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Publicação de o Estado de
São Paulo de 23 de novembro de 2006
SP quer chip em carros em dois anos
Prefeitura, que defende uso do equipamento desde os ataques
do PCC, vai assinar convênio com o Detran
Juliano Machado
São Paulo quer sair na frente na
instalação do novo sistema. O presidente da
Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Roberto
Scaringella, afirmou ontem que os cerca de 5,5 milhões
de veículos da capital possuirão o chip em
até dois anos. “O desejo do prefeito é
que São Paulo seja a primeira cidade a se adequar
à resolução.” Para todo o País,
o Contran estabeleceu prazo de um ano e meio para o início
da instalação do sistema e de cinco anos para
a conclusão.
A Prefeitura anunciou que vai assinar um
convênio com o Departamento Estadual de Trânsito
(Detran) para que a instalação dos chips de
identificação automática de veículos
seja feita com o licenciamento. Os termos da parceria ainda
não estão definidos, mas está marcada
para amanhã uma reunião sobre o tema com a
presença do ministro das Cidades, Márcio Fortes,
do prefeito Gilberto Kassab e do diretor do Detran, Ivaney
Cayres de Souza.
Kassab defende a proposta desde o início
dos ataques do Primeiro Comando da Capital, em maio, argumentando
na época que o chip poderia contribuir para identificar
veículos que participasse de ação criminosa.
Em março, a CET iniciou um projeto-piloto
no quadrilátero formado pelas Avenidas Paulista,
Brigadeiro Faria Lima, Nove de Julho e Rebouças,
onde 24 antenas foram instaladas para identificar a passagem
de 500 carros com o chip instalado voluntariamente. Scaringella
não deu detalhes, mas disse que a iniciativa foi
bem-sucedida. “O teste funcionou bem. Fizemos uma
pesquisa qualitativa na qual os entrevistados entenderam
o chip como uma forma de rastreamento gratuito.”
No projeto da Prefeitura, a CET será
responsável pela operação do sistema.
Kassab exigiu que o custo de instalação do
chip não fosse repassado aos motoristas. Como o orçamento
do Município não suportaria os gastos decorrentes
da medida, a solução achada para tornar o
sistema viável é uma Parceria Público-Privada
(PPP), em que a empresa concessionária bancaria os
custos. A PPP, no entanto, depende da aprovação
de projeto de lei enviado à Câmara Municipal
há pouco mais de um mês.
Os recursos para o pagamento do serviço
deverão vir da arrecadação de multas
- de R$ 350 milhões a R$ 400 milhões neste
ano, conforme estimativa da CET. O custo do projeto ainda
não foi calculado pela Prefeitura. A instalação
do chip de cobrança eletrônica de pedágio
(o chamado Sem Parar) custa R$ 48,34 por veículo.
O sistema é muito parecido com o adotado pelo projeto-piloto
paulistano.
Scaringella disse que as informações
transmitidas para a futura central de monitoramento só
poderão ser liberadas por ordem judicial. “A
CET vai cumprir o que a lei determina.” Com isso,
enquanto não houver convênio específico,
a polícia não pode ter acesso, em tempo real,
ao número da placa de um carro roubado ou que tenha
sido usado em um crime. “O chip é uma ferramenta
a mais contra o roubo de veículos, mas não
é solução para tudo. E nossa função
é monitorar o trânsito”, disse Scaringella.
Cerca de 30% dos veículos da cidade
são irregulares, mas ele não vê nisso
um problema. “O aumento de fiscalização
vai motivar as pessoas a se regularizarem.”
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