.

A licitação foi vencida pelo consórcio MetroQuatro, formado pela Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), Montgomery Participações, Benito Roggio Transportes (concessionário do metrô de Buenos Aires) e RATP Développement (metrô de Paris). O grupo se comprometeu a investir US$ 340 milhões em linhas, sinalização e trens. Em troca, ficará com a receita das bilheterias durante 30 anos, além de receber mais R$ 75 milhões, divididos em 48 parcelas.

Os primeiros 14 trens têm de ser adquiridos até 2008, quando está prevista a inauguração da primeira etapa da obra. As outras 15 composições devem entrar em operação até 2012.

Antes da assinatura do contrato, o consórcio terá de depositar R$ 5 milhões para o Unibanco. O valor é referente ao pagamento do estudo de viabilidade econômica feito pelo banco em 2003 pela quantia simbólica de R$ 0,01.

Como prova de constituição do consórcio, a MetroQuatro deverá apresentar o contrato de registro na Junta Comercial, com capital integralizado de R$ 9,3 milhões, equivalente a 10% do total de R$ 93 milhões do capital social. Em nota, o consórcio informou que só vai se pronunciar após a publicação da sentença do TJ.

O advogado do sindicato, Paulo José Nogueira da Cunha, protestou contra a decisão do tribunal. “Esta PPP cria uma nova empresa dentro do Metrô e isso vai gerar conflitos. Será que os funcionários do consórcio terão os mesmos salários e a mesma jornada de trabalho dos demais?” Nos próximos dias, o advogado entrará com recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas já pedirá hoje a suspensão da assinatura do contrato. “O governo não poderia assinar o contrato antes da publicação do acórdão (decisão final). É um absurdo jurídico, vamos lutar pela impugnação.”

Os sindicalistas questionam o fato de o governo financiar US$ 920 milhões (73%) da nova linha, ao passo que a iniciativa privada, que lucrará com o serviço nos próximos 30 anos, desembolsará US$ 340 milhões.

Ex-secretário dos Negócios Jurídicos na gestão Marta Suplicy (PT), o advogado Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira se disse favorável à adoção das PPPs. “É inegável que elas são uma alternativa interessante, principalmente em obras de infra-estrutura, que demandam investimento pesado.” O advogado ressaltou, porém, que o processo deve ser feito com cautela, para que os custos não afetem a Lei de Responsabilidade Fiscal nos anos seguintes.

Pelo cronograma oficial, 6 das 11 estações serão entregues em dezembro de 2008 - Luz, República, Paulista, Faria Lima, Pinheiros e Butantã. Em 2012, serão abertas as outras cinco - Higienópolis, Oscar Freire, Fradique Coutinho, Morumbi e Vila Sônia.
COLABORARAM EDUARDO REINA E SÉRGIO DURAN

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