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Publicação de A Tribuna
Digital de 22 de dezembro de 2006
Trens de passageiros atraem aportes
Katia Hochman
Os trens de passageiros podem começar
a sair do papel a partir do ano que vem, viabilizados principalmente
por investimentos de bilhões de reais no modelo de
parcerias público-privadas (PPP). O Expresso Aeroporto
e o Expresso Bandeirantes, dois dos projetos mais adiantados,
ligariam a capital paulista aos aeroportos de Cumbica e
Viracopos, respectivamente, desafogando o fluxo de Congonhas.
Ao contrário de países de dimensões
continentais como Estados Unidos, China e Rússia,
o Brasil não conta com um eficiente transporte ferroviário
de passageiros. “O País, nos anos 1950 com
o estímulo à indústria automobilística,
fez uma opção e privilegiou o modal rodoviário
de transporte”, explica Guilherme Rehder Quintella,
presidente da Agência de Desenvolvimento de Trens
Rápidos entre Municípios (ADTrem). Mesmo após
as privatizações do setor, aponta Quintella,
não houve o desenvolvimento do transporte ferroviário
de passageiros porque esta é uma atividade que pressupõe
a participação do governo, uma vez que a atividade
não é, por si só, lucrativa para a
iniciativa privada.
As PPPs, neste contexto, seriam o modelo de negócio
considerado o ideal pelo setor para a viabilização
de projetos de trens para passageiros. O projeto Trens Regionais
de Média Densidade, que conta com o patrocínio
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), prevê a construção e operação
de 30 trechos de norte a sul do País. As linhas teriam
até 200 quilômetros de extensão e atenderiam
municípios com pelo menos 100 mil habitantes.
Além da ADTrem e o do banco de fomento, outras entidades
fazem parte do projeto: Ministério dos Transportes,
Ministério das Cidades, Companhia Brasileira de Trens
Urbanos (CBTU), Associação Brasileira da Indústria
Ferroviária (Abifer) e Sindicato Interestadual de
Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários
(Simefre).
No Estado de São Paulo, o projeto identifica pouco
mais de mil quilômetros com potencial para serem explorados
por trens de passageiros, divididos em cinco trechos. Destes,
o Expresso Aeroporto é o que está mais próximo
de virar realidade.
“Esperamos iniciar o processo de licitações
já em 2007”, afirma o presidente da ADTrem.
A obra, orçada em US$ 497 milhões, faria a
integração do Terminal Barra Funda com o Aeroporto
Internacional de Cumbica, em Guarulhos.
O trajeto seria feito em 20 minutos do ponto de partida
ao destino final, sem estações intermediárias.
O número de passageiros é calculado em 20
mil por dia até 2010 — podendo chegar a 55
mil/dia com a inauguração de outros três
terminais - e as passagens teriam um custo de R$ 17,6.
As empresas interessadas em participar da PPP para o Expresso
Aeroporto têm até 27 de abril para encaminhar
suas propostas para a Secretaria de Estado dos Transportes
Metropolitanos (STM). “No mundo, existem hoje 170
projetos para este tipo de trem sendo analisados e todos
eles são obras que começarão do chão”,
conta Quintella, acrescentando que existem de 15 a 20 empresas
interessadas em participar destas PPPs aqui no Brasil.
O Trem Expresso Bandeirantes é outra obra que tende
a contar com a participação da iniciativa
privada para viabilizar investimentos da ordem de R$ 2,7
bilhões no período de 2007 a 2010. A interligação
de São Paulo e Campinas por trens terá uma
extensão de 92,3 quilômetros e levará
50 minutos para completar o trajeto, que parte da Barra
Funda, faz uma parada em Jundiaí e termina em Campinas.
A previsão é de que a demanda de passageiros
seja de 55 mil pessoas por dia em 2010 e chegue a 89 mil
em 2040. O estudo de viabilidade identificou um fluxo de
106 mil pessoas entre as duas cidades em 2004. Se o trem
não for construído, em 10 anos o sistema rodoviário
entre as cidades estará saturado e demandará
pesados investimentos para suprir uma alta de 8% ao ano
no fluxo de passageiros de 2010 a 2040.
A ADTrem estuda também uma linha de trem de passageiros
entre o Rio e São Paulo. A obra, que interligaria
a Estação da Luz à Central do Brasil,
demandará US$ 9 bilhões em investimentos.
O potencial para linha é de transportar 32 milhões
de passageiros por ano em 2013.
Segundo especialistas em transportes, há um grande
déficit do setor metro-ferroviário nas principais
regiões metropolitanas do País e, por isso,
este deve ser um segmento amplamente contemplado pelas PPPs.
O presidente da ADTrem conta que os investimentos em trens
para passageiros não precisariam atrair necessariamente
empresas com negócios ligados à área
de infra-estrutura. Ele cita o caso de construtoras em outros
países que entram neste tipo de parceria e assim
conseguem, por exemplo, construir um empreendimento com
uma estação de trem em seu interior, o que
naturalmente valoriza os imóveis.
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