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Publicação do Zero Hora de 22 de dezembro 2004

Senadores aprovam projeto das PPPs

Governo espera que parcerias atraiam recursos privados para construção de obras
Brasília


O Senado aprovou no início da madrugada de hoje, por 52 votos a favor e dois contrários, o projeto que cria as parcerias público-privadas (PPPs), enviado pelo governo federal ao Congresso como prioritário há 13 meses. Agora a medida retorna à Câmara dos Deputados por ter sido alterado pelos senadores.

Mesmo com o acordo para votar o projeto, os oposicionistas marcaram posição com discursos que estenderam a sessão por pelo menos três horas e meia. O governo vê nas parcerias a saída para atrair investimentos privados na construção de obras de infra-estrutura.

As PPPs são contratos financiados em conjunto pelos setores público e privado para realização de serviços e obras públicas. Com as modificações realizadas pelos senadores, os contratos terão duas modalidades: patrocinada - que inclui a aplicação de tarifas ao usuário e a contraprestação financeira do governo - e administrativa - sem aplicação de taxas.

Do Senado vieram as principais críticas dos oposicionistas ao projeto, principalmente por parte de Tasso Jereissati (PSDB-CE). Durante o processo de discussão, ele cobrou maior transparência na escolha das empresas que fariam as obras, sugerindo que o projeto poderia privilegiar companhias por parte do governo. Ele chegou a dizer em plenário que "o Delúbio vai deitar e rolar", sugerindo troca de influência entre o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e as empresas que aderissem ao projeto.

Câmara avalia assunto a partir de fevereiro

Ontem à noite, Jereissati foi polido e chegou a dizer que a "exaltação" faz parte das discussões do Senado. O senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) não perdeu a oportunidade de alfinetar o governo e elogiar o companheiro tucano:

- As PPPs chegaram aqui como projeto Delúbio e agora saem como projeto Tasso Jereissati.

Também por pressão dos senadores e de organismos externos o projeto passou a deixar mais claro o respeito às leis de Responsabilidade Fiscal, de Concessões e de Licitações. A Câmara só deve apreciar o projeto a partir de fevereiro, na volta do recesso parlamentar.

Saiba mais

- O Ministério do Planejamento estima que ocorrerão investimentos de R$ 36 bilhões em quatro anos, após a aprovação do projeto das parcerias público-privadas (PPPs).
- Os contratos de parceria podem ser realizados por um período mínimo de cinco anos e máximo de 35 anos.
- R$ 20 milhões é o mínimo para cada projeto de parceria.
- 1% é o limite de gastos com as parcerias em relaçãoàs receitas de União, Estados e municípios.
- O Tesouro Nacional vai acompanhar a realização dos contratos de PPPs para checar se os novos empreendimentos estão no limite de 1% e se as despesas são compatíveis com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
- O setor privado terá de financiar pelo menos 30% dos projetos. Em caso de participação de financiadores públicos, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o percentual cai para 20%.
- Caso os gastos do setor público ultrapassarem 70% do valor do empreendimento, a parceria terá de ser submetida à aprovação do Congresso.
- O parceiro privado vai arcar com o custo global no início da obra e só passa a receber retorno financeiro quando o serviço começar a ser prestado.
- O contrato poderá prever o pagamento ao parceiro privado com remuneração vinculada ao andamento da obra.
- Ministérios e agências reguladoras deverão acompanhar a execução das obras e o cumprimento contratual.
- A lei será válida para União, Estados e municípios.
O fundo garantidor, que terá capital máximo de R$ 6 bilhões, dará a garantia dos pagamentos da União.

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