Experiência das PPPs no mundo vem desde o século XIX
Os
primeiros editais de Parcerias Público-Privadas (PPPs)
no Brasil deverão sair até o fim de 2005, com
alguns anos de atraso em relação a outros países,
principalmente europeus, que já vêm desenvolvendo
o projeto desde meados dos anos 90. No entanto, a idéia
das PPPs naquela região remonta ao século XIX,
quando tudo o que tinha a ver com infra-estrutura era feito
através de PPPs.
Depois
das duas guerra mundiais, no entanto, o poder público
assumiu as obras de reconstrução da Europa.
Lá pelo idos de 70, quando o ciclo de reconstrução
foi concluído, nasceu uma nova era de PPPs. Havia necessidade
de escolas, hospitais, rodovias, universidades.
Hoje
na Europa, existem as chamadas forças-tarefa de PPPs,
compostas por 15 estados-membros, que representam centros
de experiência para oferecer apoio ao setor público.
Em
um cômputo geral, mais de 50 países já
adotaram o sistema ou estão implementando, movidos,
principalmente, pela necessidade de fazer frente a investimentos
crescentes em infra-estrutura sem recursos fiscais suficientes.
Na maioria dos países, os projetos que apresentaram
o maior destaque foram transportes e saúde.
Não
se pode deixar de citar outras iniciativas, no âmbito
das Nações Unidas, das agências multilaterais,
como o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID) e da Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE), todas em favor das
PPPs.
Segundo
especialistas, o exemplo mais maduro é o do Reino Unido,
onde a mais recente discussão diz respeito a uma maneira
de repartir entre a iniciativa privada e poder público
os ganhos decorrentes de refinanciamento.
De
acordo com as últimas estatísticas sobre a experiência
de PPPs no Reino Unido, onde existem acordos fechados até
mesmo com instituições sem fins lucrativos,
entre 1992 e 2003, foram investidos US$ 100 bilhões
em PPPs, assinando, no período, 617 projetos.
Em
Portugal, outro país onde a força-tarefa de
PPPs é considerada bem implementada, o programa foi
estabelecido em 1997, possibilitando o rápido desenvolvimento
de uma rede de rodovias de alta qualidade. Nos últimos
dez anos, mais de 2 mil quilômetros de estrada foram
construídos. A expectativa é de que, até
2006, os investimentos representarão a duplicação
de toda a extensão da malha de auto-estradas concedidas
em um período de dez anos.
No
entanto, antes de acertar no modelo, o país recorreu
amplamente às PPPs para superar todas as deficiências
da malha rodoviária. A falta de coordenação
inicial do setor público e o fato de o governo ter
subestimado os custos finais levaram a impactos fiscais imprevistos
e à revisão do programa.
Apesar
das experiências bem-sucedidas na região, as
PPPs ainda continuam se aperfeiçoando. Na França,
por exemplo, só no ano passado a lei foi efetivamente
aprovada. Em 2002, as Parcerias Público-Privadas daquele
país receberam 78% dos recursos dedicados à
pesquisa, contra apenas 38% em 1998.
Na
Holanda, o governo reservou 805 milhões de euros para
o financiamento de parcerias em áreas estratégicas
no período 2002-2010.
Na
América Latina, as experiências são mais
recentes, destacando-se o México e o Chile, onde as
PPPs foram introduzidas também por causa da necessidade
de equilibrar os investimentos em infra-estrutura com a demanda
de serviços sociais. De acordo com o marco regulatório
das parcerias público-privadas daquele país,
pode-se garantir receita mínima ao parceiro privado.
Desde
1994, quando foi implementado, foram executados 36 projetos
no montante de US$ 6 bilhões em 45 projetos, sendo
que mais de 20 foram para área de transporte. Como
resultado, o investimento anual em obras públicas no
Chile passou de US$ 300 milhões para US$ 1,7 bilhão.
No
México, o governo constituiu um fundo que pode cobrir
parte dos custos de construção do projeto e
do serviço da dívida.
As
PPPs não são padronizadas, mas desenvolvidas
sob medida para as necessidades de cada país, tornando
cada projeto uma experiência única, dependendo
do ambiente institucional e econômico. No entanto, pode
servir de espelho para a iniciativa brasileira.