Publicação da CPTM de 25 de outubro de 2005

TREM RÁPIDO DE SÃO PAULO A CAMPINAS É MAIS UM PROJETO NA MIRA DAS PPP’S

O setor metroferroviário poderá impulsionar as Parcerias Público-Privadas [PPP’s] no Brasil. É o que demonstraram a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos [STM] e a CPTM [Companhia Paulista de Trens Metropolitanos] durante a primeira sessão pública para apresentação do estudo de viabilidade técnica, econômica e financeira visando a conexão ferroviária entre São Paulo e Campinas, realizada segunda-feira [24/10], na Câmara Municipal de Campinas.

Depois da publicação do edital para a Linha 4 – Amarela do Metrô-SP e do projeto "Expresso Aeroporto da CPTM", que aguarda a contratação de adviser para estabelecer as regras da operação, a bola da vez para mais uma parceria público-privada no setor de transporte de massa é o chamado "Trem Bandeirante", previsto para entrar em operação em 2010.

Vereadores, representantes da prefeitura local e do Governo do Estado, professores universitários, líderes comunitários e moradores lotaram o plenário da Câmara para assistir a um resumo do estudo, cujo valor equivalente a R$ 1 milhão foi financiado a fundo perdido pelo Governo Espanhol. A análise da viabilidade do projeto ficou a cargo das empresas Ineco [Espanha] e Setepla Engenharia.

O presidente da CPTM, Mário Bandeira, e o diretor de Operação e Manutenção, José Luiz Lavorente, participaram do evento. Durante a abertura, o secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, lembrou que o desejo de ter uma conexão sobre trilhos moderna entre as duas principais cidades de São Paulo vem sendo manifestado há cerca de 30 anos, mas os altos custos sugeridos inviabilizavam as propostas.

"Tratávamos o assunto como coisa do passado, um sonho. Aos poucos, a ligação entre Campinas e São Paulo tornou-se inevitável. Antes não dava para sonhar com projetos em torno de 2,5 bilhões de dólares, pois não havia taxa de retorno para os investidores", afirmou o secretário.

Pela análise de viabilidade apresentada no encontro, o custo estimado para a implantação do projeto está em torno de R$ 2,7 bilhões – desse montante, R$ 2 bilhões serão destinados a obras de infra-estrutura [incluindo desapropriações, construção de vias, viadutos, pontes, passagens e túneis] e o restante, R$ 700 milhões, para a compra de trens.

O estudo sugere ao Governo do Estado assumir os investimentos pelas obras de infra-estrutura, podendo recorrer às PPP’s, por meio de concessão administrativa. A iniciativa privada ficaria com a responsabilidade da compra de trens e também da operação por 30 anos. A taxa de retorno para os investidores é de 15,5%.

De acordo com o gerente de Projetos de Transporte da CPTM, Silvestre Ribeiro, o projeto é de grande rentabilidade e vai render ao governo estadual, somente em impostos diretos, cerca de R$ 2 bilhões. "Exatamente a ordem de grandeza em investimentos de obras e infra-estrutura, além de outros benefícios, como a diminuição de acidentes, poluição, custos e tempo que podem ser computados. A economia, nesse aspecto, além da qualidade de vida, pode chegar a R$ 14 bilhões."

O secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, ressaltou a importância da ligação entre as duas regiões. Ao todo são 39 municípios agregados: 19 milhões de pessoas na Grande São Paulo, mais 500 mil habitantes da região intermediária, no entorno de Jundiaí, e cerca de 2,5 milhões de moradores da área metropolitana de Campinas.

O estudo do "Trem Bandeirante" propõe a construção de uma ligação ferroviária de 93 Km entre Campinas e São Paulo, passando por Jundiaí, e
chegando até a Estação Barra Funda. A proposta é compartilhar a mesma faixa – não as vias – de alguns trechos da Linha A da CPTM e das linhas de transporte de carga. Serão criados trechos novos, como a implantação de 24 Km entre Perus e Várzea Paulista.

O tempo estimado da viagem é de aproximadamente 50 minutos e a velocidade máxima do trem será de 160 Km por hora [110 Km/h operação comercial]. A tarifa prevista é de R$ 12,6. Estima-se, inicialmente, um intervalo médio entre composições de 10 minutos, podendo ser reduzido a 7 minutos.

De acordo com o secretário, o objetivo futuro é estender o projeto para o Aeroporto de Viracopos, permitindo a conexão com o Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos, o que deverá ser viabilizado com a construção do Expresso Aeroporto.

Hoje [25/10], a partir das 15h, acontece a segunda sessão pública para a apresentação do estudo de viabilidade da ligação ferroviária entre as duas cidades, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

 

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