O
Governo está propondo, por meio de um Projeto de Lei
que será encaminhado ao Congresso Nacional até
o fim deste mês, um novo modelo de investimento em obras
de infra-estrutura no país. O objetivo é recuperar
a capacidade do Estado planejar e orientar o setor privado em
seus investimentos nos setores de transporte, saneamento, energia
elétrica, habitação, etc. Trata-se da Parceria
Público- Privada (PPP), em que caberá ao Estado
planejar, regular e fiscalizar e, ao setor privado, executar
e operar obras importantes e necessárias ao país,
como recuperação de estradas, obras de saneamento,
construção de hospitais, escolas, presídios,
linhas de metrô , etc.
Com as parcerias com a iniciativa privada, o Governo espera
suprir a deficiência hoje existente nesses setores e promover
a retomada do crescimento do país. O projeto de Lei está
em consulta pública até o final de outubro.
As PPP viabilizarão, por meio de parcerias do poder público
com a iniciativa privada, os investimentos que o Estado sozinho
não tem como arcar por falta de recursos. A expectativa
do governo é viabilizar recursos da ordem de R$ 36 bilhões
que deverão ser destinados preferencialmente a investimentos
em infra-estrutura
Segundo a Associação Brasileira de Infra-estrutura
e Indústrias de Base (Abdib), o país necessita
de investimentos da ordem de US$ 100 bilhões nos próximos
10 anos apenas para melhorar a infra-estrutura.
Na parceria, a iniciativa privada arca com o investimento e
só depois de concluída a obra o governo começa
a fazer desembolsos conforme a quantidade e a qualidade dos
serviços colocados à disposição
dos usuários.
"O princípio das PPP é o de compartilhamento
do risco entre o setor público e o privado", explicou
o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão,
Guido Mantega.
A parceria público-privada é um modelo de desenvolvimento
que vem sendo adotado em vários países do mundo.
Ele se contrapõe a modelos que fracassaram ou se tornaram
inviáveis, como o adotado por vários países
no pós-guerra, em que a característica principal
era a forte presença do Estado.
Segundo o Ministro Guido Mantega, no Brasil, foi-se o tempo
da criação das grandes empresas estatais, com
investimentos nos setores que exigiam grande mobilidade de capital,
longo tempo de maturação e lento retorno. Esse
modelo permitiu um salto, mas também levou à crise
fiscal do fim dos anos 70, com elevado endividamento externo,
principalmente nos países da América Latina. Aí
começou a retração e a inflexão
dos grandes investimentos estatais. Com o esgotamento desse
modelo, o mundo inteiro, a partir dos anos 90, começou
um processo de desestatização e desregulamentação
das funções do Estado. Houve países que
adotaram um modelo radical como a Inglaterra que retirou o Estado
de todas as funções produtivas, e outros que adotaram
uma postura mais cautelosa como a França e a Alemanha,
que ficaram numa posição média.
O Brasil, de acordo com o Ministro, adotou o modelo mais radical
de privatização, seguindo o modelo inglês
que era o de retirar o Estado de todas as atividades de infra-estrutura
e deixou para a iniciativa privada esta tarefa. O resultado
foi uma grande deficiência no setor que prejudicou o crescimento
do país.
Nas PPP, o pagamento por parte do governo poderá ser
feito de duas maneiras. Com o uso de tarifas, pedágios
ou taxas pagas pelos usuários ou por uma complementação
da remuneração de obras e serviços, nos
casos em que a cobrança de tarifas não seja suficiente
para garantir a viabilidade financeira da operação.
Para garantir o cumprimento dos futuros contratos, o projeto
das PPP prevê a criação de fundos especiais,
capitalizados com recursos públicos, como dotações
consignadas no Orçamento do ente e créditos adicionais.
Além de resolver os problemas da área de infra-estrutura
do País, a regulamentação das PPP será
importante para se cumprir a estimativa de captar até
R$ 30 bilhões por ano da iniciativa privada para a execução
dos projetos incluídos no Plano Plurianual (PPA).
O governo espera que o Congresso vote e aprove, ainda este ano,
a regulamentação das parcerias.
"Esse é um projeto importante, desejado pelos governadores,
pela iniciativa privada e pelo Governo Federal por isso não
vejo obstáculos para que seja aprovado num período
relativamente rápido", avaliou o Ministro Guido
Mantega.
O projeto de Lei ficará em consulta pública para
o recebimento de sugestões que podem ser enviadas para
o endereço eletrônico ppp@planejamento.gov.br.
O texto do projeto de Lei de Parceria Público-Privado
pode ser lido no site www.planejamento.gov.br.