Empresários reclamam do atraso nas PPPs
Sergio
Leo - Apesar do atraso na regulamentação, os
primeiros editais para obras no regime de parcerias público-privadas
(PPPs), a começar pelo da ferrovia Norte-Sul, devem
ser divulgados até o fim do ano, reafirmou o secretário-executivo
do Ministério do Planejamento, Nélson Machado,
na reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Industrial (CNDI), ontem no Palácio do Planalto.
Machado,
que teve seu anúncio recebido com comentários
irônicos de empresários do conselho, reconheceu
que o governo ainda não conseguiu um consenso sobre
um dos pontos principais das PPP: o Fundo Garantidor, que
dará segurança aos contratos de longo prazo
para o setor privado, composto por ações de
estatais e de empresas privadas pertencentes aos ativos do
governo.
"Colocamos
claramente uma preocupação com o retardamento
da operacionalização desse mecanismo importante
para o Brasil poder investir em infra-estrutura", relatou,
ao fim do encontro, o presidente da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Netto.
Machado informou, na reunião, que o Ministério
do Planejamento aguarda uma resposta do Ministério
da Fazenda sobre as futuras regras do fundo e sobre a instituição
que deverá administrá-lo - provavelmente o Banco
do Brasil ou a Caixa Econômica. Em abril, o Secretário
do Tesouro, Joaquim Levy, previu que o fundo deveria somar,
pelo menos US$ 4 bilhões e sua regulamentação
seria publicada até maio.
"Na
hora da regulamentação a coisa pega e o fato
é que o tempo está correndo", alertou Monteiro
Netto. A nova ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff
garantiu que se encarregará de apressar a decisão
do governo. Na próxima reunião do CNDI, em 23
de julho, o Ministério da Fazenda deverá trazer
uma resposta. O Fundo, uma entidade privada de administração
pública, será responsável pelo pagamento
às empresas participantes das PPP caso haja interrupção
nas liberações do orçamento.
Na
primeira reunião de um Conselho do governo depois de
escolhida para o novo posto, Rousseff interveio com freqüência,
e deu apoio também a uma antiga reivindicação
de seu ministério anterior, o de Minas e Energia. O
atual titular, Maurício Tolmasquim defendeu que os
investimentos em máquinas e equipamentos para infra-estrutura,
como na distribuição de gás, ganhem as
mesmas isenções concedidas aos exportadores,
recentemente.
O
governo foi elogiado pelos empresários pela edição
da chamada MP do Bem e do pacote de decretos, que isentaram
investimentos para exportação do pagamento do
IPI, e do PIS e Cofins, além de estabelecer outras
vantagens para os produtores, como prorrogação
do mecanismo de depreciação acelerada. Mesmo
lembrando que a empresa que comanda não foi beneficiada
por exportar 65% da produção, Jorge Gerdau Johannpeter
fez questão de endossar os elogios ao governo.
Boa
parte do encontro foi ocupado por uma aplaudida exposição
do ministro da Integração Regional, Ciro Gomes,
que mostrou o novo zoneamento econômico feito pelo ministério
para orientar a redução das desigualdades regionais.
A
exposição fez com que o conselho adiasse para
a próxima reunião a discussão de propostas
como a redução de impostos para farinha de trigo
e produtos de panificação, defendida pelo setor
privado e pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando
Furlan, e a proposta, anunciada por Furlan, de redução
de impostos sobre material de construção.