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Publicação do Valor Econômico
de 23 de novembro de 2006
PPPs são alternativa para bancar
grandes projetos
Roberto Rockmann
Além dos distúrbios econômicos
causados nas cidades, os congestionamentos também
têm pesado impacto sobre a poluição,
já que os veículos estão entre os principais
emissores de poluentes. Financiar projetos de transporte
coletivo para desafogar o trânsito é uma forma
de melhorar a vida nas metrópoles. O desafio dos
governos estaduais e municipais é como levar adiante
grandes projetos de transporte público. Uma das saídas
analisadas pelos gestores públicos e especialistas
são as Parcerias Público-Privadas (PPP) em
projetos de transporte de massas.
"Essa possibilidade está sendo cada vez mais
analisada por todas as cidades", diz o presidente do
Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba,
Luis Henrique Fragomeni.
Considerada o melhor exemplo de planejamento do Brasil,
Curitiba tem 100 quilômetros de corredores de ônibus.
Por conta da política racional de uso do solo e trânsito,
estudos preliminares apontam que a eventual construção
de um metrô na cidade sairia pela metade do custo
de outros locais, já que o governo, em vez de abrir
túneis, poderia fazer "trincheiras" próximas
dos corredores.
"Já estamos discutindo a viabilidade de um novo
modal para a cidade para os próximos anos",
diz Fragomeni. Apesar da vanguarda, 60% das viagens feitas
em Curitiba são individuais, enquanto apenas 40%
são feitas no transporte coletivo.
Em São Paulo, mesmo se fossem investidos mais de
R$ 15 bilhões nos próximos dez anos no transporte
público e não fossem adotadas medidas de restrição
aos automóveis, a cidade não conseguiria melhorar
significativamente sua matriz de transportes. Hoje, as viagens
por meios individuais somam 53%. Com R$ 15 bilhões
de investimentos em dez anos, elas passariam a responder
por metade das viagens. As respostas são muito lentas,
ao mesmo tempo os recursos públicos são escassos.
"O metrô é um dos modais que têm
mais peso para reduzir o tráfego nas cidades",
diz o consultor Fernando MacDowell. Mas o alto custo é
um entrave para sua adoção em todos os Estados.
O investimento em 1 quilômetro de metrô gira
em cerca de R$ 100 milhões.
"O orçamento do Estado de São Paulo para
investimentos é de R$ 6 bilhões para recursos
em habitação, saúde, educação
e transportes. Se tivéssemos R$ 500 milhões
para o metrô, iríamos conseguir expandir apenas
5 quilômetros por ano", informa o secretário
de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. Isso
em uma realidade já precária: São Paulo
tem só 57 quilômetros de linhas metroviárias.
"Nesse contexto é fundamental atrair outros
investidores para que projetos de transporte público
importantes saiam do papel e melhorem o tráfego na
região metropolitana", completa. Outra dificuldade
é a baixa capacidade de endividamento dos Estados,
o que dificulta a obtenção de empréstimos.
A Linha 4 do metrô paulistano - que liga o centro
à zona oeste - está sendo tocada por uma Parceria
Público-Privada. Na PPP, o Estado investe na construção
dos 12,8 quilômetros de túneis e via permanente.
Já a iniciativa privada é responsável
pelos trens, sistema de sinalização, controle
do pátio, controle operacional, supervisão
centralizada e comunicação móvel de
voz e dados.
A iniciativa privada vai operar e explorar a Linha 4 por
30 anos a partir do início da operação
da primeira fase e será responsável pela compra
dos sistemas operacionais e de 29 trens para a linha.
Outra possibilidade para ampliar a rede de metrô é
o uso de fundos que utilizam recebíveis. O governo,
por exemplo, planeja a ampliação da Linha
5, na zona sul de São Paulo, que hoje recebe só
75 mil passageiros diariamente. Com novas linhas, o número
de passageiros deve saltar para 600 mil por dia. "Uma
parte desse acréscimo de usuários pode ser
usada como recebível para financiar parte da obra",
diz o secretário.
A queda dos juros básicos e a possível desoneração
do Imposto de Renda para fundos de participação
voltados para a infra-estrutura poderão ter efeito
positivo no setor de transporte. Fundos de pensão,
que hoje movimentam mais de R$ 300 bilhões de recursos,
já começam a buscar alternativas à
renda fixa. "Isso pode impulsionar projetos de transporte
público, por exemplo; a demanda é muito grande
nas cidades brasileiras", afirma Fernandes.
As parcerias também podem se estender ao pedágio
urbano. Exemplo disso pode ser visto no Rio de Janeiro,
na Linha Amarela. Mas conceder à iniciativa privada
envolve outras questões. "O fundamental é
que esses projetos visem ao equilíbrio, para impedir
situações de desequilíbrio", diz
Mac Dowell. A tarifa, se for muito elevada, pode fazer que
os veículos evitem a via com pedágio ou, se
muito baixa, pode torná-la intransitável.
A discussão começa a aparecer em São
Paulo. O governador paulista, Claudio Lembo, afirmou recentemente
que a tarifa de passagem do Rodoanel será de R$ 5,00.
O preço provocou críticas dos transportadores
de cargas. "O valor não foi discutido previamente
e pode ser um tiro no pé, porque muitos transportadores
vão continuar rodando pelas marginais para entregar
seus produtos ao Porto de Santos", adverte Geraldo
Viana, da NTC&Logística.
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