Alckmin acelera obras em todo o estado
De
olho na sucessão de Lula, o governador amplia ação
no final do mandato. De olho nas próximas eleições
presidenciais, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin
(PSDB), dará hoje mais um passo rumo à sua potencial
candidatura à sucessão do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. O governador paulista lança pela manhã
no Palácio dos Bandeirantes um plano que intensificará
as ações em 46 projetos estratégicos,
com o objetivo de alavancar a atual gestão nas áreas
sociais, infra-estrutura, meio ambiente e gestão pública.
Essas
obras prioritárias serão implantadas no segundo
semestre deste ano e em 2006. No total, o programa exigirá
a aplicação de R$ 12,6 bilhões, a maioria
recursos oriundos de verbas orçamentárias. Apenas
uma pequena parcela do dinheiro virá do setor privado,
por meio da implementação no estado das Parcerias
Público-Privadas (PPP).
Ontem,
Alckmin assinou um pacote de medidas para incentivar o consumo
e os investimentos, incluindo a redução do Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS) e combate à sonegação (ver matéria
página A-4). Uma das medidas amplia a isenção
do ICMS para o fornecimento de energia para consumidores residenciais
de baixa renda - serão isentos os consumidores até
90 kwh por mês, contra os atuais 50 kwh. A isenção
do ICMS para a comercialização da cadeia do
trigo e derivados também ficará isenta.
O
conjunto de programas estratégicos, batizado informalmente
de "Avança São Paulo" - nos moldes
do "Avança Brasil", uma das marcas do segundo
mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no âmbito
federal - será apresentado hoje pelo governador paulista
durante reunião com todos os secretários do
governo estadual. O plano foi elaborado pela Secretaria de
Economia e Planejamento, Martus Tavares. Estarão presentes
ainda diretores e presidentes de estatais, e os reitores das
universidades públicas paulistas.
Assim
como o modelo de gestão de programas federais desenvolvido
pelos tucanos no governo federal, a idéia é
realizar um gerenciamento intensivo de projetos estratégicos
para otimizar a produtividade no setor público, da
mesma forma que esse objetivo é perseguido pela iniciativa
privada. Neste sentido, outras medidas estão sendo
estudadas no governo estadual, entre elas o enxugamento do
funcionalismo público.
A
maior parte dos R$ 12,6 bilhões orçados para
a realização dos 46 projetos estratégicos
virá do orçamento. Uma parte, porém,
deverá resultar de investimentos privados por meio
de PPP, como é o caso do corredor Noroeste, de parte
do complexo do porto de São Sebastião e do complexo
esportivo do Parque do Ibirapuera.
A
largada das PPPs em São Paulo faz parte das ações
estratégicas de médio e longo prazos. Depois
de concluir a base institucional-legal para a implantação
das PPPs no estado de São Paulo, o governo tucano enfrenta
o desafio de atrair investidores privados para assinar o primeiro
contrato dentro das condições inovadoras permitidas
por esse instrumento de ampliação da infra-estrutura
e oferta de serviços de interesse público.
Dentro
das prioridades que serão anunciadas hoje pelo governador
e sua equipe estão três projetos potenciais de
PPP já identificados pela Secretaria Estadual de Economia
e Planejamento. O mais importante deles é o corredor
de exportação e ampliação do porto
de São Sebastião, que envolve várias
obras, como a concessão das rodovias Carvalho Pinto,
Ayrton Sena, Dom Pedro I e Tamoyos, ampliação
de terminais para contêineres, armazéns e construção
de pier. O objetivo é tornar o porto mais acessível
para exportação de contêineres e veículos.
O projeto está orçado em R$ 1,4 bilhão.
O
outro é o corredor rodoviário Noroeste de Campinas,
com faixa exclusiva para ônibus e extensão de
37 quilômetros ligando os municípios de Campinas,
Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa, Americana,
Santa Bárbara do Oeste e Monte-Mor. O governo quer
implantar em parceria com investidores privados o complexo
esportivo do Parque do Ibirapuera.
(Gazeta
Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(Liliana Lavoratti)