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Publicação de o Estado de São Paulo de 22 de novembro de 2006

 

Lula quer mais projetos na carteira de PPPs


Reavaliação, que está sendo feita por Paulo Bernardo, faz parte da meta de crescimento econômico de 5%

Renata Veríssimo

Dentro da estratégia de aumentar os investimentos em infra-estrutura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que sejam selecionados novos projetos que possam ser realizados por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs). O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou ontem que a carteira de projetos de PPPs está sendo reavaliada. “A orientação do presidente é que selecionemos alguns novos projetos que sirvam para as PPPs e preparemos os editais. Então, vamos fazer a seleção e levar para ele”, disse ele.

A reavaliação das PPPs faz parte das medidas em estudo visando a conseguir um crescimento econômico de 5% ao ano. Mas, segundo Bernardo, o pacote ainda está longe de ser concluído e as reuniões que o presidente terá hoje e amanhã com ministros não deverão ser conclusivas. “O presidente nos informou que pretende anunciar as medidas ainda este ano. Estou imaginando que o presidente deve anunciá-las lá pelo dia 15 de dezembro”, disse Bernardo.

No caso das PPPs, desde o início do governo haviam sido selecionados 23 projetos de infra-estrutura considerados prioritários, mas nenhum saiu do papel até hoje. Apenas a recuperação de trecho da BR-116 na Bahia está com o edital pronto.

Bernardo disse que o Ministério da Integração Nacional também está preparando um edital para uma PPP na área de irrigação. Por outro lado, por causa no atraso no andamento das parcerias, o governo já decidiu retirar da carteira outros projetos, como a pavimentação da BR 163 (Cuiabá-Santarém), que será realizada só com recursos orçamentários.

O objetivo das PPPs, um sistema de financiamento em que empresários e governo atuam como sócios, é tornar possíveis obras sem viabilidade econômica por meio de concessões.

SANEAMENTO

Bernardo disse que o governo também busca uma fórmula para viabilizar obras de saneamento básico mesmo com o alto endividamento dos Estados e municípios. Pela proposta em estudo, a União poderá repassar recursos para os governos estaduais e municipais para a realização dos investimentos.

Segundo o ministro, uma das hipóteses em estudo é uma operação mista, na qual o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiaria empresas privadas para a construção da obra e outra parte dos recursos entraria como contrapartida de Estados e municípios.

O ministro explicou que os recebíveis das empresas serviriam como garantia do financiamento do BNDES. “O Tesouro e o governo entram autorizando a operação, se precisar de contrapartida do Estado e do município. Mas, se houver dificuldade, nós podemos autorizar o aumento do limite de endividamento ou até provermos estes recursos”, explicou Paulo Bernardo. “O governo federal poderia entrar com uma ajuda para garantir essa contrapartida”, enfatizou.

Fazer deslanchar os investimentos em saneamento básico também é uma das preocupações do presidente Lula. Ele pediu à equipe econômica que prepare medidas urgentes para viabilizar as obras. O presidente quer que o Conselho Monetário Nacional (CMN) eleve o limite de endividamento de Estados e municípios para realizar obras de saneamento básico.

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