Secretaria espera aprovação das PPPs estaduais em três meses
Tendo
como principal meta atrair ainda mais investimentos para o
estado, o novo secretário de Desenvolvimento Econômico,
Maurício Chacur, disse que uma das prioridades de sua
administração será a melhoria da infra-estrutura
que deve ser capaz de acompanhar o crescimento da economia
fluminense. Ainda esta semana, Chacur entrega o projeto de
lei estadual de Parcerias Público-Privadas (PPPs) à
governadora Rosinha Garotinho. A expectativa dele é
de que o projeto seja aprovado pela Alerj (Assembléia
Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) em, no máximo,
três meses.
– O Brasil está crescendo e o Estado do Rio de
Janeiro mais ainda. Precisamos de infra-estrutura para suportar
isso. Por isso, queremos implementar as PPPs. Foi uma estratégia
do governo do estado aguardar a lei federal para elaborar
a nossa. Foi feito um grupo de trabalho com as secretarias
de Desenvolvimento e de Planejamento e a Procuradoria Geral
do Estado, responsável pela criação do
projeto estadual das PPPs – contou Chacur.
Segundo
Chacur, os projetos prioriários, para o caso da aprovação
da lei das PPPs, são dois: o porto do Norte Fluminense
e o Arco Rodoviário. O porto, com custo estimado em
R$ 300 milhões, ficaria no município de São
João da Barra e daria apoio às plataformas marítimas
de exploração de petróleo.
–
Há grandes possibilidades também de exportação
de pedras ornamentais e de álcool. A região
tem hoje 100 mil hectares para a produção de
álcool, mas poderemos dobrar isso. Estamos conversando
com seis grupos diferentes sobre o assunto. E com algum investimento
poderemos exportar minério também – explicitou
o secretário.
Quanto
ao Arco Rodoviário, Chacur disse que a idéia
é viabilizar o projeto através de uma parceria
público-privada, mas está em estudo se será
uma PPP estadual ou federal.
Além
das PPPs, a Secretaria de Desenvolvimento, na gestão
Chacur, irá trabalhar intensamente para a atração
de novos investimentos para o Estado do Rio, de forma que
2005 seja tão bom nesse sentido quanto foi o ano passado.
Ele destaca que esses novos investimentos não têm
de ser necessariamente através da instalação
de grandes empresas e projetos.
–
A Codin (Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado
do Rio de Janeiro) tem hoje em carteira de investimentos em
torno de R$ 4 bilhões em análise. Existem muitos
investimentos de médio porte, importantíssimos,
mas que talvez não tenham a mesma visibilidade de uma
CSA (Companhia Sideúrgica do Atlântico). A empresa
italiana Safe decidiu investir na produção de
compressores de gás para postos de combustíveis,
por exemplo- citou.
E
mais, segundo o secretário. Em conseqüência
do RioLog, a Zambone, de logística, está construindo
uma central de distribuição de 120 mil metros
quadrados. Ele citou ainda a Voestalpine, maior empresa de
bens de capital para siderurgia, que existe em Volta Redonda
e que pretende instalar outra na região de Sepetiba.
De
acordo com o secretário, sua gestão vai atacar
com força a política de fortalecimento da cadeia
produtiva, estimulando a instalação no estado
de indústrias de todas as fases da produção.
Mas
Chacur confessa que seu trabalho em grande parte será
uma continuidade da administração de Humberto
Mota, pois vem dando grandes resultados.
–
Dos programas que pretendo manter poderia citar a rede de
desenvolvimento integrada, pelo qual os municípios
desenvolvem expertise na atração de investimentos
e na geração de negócios. A idéia
é descentralizar a informação. Os governos
federal e estadual são muito importantes, mas o grande
agente é o prefeito, que realmente acompanha a empresa
e é fundamental que ele entenda todo o processo –
afirmou.
O
Compra Rio é outro programa considerado importante
para o secretário. De acordo com dados da secretaria,
se cada consumidor comprasse mais R$ 50 por mês em produtos
fluminenses geraria uma receita adicional de R$ 1 bilhão
por ano para os cofres do estado.
Com
a assinatura, no mês passado, pela governadora Rosinha
Garotinho do protocolo de intenções para a criação
de um projeto visando à instalação de
um Centro Internacional de Resseguros no Rio de Janeiro, a
cidade vai se transformar no principal pólo de seguradoras
da América Latina.
–
Queremos transformar o Rio em Central Internacional de Resseguros.
O IRB deve perder o monopólio de resseguros no Brasil
e hoje o Rio reúne as condições para
se tornar este centro. Já foi firmado o protocolo nesse
sentido e o importante agora é tornar o ambiente atrativo
para a vinda das empresas. Temos A Susep, o IRB, A Funeseg,
a Bradesco Seguros. Estamos estudando as condições
para a criação deste ambiente favorável,
seja em legislação ou em infra-estrutura –
afirmou Chacur, ressaltando que incentivos fiscais estão
em pauta na secretaria para que as empresas sejam beneficiadas
ao se instalarem aqui – detalhou.
Outro
importante programa que vem sendo realizado é o Investe
Rio, prioridade do estado desde o governo Garotinho. Em 1999,
o Estado do Rio ficava com apenas 2,5% dos financiamentos
do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social) para pequenas e médias empresas, enquanto
a participação do estado no PIB nacional era
de 14%. A principal dificuldade para uma atração
maior de financiamentos do BNDES era a falta de uma agência
de fomento do estado.
–
Constituímos essa instituição e a perspectiva
de crescimento é grande. No dia 31 de maio, lançaremos
o Investe Moda, para compra de máquinas e equipamentos.
Este será o primeiro investimento do Investe Rio, mas
já somos repassadores do BNDES e agentes financeiros
do Fundes e do Fundo de Recuperação Econômica
dos Municípios do Norte e Noroeste Fluminense, além
dos recursos próprios. São quatro fontes de
recursos. Hoje, o Investe Rio tem patrimônio de R$ 5
milhões. A expectativa é de que até junho
alcance R$ 10 milhões e chegue até R$ 25 milhões
– completou o secretário.
Além
da moda, o Investe Rio poderá financiar outros pólos,
como o das pedras ornamentaias, em Santo Antônio de
Pádua, e de software, na Região Metropolitana
do Rio.
–
Além disso, queremos levar o Investe Moda para a região
de Itaperuna e Cabo Frio. Estimo que isso será possível
no segundo semestre. Com estes projetos, devemos financiar
cerce de R$ 3 milhões, R$ 4 milhões com recursos
próprios e do BNDES.
Em
relação aos projetos futuros, Chacur se mostra
otimista.
–
A Secretaria está estruturando um pólo de calçados,
com foco em Tanguá, Rio Claro e Bom Jardim. Na realidade,
temos 52 arranjinhos produtivos locais (ALPs) listados e vamos
atuar nesses ALPs. Está sendo organizado, em parceria
com o Ministério de Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior (Mdic), uma Comissão de
Apoio aos Arranjos Produtivos Locais, com a presença
de Sebrae, Firjan, Fecomércio, BNDES, Banco do Brasil,
Caixa Econômica Federal, entre outros – conclui
o secretário.