Municípios se adiantam na aprovação das parcerias
Ygor
Salles/ Alex Capella
Capitais estão à frente na regulação
das parcerias municipais
As parcerias público-privadas (PPPs) já deixaram
de ser assunto apenas para a União e os estados. Alguns
municípios também já aprovaram leis municipais
para regulamentar as parcerias, enquanto outras — em
sua maioria capitais — estão com a lei em tramitação
em suas respectivas câmaras municipais.
Segundo analistas, os municípios deverão investir
especialmente em transportes e saneamento básico, e,
em menor escala, em saúde, educação e
habitação.
O maior empecilho para as cidades está na cessão
das garantias, já que elas, em sua maioria, não
possuem empresas estatais com ações, como os
estados e a União.
Este problema, porém, poderá ser contornado
com a colocação de imóveis e fundos em
dinheiro como garantia, já que as obras tendem a ser
mais baratas.
Outra questão a ser resolvida pelos municípios
é relativa ao valor mínimo de uma obra a ser
realizada via PPP, que é de R$ 20 milhões, definida
pela lei de parcerias federal.
São João del Rei, a pioneira
Entre as cidades pioneiras em PPPs está a pequena São
João del Rei, com cerca de 80 mil habitantes, no interior
de Minas Gerais. A Câmara Municipal da cidade aprovou
a lei de PPPs em março do ano passado. Bem antes, portanto,
dos Estados de Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo,
que foram usados de modelo para outras leis de parceria firmadas
no País.
No entanto, dois meses depois a lei já foi mudada,
com a inclusão de uma cláusula que faz com que
qualquer parceria a ser firmada passe pelo crivo do Poder
Legislativo, algo que não é comum às
demais leis de PPP.
Tirando São João del Rei, as demais cidades
pioneiras em PPPs são capitais. Belo Horizonte aprovou
a lei em dezembro do ano passado, enquanto Brasília,
Recife, Salvador e Rio de Janeiro já possuem projetos
de lei sobre o assunto.
Rio de Janeiro é, até o momento, uma das únicas
cidades que já definiram as obras a serem construídas
via PPP. Trata-se da duplicação do elevado do
Joá, que diminuirá o tráfego entre a
zona sul da cidade e a Barra da Tijuca.
O prefeito da capital fluminense, Cesar Maia (PFL), já
antecipou que a obra, orçada em R$ 150 milhões,
só poderá ser construída através
de uma PPP.
Em Belo Horizonte, apesar de o projeto de lei ter sido aprovado
pela Câmara no final do ano passado, e de o prefeito
Fernando Pimentel (PT) ter sancionado no início deste
ano, não existe nenhuma obra prevista.
As obras para a construção de um novo terminal
rodoviário e de um parque tecnológico, apontados
como marco inicial do projeto, ainda estão em estudo.
As demais cidades deverão optar pelo setor de transportes
para fazer suas primeiras parcerias. Porém, ao contrário
de estados e da União, deverão prevalecer as
concessões administrativas, em que o governo paga integralmente
pela administração da obra.
“Dependendo do marco regulatório, o saneamento
básico também poderá receber investimentos”,
disse Marina Cintra, advogada do Albino Advogados Associados
.
Consórcios
Para driblar o valor mínimo de obra de R$ 20 milhões,
a sugestão é que as cidades se juntem em consórcios,
que valeriam tanto para obras em separado como em um acordo
para todas que forem realizadas. A solução deverá
ser usada especialmente por pequenas cidades.
“Se a cidade não tem como fazer obras desse porte,
pode se juntar a outras cidades para que possa realizá-las
dentro da lei”, explicou Marina.
O plano poderá ser posto em prática em breve
pela prefeitura de Itabira (MG), caso encontre mais cidades
interessadas. “Nós demos essa idéia a
eles, e eles se interessaram. Talvez levem isso para a frente”,
informou a advogada.