Minas lança em julho editais para as obras em parcerias
Alex Capella /Ygor Salles
- Minas foi pioneira na aprovação da lei e agora
lança 1º edital - No próximo mês,
o Estado de Minas Gerais deve iniciar a licitação
das duas primeiras obras a serem feitas no País através
do sistema de parcerias público-privadas (PPPs). As
obras escolhidas para inaugurar esta nova modalidade de concessão
são a duplicação da rodovia MG-050, que
liga a região central do estado à divisa com
São Paulo, e uma unidade prisional em Ribeirão
das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Juntas, as duas obras custarão cerca de R$ 450 milhões.
A modelagem das PPPs Minas foi aprovada pela Assembléia
Legislativa de Minas Gerais e pelo governador Aécio
Neves (PSDB), que sancionou a lei estadual no final de 2003.
Segundo o planejamento original do governo mineiro, além
dessas duas obras, havia ficado estabelecido que o estado
teria outros três projetos-piloto: construção
e operação do Centro Administrativo do Estado,
orçado em R$ 250 milhões; construção
e operação do campus da Universidade Estadual
de Minas Gerais (UEMG), além de projetos de saneamento
básico, que serão geridos pela Companhia Estadual
de Saneamento Básico (Copasa) e implantados em regiões
com baixo índice de desenvolvimento humano.
Para buscar o interesse do investidor privado para as obras
e garantir o sucesso das PPPs no estado, o governo mineiro
recorreu à contratação de consultorias
especializadas, a começar pela modelagem dos contratos
e dos editais, em que trabalharam as multinacionais KPMG e
PriceWaterhouseCoopers , que ficaram responsáveis,
respectivamente, pela MG-050 e pela construção
do presídio.
Além disso, o Unibanco foi contratado, ao custo de
R$ 270 mil, para realizar a consultoria para o arranjo das
garantias, que será gerido pelo Banco de Desenvolvimento
de Minas Gerais (BDMG) e já conta com ações
preferenciais da Companhia Energética de Minas Gerais
(Cemig) avaliadas em R$ 88 milhões.
Visando a formatação dos projetos das PPPs,
o governo mineiro, através da Secretaria de Estado
de Desenvolvimento Econômico (Sede), recebeu, a fundo
perdido, US$ 675 mil do Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID). Os recursos têm origem no Fundo Multilateral
de Investimentos (Fumin), formado por países que doam
recursos para o BID. Esse dinheiro foi usado para o pagamento
dos serviços de consultoria.
Além de serem qualificadas como obras capazes de atrair
investidores, a rodovia MG-050 e o presídio de Ribeirão
das Neves são consideradas estratégicas pelo
governo estadual mineiro. A MG-050 é a maior estrada
estadual de Minas, e corta uma das regiões que mais
crescem no estado. Além disso, sua duplicação
reduzirá o tráfego da Rodovia Fernão
Dias, que liga as capitais de Minas Gerais e de São
Paulo, um dos maiores “gargalos” de escoamento
da produção agrícola e industrial mineira.
Já o presídio, que terá capacidade para
abrigar cerca de três mil detentos, colaborará
na diminuição do déficit de vagas no
sistema carcerário do estado, e servirá de “modelo”
para futuras PPPs do mesmo tipo, inclusive em outros estados.
São Paulo avança
Se Minas Gerais está preste a fazer uso efetivo das
PPPs, o mesmo não ocorre com os outros estados que
já aprovaram suas leis de parcerias. Em São
Paulo, por exemplo, os projetos prioritários estão
nas mãos do Conselho Gestor. Nas próximas semanas,
a Companhia Paulista de Parcerias (CPP) contratará
empresas para fazer a modelagem dos editais, assim como foi
feito em Minas Gerais.
“O corredor noroeste de Campinas e o corredor de exportação
são os projetos que devem ter os editais lançados
até o final do ano”, disse o assessor de PPP
da Secretaria de Planejamento de São Paulo, Deraldo
de Souza Mesquita Júnior.
Os dois projetos — um que cria um corredor ligando cidades
da região metropolitana de Campinas, outro que modernizará
as estradas que ligam Campinas ao porto de São Sebastião
— estão na lista de prioridades do governo paulista
desde o Plano Pluri-Anual (PPA), e juntas custarão
cerca de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos.