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Publicação de O Estado de
São Paulo de 27 de dezembro de 2006
Aécio quer assumir estradas e verba
da Cide
Governador reeleito propõe que Minas
gerencie rodovias federais, desde que fique com recursos
da contribuição
O governador reeleito de Minas, Aécio
Neves (PSDB), tem encabeçado um movimento nacional
de governadores para conseguir que a União passe
aos Estados toda a malha rodoviária federal para
um melhor gerenciamento do sistema. Com 20% das estradas
federais, Minas concentra a maior extensão de BRs
e já se propôs a ser laboratório para
o projeto, caso a proposta seja aceita pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.
“É algo que parece absolutamente
racional, só o Brasil que tem essa esdrúxula
figura das rodovias federais. E a gestão centralizada,
num País com a administração pública
burocrática, como a do Brasil, tem trazido essa situação
que nós conhecemos da malha viária brasileira”,
afirmou Aécio num encontro com governadores, em novembro.
A proposta é que todas as rodovias
federais fossem repassadas aos Estados, com condições
de uso, com a arrecadação total da Cide, permitindo
que os governos locais gerenciem a malha e possam iniciar
o processo de concessão.
“A Cide, que foi criada para investimentos
em estradas, lamentavelmente não é utilizada
para isso”, explica o secretário de Transportes
e Obras Públicas de Minas, Paulo Paiva. Segundo ele,
o valor arrecadado equivale a R$ 8 bilhões por ano,
dos quais 29% hoje são divididos entre os Estados.
Desse porcentual, um terço vai para os municípios,
deixando para os Estados 17,4%. O restante não é
aplicado.
PAPEL DO GOVERNO
“Em todos os países desenvolvidos
as rodovias são de responsabilidade estadual, mesmo
em eixos nacionais. O Estado está mais próximo
da rodovia e pode cuidar melhor. Em São Paulo, a
maior parte são rodovias estaduais, não são
mais do Estado e têm ótimas condições”,
defende Paiva. “ A função do governo
federal é de regulação e a de execução
é do Estado.”
Para o governador de Minas, o grande problema
para viabilizar a proposta é que o governo não
quer perder o controle político sobre as rodovias.
“É uma questão de racionalidade, mas
tem um complicador para o governo federal, que é
a perda da gestão do poder político e financeiro
sobre as estradas. Resta saber se o governo está
disposto”, disse Aécio.
“Minas, que tem a maior malha rodoviária
federal do País, cerca de 20% do total, se dispõe
a ser um grande laboratório. Transfira-me 20% do
total arrecadado com a Cide e passe, obviamente em condições
de trafegabilidade, a totalidade da malha rodoviária
federal para a gestão do Estado. Aí nós
faremos concessão onde for possível. Até
hoje o governo não conseguiu fazer uma concessão
sequer em Minas Gerais. Faremos PPPs, como estamos fazendo
em rodovias mineiras”, explicou Aécio.
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