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Publicação da Gazeta Mercantil de 23 de dezembro 2004

Lei da PPP só depende da sanção de Lula

Uma sessão extraordinária convocada pelo presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), garantiu ontem a aprovação do projeto que institui a Parceria Público-Privada (PPP) no País. Como o trabalho dos deputados havia sido encerrado em 14 de dezembro, a não ser para a análise do Orçamento da União de 2005, a previsão era de que o texto seria votado, na melhor das hipóteses, em fevereiro. Agora, segue para sanção presidencial.

A equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva elegeu a PPP como o principal mecanismo para atrair investimentos privados em infra-estrutura. De acordo com o relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Rodolpho Tourinho (PFL-BA), o Brasil necessita de R$ 40 bilhões de investimentos anuais em infra-estrutura.

Para a iniciativa privada, a carência é maior e chega a R$ 60 bilhões. Caberá à PPP suprir tais necessidades, ao lado dos investimentos públicos, que hoje correspondem a menos de 20% do registrado na década de 70, segundo o economista Raul Velloso. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústria de Base (Abdib) elogiaram a aprovação do projeto.

"Desenvolver no Brasil essa nova modalidade, implantada em outros países com sucesso, aumenta a possibilidade de atrair investidores para participar da expansão da infra-estrutura brasileira", disse terça-feira, ao Jornal do Brasil, o vice-presidente da Abdib, Ralph Lima Terra. A Abdib já analisa a viabilidade de realizar parcerias, sobretudo no setor de transportes.

"Com a aprovação da PPP e a definição dos marcos regulatórios que ainda faltam, teremos criado as condições para que os investimentos privados também aconteçam", declarou o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, na mesma ocasião.

Os deputados mantiveram a legislação aprovada anteontem pelos senadores. Ela limita as despesas com PPP a 1% da receita corrente líquida (RCL) de União, Estados, Distrito Federal e municípios. Além disso, estabelece que pelo menos 30% das fontes de recursos financeiros dos empreendedores têm de ter origem privada. A exigência cai para 20% se a participação é de entidades fechadas de previdência complementar.

Os deputados acrescentaram uma única regra, sugerida pelo senador Heráclito Fortes (PFL-PI), que amplia de 70% para 80% a participação de empresas públicas e sociedades de economia mista nas fontes de recursos de projetos em áreas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Os contratos de PPP terão entre 5 anos e 35 anos de duração e não poderão ser assinados quando se tratar de mera execução de obra. Um fundo garantidor de PPP, de R$ 6 bilhões, assegurará o pagamento dos investidores em caso de inadimplência do ente federado.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 6)(Daniel Pereira e Sérgio Prado)

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