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Publicação do Cruzeiro Net de 24 de dezembro 2004

Mantega aposta que, em seis meses, PPPs estarão ativas

As primeiras licitações de projetos de Parcerias Público-Privadas (PPPs) serão feitas dentro de seis meses, segundo estimativa do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega. Como ministro do Planejamento, Mantega foi quem idealizou a PPP e elaborou o projeto encaminhado, em novembro do ano passado, ao Congresso.

Ele não concorda com as avaliações de setores empresariais de que somente em 2006 será possível iniciar efetivamente o processo. "Em 2005 já poderemos aprovar projetos de parceria", garantiu, 5a. feira (23/12), em entrevista. Mantega disse que o governo precisa evitar "o risco de morrer na praia", ou seja, de demorar muito tempo para viabilizar as licitações.

Bastante feliz com a aprovação da lei que instituiu as parcerias pelo Congresso, na quarta-feira (22), ele disse que o BNDES vai "ajudar bastante" a viabilizar essa nova forma de concessão. "O BNDES será um dos principais financiadores das PPPs", observou. Entre os 23 projetos que o governo escolheu para serem executados por meio de parcerias até 2007, Mantega acha que 4 poderão iniciar o processo: a construção de 330 quilômetros da ferrovia Norte-Sul; o Anel Ferroviário de São Paulo (Ferroanel); a adequação do complexo viário do Porto de Santos; e a recuperação e ampliação do Porto de Itaqui, no Maranhão.

Mantega disse que enquanto o projeto de lei da PPP estava sendo discutido no Congresso, o Ministério do Planejamento montou um grupo de técnicos, com a atribuição de estudar os passos seguintes que serão adotados pelo governo. "Aqueles que dizem que os projetos só serão feitos em 2006 se baseiam na experiência da Inglaterra, que levou 18 meses depois da aprovação da legislação sobre as parcerias para fazer as primeiras licitações", explicou. "Mas nós aprendemos com a experiência dos outros países e temos condições de abreviar esse tempo", acrescentou.

Antes de realizar as licitações, Mantega explicou que o governo terá de definir todas as condições do projeto. Nessa análise, os técnicos do governo terão de calcular quanto o empreendimento vai custar, qual será a sua rentabilidade, quanto o governo vai pagar, qual será o valor da tarifa a ser paga pelos usuários, qual será a forma de reajuste e como essas condições vão se alterar ao longo da duração do contrato.

"Os técnicos terão de redigir contratos com regras que irão valer por 20, 30 e até 35 anos", observou. "Isso exige cálculos, análises, trabalho de fôlego para o qual o Brasil ainda não tem um grande conhecimento técnico", disse. A unidade de PPP do Ministério do Planejamento está recebendo, segundo ele, um treinamento intensivo e alguns de seus integrantes foram mandados para estudar as experiências de outros países.

A análise mais completa foi feita sobre a experiência de Portugal, que é considerada a mais desastrosa do ponto de vista fiscal. Naquele país, a construção de estradas e pontes resultou em despesas que comprometem atualmente quase todo o orçamento do Ministério dos Transportes. Em defesa de sua tese de que o Brasil conseguirá reduzir o prazo de preparação das licitações, Mantega lembrou que até mesmo as empresas privadas obtiveram ganho com a experiência das PPPs em outros países.

"As empresas interessadas não estão virgens nessa matéria. Adquiriram experiência a partir do que aconteceu em outros países." O apoio financeiro do BNDES às PPPs é natural, segundo Mantega, porque uma das prioridades da instituição é o financiamento da infra-estrutura do país. "Sem uma infra-estrutura ampla e ágil, o país não conseguirá manter um crescimento de 5% ao ano", disse. Ele lembrou ainda que o BNDES é a única fonte de recursos de longo prazo para investimentos nessa área.

Ribamar Oliveira

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