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Publicação de O Estado de São Paulo de 23 de dezembro 2004

Projetos só devem sair em 2006, crêem empresários

Renée Pereira

Os representantes do setor de infra-estrutura festejaram ontem a conclusão do processo de votação das parecerias público-privadas (PPPs) pelo Congresso.

"É muito importante iniciarmos 2005 com a lei já aprovada. Assim, todos os esforços poderão ser concentrados na regulamentação", afirmou o presidente da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústria de Base (ABDIB), Paulo Godoy. Segundo ele, a entidade sempre acreditou que fosse possível votar o projeto ainda neste ano, especialmente depois que todos os pontos polêmicos já haviam sido solucionados.

Apesar disso, o setor acredita que os primeiros projetos somente deverão sair do papel no último trimestre de 2005 ou início de 2006, porque a lei ainda precisa ser regulamentada. Um exemplo, afirma o presidente do Sindicato da Construção Pesada (Sinicon), Luiz Fernando Reis, é a criação do fundo que vai garantir o retorno dos investimentos feitos pela iniciativa privada. "Esse é um dos pontos mais importantes da PPP e determinará o apetite dos investidores."

GARANTIAS

Reis afirma que diante do histórico do governo brasileiro para honrar seus compromissos com a iniciativa privada é preciso um instrumento de garantias muito bem formatado. Ele explica, por exemplo, que o governo terminou de pagar dívidas de 2002 e 2003 com o setor de construção pesada há cerca de dois meses.

Com débito na casa dos R$ 600 milhões, muitas obras de infra-estrutura, especialmente em estradas, foram paralisadas. "Mas hoje, depois deste acerto de contas, temos de comemorar, pois nunca tivemos uma situação como a atual, em que emitimos a fatura e em seguida recebemos do governo."

Godoy lembra, ainda, que várias empresas já iniciaram os estudos de viabilidade econômica dos projetos que mais lhe interessam. Entre essas está a Construtora Andrade Gutierrez, a Companhia Vale do Rio Doce e a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Capital Aberto (ABRAPP). Nesse último caso, a entidade contratou uma consultoria para avaliar todos os projetos do Plano Plurianual do governo.

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